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Filme: Ágora, de 2009

novembro 19th, 2013|Filmes|16 Comments


O filme Ágora se passa em Alexandria, Egito, que, no período de 355 d.C., se encontrava sob domínio do Império Romano. A  história gira em torno de Hipátia, grande filósofa grega e mostra também o cristianismo em seu início, com seus já conflitos com pagãos e a destruição da Biblioteca de Alexandria.

Capa do filme Ágora, de 2009

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Dados Técnicos

Diretor: Alejandro Amenába
Duração: 127 minutos
Ano: 2009
País: Espanha
Gênero: Drama
Cor: Colorido

Curiosidades

  • O filme teve alguns problemas jurídicos em alguns países, principalmente no Egito. O país alegava que o filme retratava insultos religiosos inaceitáveis. Instituições católicas também protestaram, alegando que o filme passava imagens negativas no cristianismo.
  • Irene A. Artemi, doutora em Teologia da Universidade de Atenas, afirma que “o filme – embora aparentemente não se volte contra a religião cristã,retrata os cristãos como fundamentalistas, obscurantistas, ignorantes e fanáticos”.
  • Ao contrário do que alguns imaginam, Hipátia não é um personagem fictício, não só existiu como também obteve significantes descobertas científicas, e é considerada a primeira mulher matemática da história.
  • O papel de Cirilo, Bispo e patriarca de Alexandria ainda é controverso entre os historiadores. Relatos indicam um religioso fanático, e que era capaz de fazer de tudo para defender sua fé. É apontado como mandante do assassinato de Hipátia.
  • Antonio Mampaso, astrofísico espanhol e um dos conselheiros científicos do filme, declarou em uma entrevista que nenhum trabalho de Hipátia sobreviveu , mas acredita-se que seus principais campos de estudo foram a geometria e astronomia.
  • A maior parte das locações do filme teve, como cenário, a Ilha de Malta.

16 Comments

  1. Klaus do Iate 19 de novembro de 2013 at 23:29 - Reply

    Antes de mais nada sou fã incondicional da Rachel Weiss, que além de boa atriz,está um pitel neste filme. O filme é um tanto longo, mas passa-se realmente uma imagem excessiva dos cristãos do Egito romano tardio serem uns fundamentalistas. O filme atribui a Hipatia uns conceitos que só Kepler tinha condições de alcançar (orbitas elípticas) graças aos dados minuciosos de Tycho Brae e lunetas renascentistas.

  2. Klaus do Iate 19 de novembro de 2013 at 23:37 - Reply

    Hipatia, historicamente, foi filha do matemático Theon e um dos últimos curadores do museu/biblioteca de Alexandria. Não se sabe se ela tomou o lugar do pai porque o Serapeum foi destruido pouco antes da morte dele. E Hpatia foi assassinada bem depois disto. Theon não era um sábio grego nascido no Egito usual. Ao contrario dos sábios greco-romanos, queria unir teoria com prática.
    O pensamento da época (e isto nada tem haver com a ascenção do cristianismo) dizia que os únicos trabalhos dignos eram comandar exercitos, escravos e administrar terra agricola. Os sábios então se dedicavam a Filosofia ( e no seculo Hipatia isto era basicamente Metafísica) , Retórica, Poesia (porque pintura, escultura e arquitetura com seu lado de maos a obra cheirava a trabalho manual e portanto também era desvalorizado). Conhecimentos práticos vitais, como Medicina e Ensino, eram feitos por escravos! Somente Engenharia militar era considerado digno de elite. Theon também contrariou outro padrao da época: Educou sua filha com grande esmero.

  3. Klaus do Iate 19 de novembro de 2013 at 23:42 - Reply

    Hipatia foi convencida pelo pai a desenvolver densitometro e astrolábio que já existiam, mas ela também seguindo espirito da época se dedicava a trabalhos mais mentais como Metafísica, especialmente Neoplatonismo. Ela causava espanto a pagaos e crisãos por ser mulher, culta e professora. Ela , porem, ensinava e tinha alunos cristãos, judeus e neoplatônicos todos eles a elogiavam.

  4. Klaus do Iate 19 de novembro de 2013 at 23:51 - Reply

    O motivo de seu assassinato foi que ela foi pega no fogo cruzado da disputa por poder temporal em Alexandria entre Kirilo, o bispo da cidade e Orestes, o prefeito da cidade, que era amigo de Hipatia. Hipatia defendia publicamente o amigo dizendo que religiosos (de qualquer religião) não deviam se meter em política. Seguidores do bispo, a principio, não a mando dele, a lincharam com requinte de crueldade, lembrando a explicação oficial do ataque a Lacerda na rua Toneleros na nossa Historia do Brasil em anos 50 . O governo central (imperadores da metade oriental desde Teodosius I) já tinha ficado, pelo menos omissos, em todos os ataques que fana´ticos cristãos tinham feito a pagãos em Alexandria. O Serapeum, templo de Serápis que abrigava a maior parte do acervo da biblioteca já tinha sido atacado bem antes do assassinato. Mas Kirilus era realmente abusado. O imperador Teodosius II o chamava de “orgulhoso faraó”. As unhas dos abusados bispos de Alexandria só seriam cortadas no Concilio de Calcedonia depois da morte de Hipatia.

  5. Klaus do Iate 19 de novembro de 2013 at 23:53 - Reply

    Todo este bla-bla-bla de Hipatia como mártir da Ciencia contra a malvada Igreja católica, ser tomada como um Giordano Bruno de saias, ganhou muita força quando o famoso astrônomo e divulgador de Ciência para as massas, Carl Sagan, garantiu que estaríamos já viajando para outros sistemas solares se não fosse o que os cristãos fizeram a Biblioteca e a Hipatia.

  6. Klaus do Iate 19 de novembro de 2013 at 23:56 - Reply

    Realmente o acervo da Biblioteca de Alexandria era incrível, graças a uma lei dos reis Ptolomeus (antes do governo romano, portanto) de que qualquer portador de livros que passasse pela cidade deveria ceder uma cópia para a biblioteca que funcionava no templo do deus helenistico (greco-egipcio) da fertilidade agricola Serápis.

  7. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:02 - Reply

    Mas importantes bibliotecas também funcionavam pelo menos em Atenas e Pergamo e que nenhum conhecimento vital para navegarmos no espaço teria sido perdido. Além disso, o acervo da Biblioteca sofreu diversos “ataques”
    1) Um incendio provocado sem querer quando Cesar enfrentou vitoriosamente o irmaozinho da Cleopatra (este foi o que causou mais dano)
    2) Outro durante as guerras civis romanas no seculo III
    3) Um tsunami que varreu Alexandria no seculo IV
    4) O ataque dos cristãos inimigos de Theon e Hipatia
    5) A conquista islâmica do Egito em 642dC pelo general Amir. Este dano parece ser o mais fajuto, só é citado por fontes cristãs bem posteriores. Segundo elas, Amir teria dito: ” Se o que está escrito nos textos de Alexandria forem diferentes do que está no Koran , merecem ser queimados. Se o que está neles é igual ao Koran, para que eles servem, queime-os também.”

  8. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:04 - Reply

    A ala do templo de Serapis ( o Serapeum) dedicado as deusas chamadas de Musas (Museum) era o que funcionava como Biblioteca. Daí o termo museu como usamos hoje.

  9. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:11 - Reply

    Hipatia foi morta em 412 ou 416. O concílio de Calcedônia que esmagou o poder político dos bispos de Alexandria ocorreu em 451 e não tem relação com a morte da professora. O Concílio declarou a escola teologica egipcia – o monofisitismo- como herética. O monofisitismo, que carregava ao maximo o lado Deus de Jesus, o viam como um Faraó e sua mãe praticamente como uma semideusa, muito parecida com Ísis. Mesmo com a condenação, o monosifitismo prosperou pelo Egito , Síria, Núbia, Etiópia até a vinda do Islam.

  10. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:15 - Reply

    Muito da veneração à Maria, que permanece no catolicismo romano e grego atuais, é influência direta destes bispos de Alexandria. Teriam um deles, Kirilus, mandado linchar tão terrivelmente uma mulher dentro de uma Igreja em uma época que seu poder não era tão consolidado???

  11. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:18 - Reply

    O grupo mais diretamente ligado ao cruel assassinato, eram monges que moravam juntos no deserto, um protótipo dos mosteiros medievais, como do filme O Nome da Rosa. Todos parecem ser conversos recentes ao cristianismo e ligados anteriormente ao preparo de mortos para mumificação, prática abolida pelo cristianismo, mas que era bem popular entre a elite do Egito romano pre-cristão.

  12. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:27 - Reply

    Usar Hipatia como uma martir do feminismo parece mais lógico, mas não como uma ma´rtir da “misoginia cristã”. Esta se desenvolveria mais tarde. Nesta época, uma família cristianizada tratava muito melhor suas mulheres que as famílias que seguiam a religião romana tradicional. O cristianismo era tido como “a religião dos escravos e mulheres” até Constantinus mais ou menos 100 anos antes da morte de Hipatia. Na época de Hipatia, uma viúva cristã podia dispor de seus bens à Igreja e não deixar coisa alguma a herdeiros de família. Mulheres podiam adquirir uma vida pública “independente”, desde que se engajasse em uma espécie de versão Vestal cristã, ancestral dos conventos, abdicando, a principio, de vida sexual. Uma brecha estreita, porem uma opção para quem não queria ser mandada por pai, marido ou filho.

  13. Klaus do Iate 20 de novembro de 2013 at 0:33 - Reply

    Na época de Hipatia, a elite do império estava careca de saber que a Terra era redonda por estudiosos da Biblioteca (Eratostenes). Um sistema heliocentrico já havia sido levantado por Aristarco de Samos, mas foi ridicularizado por Aristoteles. Estudiosos da Biblioteca adotaram o sistema geocêntrico, mas não deixaram de citar os trabalhos de Aristarco, em seus resumoes de Astronomia. Também estudiosos da Biblioteca trabalharam resumoes de Geometria a partir de Euclides. Hipatia chegou a comentar por escrito sobre Geometria Euclidiana. É por isto que ela figura na famosa pintura do renascentista Rafael, Escola de Atenas, que é um baita anacronismo, pois todo mundo está lá juntinho , na mesma cena de Socrates a ela.

  14. Klaus do Iate 2 de dezembro de 2013 at 6:44 - Reply

    Hipatia morreu quarentona no minimo,naquela epoca ela certamente nao seria gatona, como Rachel Weiss no filme ou nas pinturas neoclassicistas (vale a pena procurar na net) . Acho que isto na epoca já era para despertar mais sentimento de raiva ainda contra a Igreja Catolica e hoje do Islam (os paralelos no filme Agora entre os assassinos de Hipatia e os fundamentalistas islamicos atuais sao propositais, desde roupas até discurso).

  15. Klaus do Iate 2 de dezembro de 2013 at 6:47 - Reply

    Tambem sou fa incondicional de Hipatia , mesmo despindo-a de todos os atributos inventados pra tornar sua historia mais cativante.

  16. Klaus do Iate 2 de dezembro de 2013 at 6:51 - Reply

    Continuar a ser intelectual, ativista politica e ensinando homens sem ser freira naquele ambiente tao turbulento como a Alexandria cristã já é motivo sufuciente pra mim.

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