Os eixos cognitivos do Enem

Home » Vestibulares » Os eixos cognitivos do Enem

Tem uma coisa que me incomoda na blogosfera. Não sei se por preguiça ou desinformação, grande parte dos blogueiros disponibiliza recursos sem contexto, sem introduzir o leitor ao assunto do post. Acho legal um texto de entrada antes de empurrar o link/vídeo/apresentação goela abaixo. Será que é pedir muito?

Criança escrevendo Enem em um quadro negro

Há alguns dias atrás, o MEC liberou a matriz de referência para o Enem. Os eixos cognitivos se referem às habilidades que se espera do candidato para resolver a prova do Enem. Vale para todas as disciplinas.

Eixos Cognitivos (comuns a todas as áreas de conhecimento):

I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.

II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.

IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.

V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Uma coisa que chama a atenção nestes eixos cognitivos, é o que o MEC tem argumentado desde que o novo Enem entrou em pauta: este tipo de prova valoriza a interpretação e relação entre os dados, ao invés da decoreba de conteúdos; o diálogo entre as disciplinas (interdisciplinaridade), ao invés de privilegiar o conhecimento fragmentado; a autonomia de pensamento do aluno, ao invés de seguir fórmulas pré-concebidas.

Agora, precisamos saber se esta fórmula vai funcionar. A receita, no entanto, é boa!

By | 2014-01-26T08:47:25+00:00 19 de Maio de 2009|Categories: Vestibulares|Tags: , |7 Comments

About the Author:

Professor, historiador e blogueiro, já trabalhei em algumas das maiores escolas públicas e particulares de Santa Catarina. Comecei a lecionar em 2001, sempre preocupado com um ensino caracterizado pela criatividade e inserção de novas tecnologias e metodologias variadas em sala de aula.

7 Comments

  1. Henrique 28 de Maio de 2009 at 19:05

    É bom exigir, pois há poucos, mas existem alunos que não entendem coisas básicas como saber escrever corretamente a língua portuguesa

  2. Prof_Michel 28 de Maio de 2009 at 20:44

    Com certeza. E isto é o básico. Falando nisto, tenho que me adaptar as novas regras gramaticais 🙂

  3. Aldeir 17 de junho de 2009 at 22:53

    era bom postar assuntos que irão cair no enem 2009, não só eu mas muitas pessoas estão procurando…
    abraços…

  4. Prof_Michel 18 de junho de 2009 at 13:07

    Oi, Aldeir, geralmente eu posto questões e informações relacionadas à história, pois é o tema de blog e, geralmente, eu preciso enxugar as informações. Pero, sempre que eu posto sobre o Enem, eu deixo um link com informações mais detalhadas sobre todas as disciplinas. Um abração

  5. NINA 20 de agosto de 2009 at 4:01

    Ola! quero agradeçer por tirar algumas dúvidas,sobre o Enem, a forma com que explica,exelente!
    agora,só preciso estudar…rss

  6. Prof_Michel 20 de agosto de 2009 at 7:22

    Obrigado, Nina. Boa prova!!!

  7. maoel Mosilânio Mlaquias da Cruz 8 de Maio de 2015 at 19:20

    – DESVENDANDO A MATRIZ DE REFERÊNCIA PARA O ENEM –
    EIXOS COGNITIVOS (comuns a todas as áreas de conhecimento)

    I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.
    Depreende-se que o domínio das múltiplas linguagens (artísticas, matemáticas, científicas, tirinhas, gráficos, e demais códigos verbais e não verbais) utilizadas em diversas áreas de conhecimento possibilitem ao educando meios de apreensão dos diversos sistemas de comunicação existentes no mundo e que lhe forneça a compreensão básica dos impactos sociais, ambientais, movimentos sociais, mudanças comportamentais, comunicação social, fenômenos naturais, padrões estéticos, fundamentos culturais, políticos e econômicos para a vivência em sociedade.

    II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas. 
    Ao desenvolver o domínio dessas linguagens, espera-se que o educando possa levantar os questionamentos necessários para a formulação consciente e realista das problemáticas mundiais como, por exemplo, quais são os impactos do lançamento dos resíduos da construção de uma hidrelétrica ou do desmatamento de um rio localizado próximo a essas construções. O que leva as pessoas a manifestarem-se em favor de seus direitos e outros processos histórico-geográficos? Como se origina um tsunami, um relâmpago, entre outros fenômenos naturais? Em suma, ao entender os conceitos e apropriar-se deles, será possível conhecer e dominar as linguagens ( Eixo 1) que fundamentam a compreensão do fenômeno.

    III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representadas de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
    Interpretar e compreender textos verbais, não verbais e mistos; como charges, cartuns, tirinhas…, compreender criticamente a função apelativa da propaganda, eis os principais elementos de compreensão presentes em Linguagens e Códigos.
    De posse desses dois itens (Eixo 1 e 2) , há a necessidade de mobilizar esses domínios para articular os estímulos cognitivos ( denominados de suporte que podem ser uma foto, letra de música, uma tabela, um texto, um infográfico, etc.) de forma que o educando contextualize-os à problemática proposta.
    Uma situação–problema que envolva os elementos químicos e entender o cotidiano do mesmo (as placas de neon possuem o elemento químico neônio que produz a coloração desejada) é bem mais produtivo como aprendizagem do que decorar a tabela periódica;. Compreender as matérias- primas utilizadas, o processo de extração das mesmas bem como as formas de obtenção e as aplicações principais de produtos considerados estrategicamente econômico constituem no desenvolvimento de habilidades que geram não apenas a apropriação do conhecimento científico, mas propiciam a autonomia e consciência que urgem e são necessários para viver melhor em sociedade.
    Ainda como exemplo podemos citar o domínio de teoria cinética dos gases e cálculo estequiométrico que requer saber trabalhar com grandezas físicas, (temperatura, volume e pressão) conhecer as propriedades que compõe o estado gasoso (forma e volume), saber escrever uma equação química bem como balanceá-la além de utilizar a tabela periódica e trabalhar os conceitos de matéria (quantidade), volume e massa molar e constante de Avogrado.
    No que se refere ao conhecimento histórico, não se pode compreender a colonização do Brasil sem a apropriação dos saberes sobre a política absolutista, a economia mercantilista o desenvolvimento do capitalismo comercial através da expansão marítima além dos condicionantes sociais (escravidão) e políticos (estrutura) que permitiram compreender a exclusão social e a ausência de cidadania por parte da grande maioria da população, além do papel da justiça e das formas de luta e resistência de determinados grupos à situação vigente.
    No que se refere às ciências da Matemática podemos citar uma problemática que envolva questões financeiras do dia a dia, pois utilizar as fórmulas matemáticas é bem mais proveitosa que memorizá-las sem, contudo, perder a essência de saber como procedê-las. Um outro exemplo é a compreensão dos elementos, a definição e estrutura dos conjuntos são determinantes para a compreensão das funções matemáticas, estas são utilizadas na Física (a distância percorrida por um veículo em função do tempo) e na Biologia (o crescimento de bactérias em determinado tempo) através de grandezas, definidas por elementos matemáticos, ou então, a localização de um ponto em uma reta de um plano geométrico bem como a resolução das equações e inequações matemáticas.
    Conhecer o funcionamento e estrutura de determinado órgão humano é mais importante para identificar determinada doença do que saber localizar suas partes ainda que seja essencial esse domínio. Tem-se, no entanto, uma ênfase nos conceitos fundamentais, bem como uma preocupação ambiental e social no que se refere à saúde e ao bem estar social.

    IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas e conhecimentos disponíveis em situações concretas, a fim de construir argumentação consistente.
    Refere-se ao desenvolvimento e articulação de saberes buscando fortalecer atitudes que viabilizem o exercício democrático da cidadania através de uma postura ética em relação aos direitos sociais, à compreensão do mundo de maneira crítica, à vivência da pluralidade e diversidade cultural e uma ação consciente e atuante no que se refere às questões ambientais.
    Desse modo, esse eixo pauta na construção de argumentação por parte do educando em que ele expresse seus saberes e expectativas acerca das temáticas apresentadas de forma que evidencie sua experiência e sua vivência quanto às mesmas, de forma sólida e fundamentada acerca da ideia solicitada, quer seja na redação quer seja em questões temáticas diversas, mas sempre com sólidos argumentos, convincentes e bem fundamentados.

    V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
    Este item está recorrente ao papel do aluno no que se refere à promoção da cidadania através de proposições consistentes acerca dos problemas sociais (desemprego, pobreza, concentração de renda, ausência de moradia e de terra, entre outros), ambientais (poluição, desmatamento, queimadas, lixo) comportamentais (preconceito, intolerância, discriminação, uso excessivo de tecnologia, drogas) políticos (corrupção, ausência de direitos e deveres, autoritarismo,)
    Urge, no entanto, que o aluno seja capaz de emitir opiniões, fundamentar suas ideias para solucionar a situação problema (eixo 4) demonstrando familiaridade com respeito a diversidade sociocultural, a valorização da democracia, a defesa ao meio ambiente, o respeito e a ação direta em relação aos valores humanos, na defesa dos direitos e conquistas sociais, entre outros – premissas fundamentais para o exercício da cidadania de forma ética, solidária, promotora de justiça social e ambiental no âmbito local, regional e mundial necessários para o cotidiano e a vida real, inerentes à condição humana.

    Por: Profes. Pixote Cruz e Galeno Souza ( Especialistas e Consultores Educacionais das Matrizes Curriculares e dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da prova do ENEM )

Leave A Comment