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25 curiosidades históricas do Carnaval

Fevereiro 11th, 2013|Curiosidades|15 Comments


Carnaval é uma das maiores manifestações culturais que existe no planeta. No Brasil, quando as festas ocorrem, em fevereiro ou março, o país literalmente para. Suas raízes por aqui são antigas, mas o Carnaval surgiu de um conjunto de fatores internos e externos. Por este motivo, vamos conhecer 25 curiosidades históricas do Carnaval.

Esta lista foi extraída e adaptada do Guia dos Curiosos.

Saturnais na Roma Antiga

Quadro representando as Saturnais

– Na Roma Antiga, para homenagear o Deus Saturno, havia uma festa chamada Saturnais. As escolas ficavam fechadas e as pessoas saíam às ruas para dançar. Carros (chamados de “carrum navalis” por serem semelhantes aos navios) levavam homens e mulheres nus em desfile. Talvez daí a expressão “carnavale“.

– Outros especialistas afirmam que o nome da festa vem da expressão latina “carnem levare“, que quer dizer “adeus à carne”, já que representava os últimos dias antes da Quaresma, período em que o consumo de carne é proibido aos cristãos.

– A Igreja Católica se opunha a esses festejos pagãos, mas, em 590, decidiu reconhecê-los. Exigiu, porém, que o dia seguinte (Quarta-Feira de Cinzas) fosse dedicado à expiação dos pecados e ao arrependimento.

– A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma (40 dias de abandono dos prazeres), e tem esse nome porque havia o costume de se marcar a testa dos fieis com as cinzas de uma fogueira em sinal de penitência.

O Carnaval foi aos poucos mudando de cara. Na Idade Média, incluía sátiras aos poderosos. Os foliões se protegiam de possíveis retaliações com a desculpa de que a festa os deixava loucos (“folia”, em francês, significa loucura).

Cenas da festa conhecida como Entrudo, na obra de Debret

Cenas da festa conhecida como Entrudo, na obra de Debret

– Uma das mais antigas formas de Carnaval é o entrudo, cujo primeiro relato se deu em Pernambuco, em 1553. Trata-se de uma brincadeira de influência portuguesa, em que os foliões se sujam uns aos outros atirando polvilho, pó-de-sapato, farinha de trigo ou limões-de-cheiro (limões recheados de água e urina).

– O primeiro baile carnavalesco do Brasil ocorreu no Largo do Rocio, no Rio de Janeiro (RJ), em 1840. Foi uma iniciativa de uma atriz italiana que queria reproduzir o Carnaval de Veneza.

– O primeiro bloco organizado brasileiro foi o Congresso de Sumidades Carnavalescas, fundado pelo escritor José de Alencar em 1855. Nessa época, a folia era vinculada às elites. Os desfiles eram luxuosos, compostos por carros bem ornados, mulheres bonitas e grupos musicais estruturados.

– Em 1892, o extinto Ministério do Interior tentou mudar a data da festa para 26 de junho. Segundo eles, tratava-se de um mês mais saudável. O povo aproveitou o ano para fazer dois carnavais. Algo parecido ocorreu em 1912. A folia foi transferida por causa da morte do Barão do Rio Branco.

– Inspirados nos bailes de máscara do Carnaval de Veneza, os desfiles de fantasia do Teatro Municipal do Rio de Janeiro começaram em 1937. Clóvis Bornay foi o vencedor do primeiro concurso com a fantasia Príncipe Hindu. O concurso durou até 1972.

Jornal de 1929 anunciando Lança Perfume

Jornal de 1929 anunciando Lança Perfume

– O lança-perfume foi trazido da França em 1906. Era feito com perfume e cloreto de etila. Até o final dos anos 50, o máximo da ousadia era espirrar um jato gelado nas pernas das moças. Não se sabe quem inventou a moda de cheirá-lo, mas em 1961 o presidente Jânio Quadros proibiu o seu uso.

– O primeiro Rei Momo foi instituído pelo jornal carioca A Noite, em 1933. O eleito foi o músico Silvio Caldas, que, por sinal, era magérrimo. Atualmente, um comitê escolhe o monarca da folia com base em quesitos como desembaraço, sociabilidade, facilidade de expressão, simpatia e espírito carnavalesco.

– A principal festa do carnaval fora de época brasileiro é a micareta, regada de axé music. Entretanto, não foi o Brasil que a inventou. A festa vem da França do século XV, onde era conhecida como “mi-carême” (“meio da quaresma”). O evento acontecia durante os 40 dias de penitência impostos pela Igreja Católica.

A primeira micareta brasileira ocorreu no início do século XX, em Jacobina, interior da Bahia. O nome “micareta” surgiu em 1935, depois de um plebiscito feito pelo jornal “A Tarde”. Fora da Bahia, a primeira que se tem notícia é a Micarande, realizada em Campina Grande, na Paraíba, em 1989.

– O abadá, roupa usada pelos micareteiros, tem sua origem na cultura afro-brasileira. Os abadás eram as vestimentas usadas nas celebrações do candomblé. Mais tarde, o termo passou a designar a roupa dos capoeiristas.

Foto da escola de samba Deixa Falar, na déc. 1920

Escola de samba Deixa Falar, na déc. 1920

– Em 1928, o compositor Ismael Silva reuniu os principais sambistas do bairro carioca do Estácio. Eles formavam uma roda de samba em frente à antiga Escola Normal. Por isso o nome “escola de samba”. Fundada oficialmente em 12 de agosto de 1928, ela foi batizada de “Deixa Falar”.

– A “Deixa Falar” já apresentava o casal que empunhava a bandeira do grupo, conhecida como pavilhão. O mestre-sala e a porta-bandeira são remanescentes dos antigos ranchos, grupos anteriores à escola de samba. Essa tradição chegou a São Paulo no ano de 1935.

– Em 1969, a Salgueiro anunciou o enredo “Bahia de todos os deuses”. Os torcedores entraram em desespero, pois dizia-se naquela época que enredos sobre a Bahia davam azar. As crenças foram por água abaixo. A Salgueiro foi a campeã.

– Diferentemente do frevo e do samba – de caráter popular -, as marchinhas de carnaval surgiram como ritmo executado prioritariamente nos salões cariocas do final do século XIX. Elas tiveram sua ascensão ao mesmo tempo em que a classe média aumentou sua participação nos carnavais de rua.

– A marchinha Jardineira foi composta em 1938 e apareceu na comédia musical “Banana da Terra” (1939), que tinha no elenco Carmen Miranda, Oscarito e Emilinha Borba. Seu compositor, Benedito Lacerda, era flautista e policial militar. Humberto Porto, que também assina a composição, era estudante de Medicina.

Quadro de Rugendas representando a Umbigada, 1835

Quadro de Rugendas representando a Umbigada, 1835

O nome samba vem de uma língua africana chamada banto, falada em Angola. Há duas versões para sua origem: ou ele deriva do termo semba (bater umbigo com umbigo), devido uma dança de escravos chamada umbigada; ou é uma junção de sam (pagar) e de ba (receber).

– A palavra samba foi utilizada pela primeira vez em 1838, pelo frei Miguel do Sacramento Lopes da Gama. O nome apareceu em uma quadrinha publicada na revista pernambucana “Carapuceiro”. Na ocasião, o termo foi usado para distinguir um dos tipos de música introduzidos pelos escravos africanos.

Na década de 1920, o samba começou a se firmar no mercado cultural do Rio de Janeiro. Surgiam as primeiras indústrias nacionais de discos, e os bailes carnavalescos estavam em alta. Os compositores Sinhô e Caninha foram os primeiros a entrar na cena.

– Em 1930, surgem Noel Rosa e Ary Barroso, que levam o ritmo popular às classes médias. É também nessa época que são criadas variações do samba como samba-canção, samba-choro, samba de breque e samba-enredo.

– O sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira, saiu pelas ruas tocando bumbo em 1848. Pessoas foram se juntando a ele e deram origem aos blocos de rua. O desfile de blocos de rua durante o Carnaval carioca foi autorizado apenas em 1889.

15 Comments

  1. angela borghi 27 de Março de 2013 at 12:49 - Reply

    Adorei!!!!! Informações que não sabia.

  2. Klaus do Iate 31 de Março de 2013 at 2:03 - Reply

    As Saturnalia em Roma e as Antesterias em Atenas tem correlatos quase exatos. Em ambas, há o carro naval, com os peladoes, Sexo e etanol rolam soltos. Na Saturnalia escravos devem ser servidos pelos seus amos e estão livres para censura-los e desabafar magoas. Na Antesteria, mulheres da elite que viviam trancadas nos gineceus e escravos podem participar. Ambas são um tempo de permissão proposital de transgressão e até de inversão social. Verdadeiras concessoes temporarias que permitem sabiamente que a dominação se perpetue.

  3. Klaus do Iate 31 de Março de 2013 at 2:34 - Reply

    O deus latino Saturno, senhor da fartura, se encaixa muito mal a Krono, pai de Zeus. Já se levantou a possibildade de ser este Krono latino, um segundo Krono, muito possivelmente este Krono é Filho de Zeus, Dioniso! E o sétimo dia da Semana seja dedicado a ele (Samedi, Saturday, Sabado).

  4. mayanne 21 de Fevereiro de 2014 at 15:45 - Reply

    Loucura em francês é ”Folie” e não ”Folia”

  5. Pierre 21 de Fevereiro de 2014 at 16:03 - Reply

    Só uma reparação, a palavra “folia” só existe em português e significa “festa alegre e ruidosa” entre outros significados relacionados, de acordo com o dicionádio Priberam. Em francês o termo é “folie” e em italiano é “follia” e em ambas as línguas tem o significado de “loucura”.

  6. Klaus do Iate 23 de Fevereiro de 2014 at 15:30 - Reply

    A justificativa de ser estabelishment ser brando com as transgressões era que: todos estavam com o espírito de Dioniso (etanol) animando seus corpos (entusiasmo – ter um deus dentro em grego) ,enquanto seus espíritos estavam numa boa fora de seus corpos (Êxtase -estar fora em grego). Como punir corpo de alguem se era um deus poderoso que estava no controle? Voce puniria um deus por ele ter feito alguma molecagem? Isentar de responsabilidade os bêbados não era a única explicação dos antigos. A mente pragamatica romana tb era capaz de tecer outra explicação: dizendo que no vinho estava a verdade (in uino, ueritas).

  7. bia 24 de Fevereiro de 2014 at 9:39 - Reply

    gosti

  8. bia 24 de Fevereiro de 2014 at 9:40 - Reply

    bem historico

  9. bia 24 de Fevereiro de 2014 at 9:40 - Reply

    A “Deixa Falar” já apresentava o casal que empunhava a bandeira do grupo, conhecida como pavilhão. O mestre-sala e a porta-bandeira são remanescentes dos antigos ranchos, grupos anteriores à escola de samba. Essa tradição chegou a São Paulo no ano de 1935.

  10. angela valerim 24 de Fevereiro de 2014 at 23:40 - Reply

    Adorei, parabéns ….

  11. tielly paiva 12 de Março de 2014 at 13:57 - Reply

    gostei, mas teve um pequeno erro ele poderiam pegar as partes mais importantes.—— pois eu adorei ,ficou muito interessante.

  12. tielly paiva 12 de Março de 2014 at 14:00 - Reply

    muito interessante.

  13. Fernando 17 de Fevereiro de 2015 at 4:38 - Reply

    Excelente artigo. Sao artigos como estes que, na minha modesta opiniao, incentivam a leitura alem de completa informacao.
    Para mim que moro fora do Brasil, sempre encontrei dificuldades para explicar a origem do Carnaval. Pretendo traduzir essa materia para a lingua inglesa e divulga la.

  14. JOSE GERALDO 21 de Fevereiro de 2017 at 7:16 - Reply

    O CARNAVAL É UMA FESTA PAGÃ E TODOS QUE PARTICIPAM DELA DIRETA OU INDIRETAMENTE ESTÃO PRESTANDO CULTO A DEUSES FALSOS QUE NADA TRAZEM DE BENÇÃOS. TODOS QUE TRILHAM POR ESTE CAMINHO SÓ COLHEM INFORTÚNIOS E É UMA ABOMINAÇÃO AO VERDADEIRO DEUS CRIADOR DE TODAS AS COISAS.

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