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O mecanismo anti-chute do Enem

setembro 4th, 2009|Vestibulares|19 Comments


Canditado resolvendo prova

Muito se tem falado do polêmico e temido Mecanismo Anti-Chute na prova do Enem. Prometido pelo INEP, este mecanismo promete fazer um diagnóstico se o candidato está ou não chutando as respostas. E como o INEP pretende fazer isto? Utilizando a Teoria da Resposta ao Item. Desta forma, o candidato que acerta as mais difíceis, consequentemente deve acertar as mais fáceis. Se acertar as difíceis e errar as fáceis, foi chute.

Questão fácil pra quem?

Em uma aula recente que dei sobre o novo Enem, falei a respeito da Teoria da Resposta ao Item. Pra quem não está antenado, o INEP vai dividir as 180 questões em diferentes graus de dificuldade: Fácil (25%), Médio (50%) e Difícil (25%).

Adverti aos alunos que a interpretação da dificuldade da questão não depende deles, e sim do INEP, e o que eles podem considerar uma questão de nível fácil, é na verdade, considerada difícil. E isto pode surpreender muito no resultado final.

Chutar pode, mas não muito…

Recentemente, o G1 fez uma entrevista com Heliton Tavares, diretor de Avaliação da Educação Básica do INEP. Esta entrevista foi, no mínimo, curiosa, pois quando o jornalista perguntou se o candidato deve chutar ou deixar uma questão em branco, Tavares defendeu o chute.

É melhor chutar uma resposta qualquer ou deixar a questão em branco?
Sim, é melhor chutar. Ao marcar uma resposta, o candidato tem mais uma chance de acertar. Então, o Inep recomenda que o candidato não deixe questões em branco. Apesar disso, o chute deve ser moderado. E, para ter mais chances, o candidato deve analisar as alternativas e eliminar as mais improváveis de estarem corretas.

Foto de Heliton Tavares, presidente do INEP

Leia a entrevista completa. Vejam que Tavares defendeu o chute, e depois tentou consertar, dizendo que ele deve ser moderado. Ora, afinal pode chutar ou não pode? Creio que ele foi infeliz nesta resposta e, provavelmente, entregou o jogo. Mecanismo anti-chute, provavelmente, não existe!

A César o que é de César…

Vejamos por que o talvez o mecanismo anti-chute seja um grande mito do INEP.

Se o candidato acertar uma questão difícil e deixar uma fácil em branco, ele mantém alta pontuação pelo grau de dificuldade da questão. Todavia, se o mesmo candidato acertar uma questão difícil e chutar incorretamente uma questão fácil correlata, vai se prejudicar pelo tal mecanismo anti-chute.

Agora convenhamos, Tavares não teria coragem de sugerir o chute, se não soubesse que, na verdade, ele é irrelevante na nota final.

Além disso, o mecanismo anti-chute é baseado em subjetividades, não tem um cálculo preciso. É bem provável que não seja possível aplicá-lo, em questões objetivas, sem gerar polêmicas mil. Será que o INEP vai arriscar pôr em risco a legitimidade de uma prova que promete ser única em todo o país? Eu não creio.

Técnicas do Chute?

E na contramão do sistema, vou postar um vídeo sobre técnicas para chutar no Enem. Opa, acho que estou sendo subversivo demais 😛

[youtube id=”WSUDXGoiDmM” width=”600″ height=”350″]

19 Comments

  1. EAD/JOYCE 4 de setembro de 2009 at 11:45 - Reply

    Penso que provas objetivas não são de muito valor mesmo.

  2. EAD/JOYCE 4 de setembro de 2009 at 11:47 - Reply

    Eu, de novo. Vc não foi convidado p/ participar da comunidade do Filósofo ghiraldelli/ me avise, se vc quiser, já estou lá e teconvido, só vou precisar do email.bjs

  3. Prof_Michel 4 de setembro de 2009 at 11:49 - Reply

    Oi, Joyce, acho que as provas com questões objetivas têm o seu valor, quando bem elaboradas. Sobre a comunidade, me passe o endereço e dou uma olhada. Um grande beijo

  4. EAD/JOYCE 4 de setembro de 2009 at 12:40 - Reply

    http://ghiraldelli.ning.com/profile/PauloGhiraldelliJr
    Oi, estava rindo de mim, é? Eu já sou membro há tempo, mas agora ele abriu p/ a comunidade. Acho legal pq o ghiraldelli é muito acessível e discute temas atuais. Enfim, olhe lá. bjs

  5. Sabia 4 de setembro de 2009 at 19:34 - Reply

    Eu defendo o "chute" pois, deixando uma questão em branco vc demonstra que nao sabe NADA mesmo!

    Chutando, as vezes o aluno pensa em qual questão vai chutar, e pensando, ele vai na mais obvia ou que ele imagina ser a certa!

    isso ja é uma evolução muito maior do que o "branco", só que o unico problema é que tem ignorantes que vão la e chutam pq nao sabem, sem nem ler para pensar… só chuta 😀

  6. Geraldo 5 de setembro de 2009 at 12:18 - Reply

    Os chutes serão do pessoal que prevê o mecanismo anti-chute.

    Abraço

  7. Dayana Hashim 6 de setembro de 2009 at 15:31 - Reply

    Ainda não acredito que esse mecanismo realmente funcione, pelos mesmos motivos que vc já citou, e por também defender o chute no caso de incerteza. Como Sabia falou, o chute ainda é melhor do que questão em branco, porque demonstra que o aluno tem pelo menos o conhecimento mínimo necessário para decidir entre uma resposta ou outra.
    Quanto aos ignorantes que abusam desse direito, infelizmente eles sempre existirão, seja onde for ¬¬

  8. Prof_Michel 7 de setembro de 2009 at 19:29 - Reply

    Dá para perceber que este mecanismo anti-chute ainda vai dar no que falar.

  9. douglas isidro 11 de novembro de 2009 at 14:08 - Reply

    mas as veses esse chute ajuda muito.mas nao eta correto

  10. Luiz Eduardo Bilesimo 17 de novembro de 2009 at 20:03 - Reply

    Eu sei um modo anti-chute! Faz aquela pessoa estuda e ficar tudo na cabeça dai na hora vai sabe e não vai chuta. HAHSHAHS

  11. Igor Fontana 20 de novembro de 2009 at 16:52 - Reply

    Grande Luiz Eduardo , você é um gênio •
    Eu acho que quando a pessoa fica ali pensando e não consegue de jeito nenhum , tenta a lógica ou se não chuta mesmo ;/

  12. Prof. jean Piton 29 de janeiro de 2010 at 10:15 - Reply

    Caro Prof Michel
    Muito interessante e importante essa discussão da TRI. Só gostaria de frisar que não é o INEP que atribui a dificuldade das questões, mas sim um processo chamado de pré-calibração, que já foi realizado (Detalhes em http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,ministerio-da-educacao-fez-pre-teste-do-enem-com-50-mil-alunos,427378,0.shtm). Ou seja, é o pré-teste com pessoas reais que determinam o grau de dificuldade da questão.

    Parabéns pelo tópico
    Prof. Jean Piton

  13. Prof_Michel 29 de janeiro de 2010 at 13:24 - Reply

    Oi, Prof. Jean, mas é o INEP que aplica este pré-teste com os alunos. Acho que foi o que eu quis dizer no trecho:

    "Para concluir o grau de dificuldade de cada questão, o INEP aplicou as questões para, aproximadamente, 50 mil alunos, em diferentes partes do Brasil. E o resultado deste teste é que vai definir o grau de dificuldade".

    O nome "Pré-Calibração" eu não conhecia. Obrigado por compartilhar.

    Um grande abraço

  14. Prof. Jean Piron 30 de janeiro de 2010 at 9:57 - Reply

    Olá Prof. Michel

    Desculpe, realmente me equivoquei, tinha entendido de outra forma.

    Então para me redimir, e complementando, no processo de pré-calibração é onde se determina o quão pode ser "chutável" uma certa questão (chamado de parâmetro C). Agora, não sei dizer o que o MEC/INEP estão usando, mas existem modelos matemáticos de TRI que consideram o "chute" (Modelo Logístico de três parâmetros) e outros que não, como o Modelo Rash (Rash Model).

    []s
    Jean

  15. Prof_Michel 30 de janeiro de 2010 at 10:48 - Reply

    Nossa, devem ser cálculos dificílimos. Por acaso, você pode indicar uma leitura legal para que os leitores possam se inteirar da pré-calibração, modelo logístico de três parâmetros e modelo rash? Indique e eu faço uma referência a vc e seu blog aqui na página. Abração

  16. Prof. Jean Piron 30 de janeiro de 2010 at 13:07 - Reply

    Existe sim cálculos bastante complexos, mas creio que alguns pontos podem ser entendidos sem a necessidade de fórmulas.

    Uma leitura trivial não existe em TRI, mas tem uma que é bem acessível:

    Fundamentos da teoria da resposta ao item -TRI
    Luiz Pasquali I; Ricardo Primi II

    Link: http://scielo.bvs-psi.org.br/scielo.php?pid=S1677-04712003000200002&script=sci_arttext&tlng=pt

    []s
    Jean

  17. Prof_Michel 30 de janeiro de 2010 at 14:11 - Reply

    Ok, prof. Jean, este artigo será sugerido no corpo do post. Obrigado. Um abração

  18. judy cani 11 de maio de 2012 at 11:58 - Reply

    Prof., lembre-se que as questões do Enem são “calibradas” antes de serem aplicadas na prova. Isto é, as questões são aplicadas em vários testes em diversos lugares do país, para assegurar menor interferência do quesito variação geográfica. A partir desses testes, são computadas as médias de erros e acertos de cada questão e das habilidades exigidas e extraídos dados estatísticos que vão orientar a nivelação das questões quanto à sua dificuldade. Ou seja, “fácil”, “médio” e “difícil” não são indicadores subjetivos, são construções empíricas a partir dos testes aplicados. Por isso o TRI é considerado um método seguro de avaliação e tem sim ferramentas anti-chute.

    • Michel Goulart 11 de maio de 2012 at 12:07 - Reply

      Obrigado por iluminar este fato. Uma coisa que me ocorre nesta aplicação é: não seria isto o motivo do vazamento de questões da prova que ocorreu no nordeste ano passado? Como evitar esta situação?

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