Questão: Construção de Tiradentes

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Na prova do Enem 2010, tente resolver esta questão sobre a construção da ideia de Tiradentes como um herói, o que somente ocorreu a partir da Proclamação da República. Esta construção dessa imagem passa também pela representação artística do líder dos inconfidentes. A resolução está logo abaixo da questão, com comentários e habilidades cobradas na prova.

Pintura de Tiradentes esquartejado, feita por Pedro Américo

Para ter mais informações sobre este exame nacional, fique atualizado nas notícias sobre o Enem.

Questão

Questão 20:

I – Para consolidar-se como governo, a República precisava eliminar as arestas, conciliar-se com o passado monarquista, incorporar distintas vertentes do republicanismo. Tiradentes não deveria ser visto como herói republicano radical, mas sim como herói cívico-religioso, como mártir, integrador, portador da imagem do povo inteiro.
CARVALHO, J. M. C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

I – Ei-lo, o gigante da praça, / O Cristo da multidão! É Tiradentes quem passa / Deixem passar o Titão.

ALVES, C. Gonzaga ou a revolução de Minas. In: CARVALHO. J. M. C. A formação das almas: O imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

a República brasileira, nos seus primórdios, precisava constituir uma figura heroica capaz de congregar diferenças e sustentar simbolicamente o novo regime. Optando pela figura de Tiradentes, deixou de lado figuras como Frei Caneca ou Bento Gonçalves. A transformação do inconfidente em herói nacional evidencia que o esforço de construção de um simbolismo por parte da República estava relacionado

a) ao caráter nacionalista e republicano da Inconfidência, evidenciado nas ideias e na atuação de Tiradentes.
b) à identificação da Conjuração Mineira como o movimento precursor do positivismo brasileiro.
c) ao fato de a proclamação da República ter sido um movimento de poucas raízes populares, que precisava de legitimação.
d) à semelhança física entre Tiradentes e Jesus, que proporcionaria, a um povo católico como o brasileiro, uma fácil identificação.
e) ao fato de Frei Caneca e Bento Gonçalves terem liderado movimentos separatistas no Nordeste e no Sul do país.

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Resposta: C

Habilidade: Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social.

Comentários: A alternativa C vai ao encontro do texto de José Murilo Carvalho. Quando a república foi proclamada, fez-se necessário a criação de um herói nacional, para compensar a falta de participação popular neste processo.

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By | 2016-04-22T09:03:17+00:00 2 de Março de 2012|Categories: Questões|Tags: , , , , , |12 Comments

About the Author:

Professor, historiador e blogueiro, já trabalhei em algumas das maiores escolas públicas e particulares de Santa Catarina. Comecei a lecionar em 2001, sempre preocupado com um ensino caracterizado pela criatividade e inserção de novas tecnologias e metodologias variadas em sala de aula.

12 Comments

  1. Neitan Gomes 13 de Março de 2012 at 22:20

    Muito boa essa questão, os anos de Ens. Médio te induzem a marcar (d), porém analisando mais profundamente você chega à alternativa correta. A Inconfidência Mineira é bastante confundida como um movimento republicano ou popular juntamente com a Proclamação da República, no entanto são totalmente o contrário.

  2. Michel Goulart 14 de Março de 2012 at 8:30

    Na verdade, a semelhança de Tiradentes com Jesus não existiu, considerando que Tiradentes também era alferes e, provavelmente, careca ou com pouco cabelo. Este fato é discutido em 15 curiosidades sobre Tiradentes.

  3. Neitan Gomes 14 de Março de 2012 at 21:35

    Realmente, é só mais umas das idealizações de Pedro Américo.

  4. klaus do iate 22 de Março de 2012 at 7:17

    Pedro Americo era contratado para idealizar ou era coisa que surgia espontaneamente de um patriotismo genuinamente dele?

  5. Michel Goulart 22 de Março de 2012 at 8:13

    Negócios são negócios!

  6. Claudenilson 22 de Abril de 2012 at 12:44

    Trata-se de momentos bem distintos, contudo de intenções também distintas. A República faz um resgate da figura de Tiradentes, sendo esta forte representação da História do país. Os repúblicamos precisavam de uma figura que falasse diretamente ao povo, no intuito de convencer as massas de que a República era o melhor para o país. Visto que neste processo de transformação política não encontrou-se o apoio das massas populares.

  7. Michel Goulart 23 de Abril de 2012 at 8:13

    Claudenilson, a “cristianização” de Tiradentes é exemplo da massificação de um ídolo.

  8. Klaus do Iate 22 de Abril de 2015 at 11:46

    O Tiradentes cabeludo e barbudo é uma possibilidade já que ficou um bom tempo na prisão.
    Os mitos mais graves são outros:
    Um movimento integrado por poetas,latifundiários, médicos e generais, possivelmente todos maçons, bem elitista iria ser liderado por um quase sargento??
    Outra: o movimento tinha objetivos grandiosos demais para seus meios (independência , republica, abolição da escravidão em uma tacada só). Se foi isto mesmo estaria fadado ao fracasso. Mas fácil pensar em algo, na realidade, de âmbito bem regional (só MG??) quase um caudilhismo e todos estes objetivos terem sido acrescentados a posteriori pelos ideologos da Republica de 1889.

  9. Klaus do Iate 22 de Abril de 2015 at 11:48

    E há os mitos modernos como o que rola na internet afirmando que: nem o Tiradentes foi executado de verdade. Joaquim José estaria bem vivinho em Portugal até pelo menos a fuga da familia real para Brasil.

  10. Klaus do Iate 22 de Abril de 2015 at 11:50

    Nesta história toda da Conjuração mineira, fico mais espantado é com o encaixe uma outra conjuração independentista.
    Ben Frankilin discursando em um dos “congressos continentais” aos representantes de colonias hesitantes:
    ” Atamo-nos todos juntos, uns aos outros, para que não sejamos atados pelo pescoço separadamente”

  11. Klaus do Iate 22 de Abril de 2015 at 11:53

    O mais “justo” talvez fosse festejarmos com feriados nacional a Conjuração Baiana que teve muito mais participação popular e, por isto mesmo, esteve mais próxima de alcançar seus objetivos e deu muito mais trabalho para as forças metropolitanas esmagarem.
    Mas novamente era muito fim para pouco meio.
    Diria que na Conjura baiana faltou grana e na Mineira faltou gente.

  12. Klaus do Iate 22 de Abril de 2015 at 11:55

    Mas de fato temos que agradecer todo 7set a “quatro santos”: Napoleão I, João VI, José Bonifácio e ao almirante inglês Cochrane.

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