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Resumo: Guerra Fria

setembro 15th, 2009|Resumos|1 Comment


Neste resumo, você vai conhecer a Guerra Fria, a polarização do mundo entre Estados Unidos e União Soviética, a competição entre estes dois países e seus desdobramentos. Ao terminar de ler o conteúdo, faça o quiz e teste seus conhecimentos.

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Antecedentes

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa estava praticamente destruída, assim como o orgulho japonês. Os Estados Unidos, por outro lado, saíram vitoriosos e ainda mais ricos. A União Soviética, por sua vez, perdeu muito com a guerra, mas saiu forte do conflito. O imenso território, população incansável e os recursos naturais permitiram-na resistir e derrotar a poderosa máquina de guerra alemã.

Terminada a guerra, o mundo se dividiu em torno dos dois grandes vencedores: deu um lado, os Estados Unidos, representando o sistema capitalista; de outro, a União Soviética, representando o sistema socialista ou comunista. Assim, a Guerra Fria foi a disputa por áreas de influência entre Estados Unidos e União Soviética, cada um deles defendendo seus próprios interesses. A guerra foi “fria” pois não houve conflito militar direto entre as duas potências.

Em 1946, Winston Churchill fez um famoso discurso nos Estados Unidos, usando a expressão Cortina de Ferro, para se referir à influência da União Soviética sobre os países socialistas do leste europeu.

As disputas econômicas

Sob a inspiração dos Estados Unidos, foi criado o Plano Marshall, em 1947. Este plano consistiu em um vasto programa de ajuda econômica aos países europeus capitalistas devastados pela guerra. O plano previa a reconstrução dos países devastados; a reorganização econômica dos países europeus capitalistas; e a recuperação econômica da Europa ocidental, visando conter o avanço do socialismo.

O Plano Marshall garantiu o aumento das exportações norte-americanas. Ainda sob inspiração dos Estados Unidos, foi criada uma aliança político-militar, chamada Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN. No bloco socialista, foi criado o Conselho de Assistência Econômica Mútua (COMECON), em 1949, uma ajuda aos países socialistas devastados pela guerra. Foi criado, também, o Pacto de Varsóvia, aliança de países socialistas.

Como principal instrumento de espionagem, os Estados Unidos criaram a Agência Central de Inteligência (CIA). Os soviéticos tinham a KGB, para montar esquemas de espionagem.

A divisão da Alemanha

Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha, derrotada, foi dividida em duas áreas de ocupação entre os países vencedores. A República Democrática da Alemanha, com capital em Berlim, ficou sendo zona de influência da União Soviética e, portanto, socialista.

Por sua vez, a República Federal da Alemanha, com capital em Bonn, ficou sob a influência dos Estados Unidos e, portanto, capitalista. Berlim foi dividida entre as quatro forças que venceram a guerra: União Soviética, Estados Unidos, França e Inglaterra. Havia, por isso, grandes rivalidades naquela cidade.

Por este motivo, em 1961, foi levantado o Muro de Berlim, para dividir a cidade em duas partes: uma capitalista e outra socialista.

O macarthismo

Durante a década de 1950, o senador americano Joseph McCarthy ficou conhecido por defender o que ficou conhecido como macarthismo, ou seja, a perseguição de pessoas suspeitas de defender ideias socialistas. O senador chegou a demitir funcionários de instituições governamentais, sob pretexto de proteger o país dos comunistas, numa acirrada “caça às bruxas”.

Segundo McCarthy, os Estados Unidos estavam infestados de espiões soviéticos. Muitos acabaram sendo perseguidos, expulsos do país ou mesmo condenados à morte. As atividades de espionagem, no período em que durou a Guerra Fria – especialmente entre as décadas de 1950 e 1970 –, eram frenéticas e envolviam milhares de pessoas no mundo inteiro.

Vale ressaltar que, na União Soviética, também houve forte repressão. O Partido Comunista e seus integrantes perseguiam, prendiam e até executavam aqueles que não seguiam as regras estabelecidas pelo governo.

A corrida armamentista

Terminada a Segunda Guerra Mundial, as duas potências vencedoras dispunham de uma enorme variedade de armas, muitas delas desenvolvidas durante o conflito. No entanto, a grande novidade eram as chamadas armas não convencionais, difíceis de construir, caras e poderosas. A principal delas era a bomba atômica.

A União Soviética iniciou, então, seu programa de pesquisas para também construir a bomba atômica, o que conseguiu em poucos anos. Anos depois, foi construída a bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Neste sentido, criou-se uma corrida armamentista, pois cada um dos países temia que o seu inimigo tivesse armas mais poderosas, criando, assim, uma situação de desequilíbrio e possível derrota na guerra.

A corrida atingiu tais proporções que, já na década de 1960, as duas potências tinham armas suficientes para vencer qualquer país do mundo.

A corrida espacial

Os Estados Unidos e a União Soviética travaram uma disputa muito grande em relação aos avanços espaciais. Houve, assim, uma corrida espacial para tentar atingir objetivos significativos nesta área. Podemos dizer que esta corrida ocorreu devido à disputa entre as duas potências, uma tentativa de mostrar ao mundo qual era o sistema mais avançado.

No ano de 1957, a União Soviética lançou o Sputnik, o primeiro satélite artificial no espaço. Em 1961, os soviéticos lançaram o primeiro homem ao espaço. Seu nome era Yuri Gagarin. Até este momento, a União Soviética dominava a corrida espacial graças ao grande investimento feito em seu programa espacial. Os soviéticos almejavam chegar à Lua, mas, neste ponto, os Estados Unidos seriam os pioneiros.

Assim, em 1969, a expedição Apollo 11, financiada pelos Estados Unidos, conseguiu levar o homem à lua. Neil Armstrong e Edwin Aldrin foram os primeiros a caminhar sobre o solo lunar.

A Guerra da Coreia

A Guerra da Coreia começou em 1950 e terminou em 1953. O final da Segunda Guerra teve dois desdobramentos na Coreia. Primeiramente, com a derrota do Japão, os coreanos se viram livres do domínio japonês. Em segundo lugar, com a Revolução Chinesa de 1949 – que instituiu o socialismo naquele país –, a Coreia foi pressionada a adotar o regime socialista em todo o seu território.

Assim, a Coreia do Norte tornou-se comunista, com apoio da União Soviética e da China; e, a Coreia do Sul, capitalista, com apoio dos Estados Unidos e outros países ocidentais. Em 1950, os comunistas do Norte invadiram o Sul, tentando unificar o país, tornando-o todo comunista. Os Estados Unidos foram em socorro da Coreia do Sul. A China, por sua vez, entrou na guerra ao lado dos norte-coreanos.

Depois de três anos de guerra, a ONU conseguiu estabelecer uma trégua. A Coreia voltou a ficar dividida em dois países, situação que dura até hoje.

A Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã foi um conflito armado que ocorreu entre 1959 e 1975. O Vietnã, no fim da década de 1950, foi dividido em dois países. O Vietnã do Norte era socialista; e, o Vietnã do Sul, capitalista. A relação entre os dois Vietnãs era tensa. Em 1959, os guerrilheiros comunistas vietcongues, com apoio de Ho Chi Minh – líder do Vietnã do Norte –, e dos soviéticos, atacaram uma base norte-americana no Vietnã do Sul.

Este fato deu início a guerra. Entre 1959 e 1964, o conflito foi apenas interno, e as potências apoiavam indiretamente. Porém, em 1964, os Estados Unidos resolveram entrar diretamente no conflito, enviando soldados e armamentos. A intervenção direta dos Estados Unidos foi um fracasso. Mesmo com tecnologia avançada, não conseguiam vencer a experiência dos vietcongues. Além disso, cresciam, no mundo inteiro, os protestos contra a guerra.

Sem apoio popular e com derrotas seguidas, em 1973, o governo norte-americano aceita o Acordo de Paris, que previa o cessar-fogo. Em 1975, ocorre a retirada total das tropas norte-americanas.

Os movimento sociais

A partir da década de 1950, a emergente sociedade de consumo ocidental passou a abarcar um novo mercado com o surgimento a cultura jovem. Inicialmente, esta cultura jovem esteve ligada ao fenômeno do rock’n roll que, apesar de chocante para os padrões morais da época, não era politicamente engajado.

A partir da década de 1960, a juventude se mostrou mais engajada e politizada. A guerra do Vietnã e os movimentos negros nos Estados Unidos motivaram os jovens a lutar pela transformação da sociedade. A segunda metade daquela década ficou marcada pela contracultura, fenômeno no qual o jovem passava a se conduzir de forma contrária aos valores estabelecidos pela sociedade.

Os movimentos de contracultura, como por exemplo o hippie, nasceram do desejo de uma felicidade individual, simples, distante da sociedade de consumo e do moralismo. Daí veio o culto à paz, harmonia e ao amor livre.

Os movimentos negros

À medida que cresciam os movimentos sociais que defendiam liberdade e igualdade, nos Estados Unidos houve várias manifestações em prol dos direitos civis dos negros. De certa forma, estas manifestações podem ser divididas em três: as radicais, representadas pelo grupo dos Panteras Negras; as pacifistas, lideradas por Martin Luther King; e as brandas, representadas pela Nação do Islã.

Na década de 1960, Martin Luther King liderou várias marchas de protesto e manifestações pacíficas em defesa dos direitos iguais entre brancos e negros e o fim da discriminação racial. Panteras Negras foi um grupo fundado em 1966, tendo como líderes Huey Newton e Bobby Seale. Eles defendiam o fornecimento de armas a todos os negros e a libertação dos negros das penitenciárias.

Enfim, a Nação do Islã, liderada por Malcolm X, foi uma vertente religiosa que praticava a luta política por meios legais, mas aceitava a violência para autoproteção. Além disso, recusava a igualdade racial.

Maio de 68

O Maio de 68 foi uma onda de protestos que teve início com manifestações estudantis para pedir reformas educacionais. O movimento evoluiu para uma greve que ameaçou o governo de Charles De Gaulle, presidente da França. Tudo começou com uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris. No dia 02 de maio de 1968, a administração decidiu fechar a universidade e ameaçou expulsar vários estudantes.

As medidas provocaram a reação imediata dos alunos da Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu os estudantes, mas a reação brutal do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês anunciou seu apoio aos universitários e foi convocada uma greve geral para o dia 13 de maio.

Assim, quase dois terços da força de trabalho do país cruzaram os braços. Através de manobra política, o governo de De Gaulle acabou contornando a crise, mas o movimento francês influenciou vários outros mundo afora.

O fim da Guerra Fria

No decorrer dos anos, o socialismo foi entrando em crise, devido a falta de democracia e atrasos econômicos. Um dos reflexos desta crise foi a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a reunificação das duas Alemanhas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, começou a acelerar o fim do socialismo, através de reformas econômicas, acordos com os Estados Unidos e mudanças políticas.

Em seu governo, Gorbatchev empreendeu duas medidas: a perestroika, que visava modernizar a economia russa; e a glasnost, que tinha como objetivo diminuir a intromissão do governo na sociedade. Estas medidas, de certa forma, representavam a tentativa de dar sobrevida a um sistema em colapso. Porém, não foi possível. Em 1991, o socialismo chegou ao fim na União Soviética.

Com isso, a Guerra Fria chegou ao fim e o capitalismo, vitorioso, foi aos poucos sendo adotado nas antigas repúblicas socialistas do leste europeu.

One Comment

  1. Cristine 12 de outubro de 2014 at 22:38 - Reply

    Oi Michel, gosto muito dos seus resumos e sempre indico seu site aos meus alunos. Mas porque não podemos mais baixar alguns resumo direto pelo slideshare? este da Guerra Fria não encontrei no seu perfil do slide, uma pena, era tão bom baixar o arquivo hehehe. Muito sucesso. Abraço.

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