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Questão: Diferenças de Índios e Europeus

agosto 15th, 2012|Questões|11 Comments


Na prova do Enem 2011, tente resolver esta questão sobre a forma como indígenas e europeus viam a extração de pau-brasil, o que evidencia a diferença entre as duas culturas. A resolução está logo abaixo da questão, com comentários e habilidades cobradas na prova.

Para ter mais informações sobre este exame nacional, fique atualizado nas notícias sobre o Enem.

Esta questão trata do Descobrimento do Brasil e do infame comércio intercontinental de pau-brasil, nos primeiros anos de exploração do território brasileiro. Para conhecer os pormenores desta exploração e como ela ocorreu, sugerimos a leitura do resumo sobre o Descobrimento do Brasil.

Questão

Questão 30

Em geral, os nossos tupinambá ficam bem admirados ao ver os franceses e os outros dos países longínquos terem tanto trabalho para buscar o seu arabotã, isto é, pau-brasil. Houve uma vez um ancião da tribo que me fez esta pergunta: “Por que vindes vós outros, mairs e perós (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra?”
(LÉRY, J. Viagem à Terra do Brasil. In: FERNANDES, F. Mudanças Sociais no Brasil. São Paulo: Difel, 1974)

O viajante francês Jean de Léry (1534-1611) reproduz um diálogo travado, em 1557, com um ancião tupinambá, o qual demonstra uma diferença entre a sociedade europeia e a indígena no sentido

a) do destino dado ao produto do trabalho nos seus sistemas culturais.
b) da preocupação com a preservação dos recursos ambientais.
c) do interesse de ambas em uma exploração comercial mais lucrativa do pau-brasil.
d) da curiosidade, reverência e abertura cultural recíprocas.
e) da preocupação com o armazenamento de madeira para os períodos de inverno.

[toggle title=”Confira a resolução ;)”]

Resposta: A

Habilidade: Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.

Comentários: A questão pode ser resolvida facilmente através da interpretação. Enquanto o índio via a madeira como fonte de lenha, o europeu via como fonte de matéria-prima, utilizada como tinta. Fique atento que, na época, não havia uma preocupação ambiental na atividade, assim como também havia abertura cultural. Leia o resumo sobre o Descobrimento do Brasil.

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11 Comments

  1. Klaus do Iate 15 de agosto de 2012 at 11:27 - Reply

    A continuação desta diálogo ddo mair (francês) Jean de Lery com o velho tupinambá também é ótimo para vislumbrar como os dois mundos pensavam. O francês explica que usam o arabutan como fonte de tinta e nao de calor. E que negociantes europeus eram donos de montanhas de facas , tesouras, vidros, trecidos e outras coisas desejadas pelos tupinambás e que só um deles já estaria interessado em uma nau cheia de arabutan.
    -Que maravilha! Mas estes homens não morrem? – pergunta o tupinambá
    – Claro que morrem – respondeu Jean
    – E para quem fica a riqueza acumulada por eles?
    – Para seus filhos ou ,sem eles, para outros parentes.
    – Vocês, maires, são loucos! Sofrem para chegar aqui como voces mesmo nos contam para acumular riquezas para gente que morrem depois de vocês. Também amamos nossos parentes ,mas temos certeza que a terra que nos nutriu também nutrirá eles, por isso descansamos tranquilos

    • Michel Goulart 15 de agosto de 2012 at 13:51 - Reply

      Hahaha, genial. Isso é mais filosofia do que Platão e Aristóteles!

  2. Klaus do Iate 15 de agosto de 2012 at 11:33 - Reply

    certamente a vinda do metal e da arma de fogo faciliitou muito a vida do indio que os tivessem obtido do europeu em troca de grandes quantidades de um pau ” inútil”.
    Nao podemos ser anacronicos, o pensamento ecologico é algo recente. O tupi via a Mata Atlantica, como um inferno verde tb. Uma mãe que nutria “quem merecesse”. Por isto o tupi fala que “maravilha”. Note que o tupi tb tinha uma ideia como da Biblia que a Terra estava ai para ser domada e usada e que sua capacidade era ilimitada e daí a certeza do sustento dos descendentes. Uma tranquilidade quanto ao futuro que nao podemos ter hoje dado o grau de aporpriação dos recursos naturais que temos que fazer para manter nosso padrão de vida atual.

  3. Klaus do Iate 15 de agosto de 2012 at 11:38 - Reply

    A adoção da tecnologia e da cultura europeia, pelo menos parcial era questão de vida ou morte. Na America era melhor ser tribo aliada do bandeirante que ser sua presa. Na Africa, reinos brilharam e povos se beneficiaram com o comercio de gente e a segurança da arma de fogo e , claro a coisa virava um ciclo vicioso, porque um rei africano com mais armas de fogo capturava e vendia mais gente e portanto tinha condições de comprar mais armas de fogo. As geurras tribais maoris (Nova Zelandia) sempre existiram, mas depois do contato com europeu, quem nao adotasse batata e polvora teria sua milenar tribo extinta em dias.

  4. Klaus do Iate 15 de agosto de 2012 at 11:47 - Reply

    Portanto quem INICIA o fim da Mata Atlantica foi o prorpio nativo do Pindorama-Brasil, a colonizacao so viria 30 anos depois do contato.Como vcs lembram o bioma da Amazonia e da Mata Atlantica típicos do clima equatorial/tropical sempre umido tem grnade diversidade de especie por area e poucos exemplares da mesma espcie por unidade de area. Quantas “arvores inocentes” não eram derrubadas para capturar um tronco de arabutan? Não há e nunca existiu esta do indio amigo da natureza. Se a coivara nao desgraçava a mata Atlantica era unicamente porque os indios eram poucos para isto e Mata era grande. Claro que a coisa piora com a sobrevivencia de mais gente e pela mudança de enfoque de retirar mais que para subsistencia.

  5. Klaus do Iate 15 de agosto de 2012 at 11:56 - Reply

    A necessidade de adoção de cracteristicas europeias pelo nativo americano tem sua contrapartida. Os europeus precisavam do nativo, não só como guia ou para avisar se algo era vennoso, não só como mao-de-obra barata vencida e escravizada, mas como parceiro no poder! Haveria portugueses suficientes no mundo para controlar o Brasil? Mesmo com a adoção da poligamia com as nativas, os filhos mestiços e os aliados tinham que ser bem tratados. O segundo Martim Afonso de Souza era o proprio Araribóia que se tornou um latifundiario. O europeu nao era idiota e sabia que mais perigoso que o selvagem era o europeu rival. Houve sem duvida um processo de cooptação de nativos para compor a nova elite, controladora da colonia e fiel.
    Temos parar de acreditar no maniqueismo europeu demoniaco- nativo vitima inocente. Se algo ocorreu, houve uma oferta e houve uma procura não só imposição violenta o tempo todo. A expansão vitoriosa de Roma foi 50% legioes 50% diplomacia, Roma vendia o tempo inteiro a imagem de protetora das aristocracias.

  6. clara 12 de agosto de 2013 at 21:22 - Reply

    uu chato

  7. Klaus do Iate 23 de Abril de 2014 at 0:52 - Reply

    O papel do historiador é lembrar o que todo mundo esquece. Neste sentido ele é um chato necessário.

  8. Miguel 13 de Abril de 2015 at 12:25 - Reply

    Por causa Desse mapa passei pro Sexto ano !!! 🙂

  9. Miguel 13 de Abril de 2015 at 12:26 - Reply

    🙂 Muito obrigado
    🙂
    🙂
    🙂
    🙂
    🙂
    🙂
    🙂
    🙂
    🙂

  10. Miguel 13 de Abril de 2015 at 12:26 - Reply

    🙁 🙂

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