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Resumo: África Pré-Colonial

junho 22nd, 2011|Resumos|1 Comment


Neste resumo, você vai conhecer os reinos e impérios da África no período pré-colonial. Muitas destas civilizações, ao contrário do que podemos pensar, estavam em estágio cultural tão o mais avançado do que os Europeus. Ao terminar de ler o conteúdo, faça o quiz e teste seus conhecimentos.

Antecedentes

Denominamos África pré-colonial o período da história da África antes do domínio europeu, iniciado a partir do século XV. Os povos da África subsaariana – ao sul do Deserto do Saara – utilizavam a palavra falada, mesmo onde existia a escrita. Eram sociedades orais, ou seja, as tradições eram passadas oralmente, de geração a geração.

É provável que os primeiros africanos tenham vivido como pescadores ao longo das margens do rio Níger e do rio Nilo, há aproximadamente 6 mil anos. Lá pelo ano 500 a.C., eles já sabiam extrair e trabalhar metais, principalmente o ferro. Sua língua, o banto, deu origem a diversas línguas ainda hoje faladas na África.

Os Estados africanos eram governados por chefes ou reis que, muitas vezes, eram considerados deuses. Mas até os reis deviam obedecer às leis que regiam a comunidade.

Reino da Etiópia

O nome Etiópia provém da palavra grega aithiops, que significa povo de pele escura. Segundo a lenda, foi fundada por Menelique, filho de Salomão e rainha de Sabá, no ano 1000 a.C. Aproximadamente no ano 100, os etíopes conheceram um período de prosperidade devido ao comércio de marfim e ouro no Mar Vermelho.

A Etiópia alcançou seu apogeu no sob o reinado de Azana, de 300 a 350, que facilitou a implantação do cristianismo. A Igreja se tornou muito rica e dona de imensas terras naquela região. Por este motivo, os governantes e sacerdotes dividiam o poder e davam ordens aos seus súditos agricultores. Os monges desempenharam importante papel e os monastérios eram lugares de sabedoria, leitura e produção de escritos.

No século XVI, o reino da Etiópia conheceu um período de violência, a partir das guerras entre cristãos e muçulmanos. A paz só retornou no século seguinte e, uma nova capital – Gondar – foi construída.

Reino do Congo

Na região do terceiro grande rio do continente, o rio Congo, também se desenvolveram diversas sociedades com Estados centralizados baseados na agricultura, pecuária e pesca. No fim do século XIV, um grupo de estrangeiros dominou os povos ao sul da foz do rio Congo, estabelecendo ali o reino do Congo, cuja capital se chamava Mbanza Kongo.

Nas aldeias, o poder era exercido pelo chefe das famílias mais importantes. Acreditava-se que o chefe podia se comunicar com os ancestrais da família, responsáveis pela prosperidade. A partir de 1483, navegadores portugueses, liderados por Diogo Cão, chegaram à foz do rio Congo, iniciando uma série de conflitos com os bakongo – povo do Congo.

Em 1665, os bakongo foram derrotados pelos portugueses na batalha de Ambuíla. Depois disso, o reino do Congo entraria em decadência política e econômica.

Reino Axum

O reino Axum foi o antecessor do reino da Etiópia, e existiu por volta do século IV a.C. até o primeiro século. Sua capital, como o nome indica, era a cidade de Axum. A população local era coletivamente denominada habesha. Deste termo deriva o adjetivo abexim, que significa habitante da Abissínia, nome que a região manteve até o início do século XX.

O reino Axum teve grande importância no comércio entre o Império Romano e o subcontinente indiano, servido de “ponte” para a troca de produtos entre o ocidente e o oriente. Quando Azana se tornou rei da Etiópia, os axumitas, originalmente politeístas, passaram a adotar a religião cristã. A adoção do cristianismo prejudicou o comércio com povos que adotavam outras religiões.

O reino Axum entrou em decadência devido à expansão muçulmana e a pressão de reinos vizinhos. A população foi forçada a se isolar no interior de seu território, causando consequente declínio de sua cultura.

Reino de Gana

O reino de Gana – localizado onde atualmente fica a Mauritânia – formou-se por volta do século IV e se destacou pela forte produção e comércio de ouro. Esse comércio, que contava com camelos, esteve subordinado, de início, ao controle dos berberes do norte africano, para depois passar ao domínio do reino negro de Gana.

Submetendo vizinhos e impondo tributos e obrigações, o governante do reino, chamado gana – “chefe de guerra” -, detinha, desde o século VIII, enormes riquezas. O Reino de Gana enfraqueceu bastante após o século XII, devido à concorrente produção aurífera de outras áreas, do crescente ataque de vizinhos saqueadores e do avanço da desertificação do Saara.

Reino de Mali

A ascensão do Reino de Mali se consolidou quando o príncipe Sundiata Keita, por volta de 1230, transformou-se em soberano do Mali, fixando a capital em Niani. Ampliando progressivamente seus domínios, no início do século XIV esse reino já alcançava a costa do Atlântico e o interior do Saara e controlava várias cidades e as rotas comerciais no deserto.

Ficaram famosas as peregrinações de seus governantes a Meca, a riqueza que levavam em suas viagens e a fundação de mesquitas e centros de estudo, que reunia sábios e arquitetos do Oriente Próximo. No século XIV, em razão de frequentes invasões e saques, o Reino de Mali foi sobrepujado por outro, até então seu vassalo, chamado Reino de Songhai.

Reino Songhai

Os Songhai, que desde 1260 haviam sido dominados pelos Mali, começaram a recuperar sua autonomia no fim do século XIV. Sua capital, Gao, era uma das mais belas e ricas cidades africanas. Por volta de 1420, os Songhai passaram a atacar o Reino de Mali, utilizando a força militar que se baseava em uma ampla frota naval no rio Níger, uma poderosa cavalaria e uma infantaria de arqueiros.

A grande expansão do reino Songhai ocorreu a partir do reinado de Soni Ali, de 1464 a 1492. Ali era aparentemente muçulmano, mas ainda praticava a religião de seus ancestrais. Em 1493, um soberano muçulmano assume o reino, após depor Abu Bakar Dau, o filho de Soni Ali. Com o título de Askia Muhamed, esse rei prosseguiu a grande conquista de territórios.

O governo de Muhamed marcou o apogeu e, ao mesmo tempo, o início do declínio do reino Songhai. Ele foi deposto em 1528 por seu próprio filho e, em 1591, o império foi conquistado pelo sultão do Marrocos.

Reino Kush

Entre 2600 a.C. e 1700 a.C., o antigo Egito manteve sob controle as sociedades da região da Núbia. A partir de 1700 a. C., porém, os núbios construíram uma sociedade capaz de fazer frente aos poderosos egípcios. Conhecida como Império Kush, essa sociedade reunia uma população predominantemente urbana, com a presença de um pequeno grupo de letrados. O Primeiro Império Kush sobreviveu por aproximadamente 200 anos.

Por volta de 1100 a.C., os núbios ergueram o Segundo Império Kush. Em 750 a.C., invadiram o Egito antigo, de onde foram expulsos pelos assírios, em 663 a.C. Nesta época, o Império Kush reunia em torno de 500 mil pessoas. A sua principal atividade econômica era o comércio, sobretudo intermediando o fluxo de mercadorias entre a África subsaariana e as sociedades próximas ao mar Mediterrâneo.

A partir do século IV, não há mais registros da permanência do Império Kush que, ao que tudo indica, foi dominado pelo Império Axum.

O comércio no Saara

Durante milênios, até cerca de 3000 a.C., o Saara era suficientemente fértil para manter grupos de agricultores e pastores. A criação de gado era comum em comunidades africanas. Com a seca do Saara, que afastou os habitantes do local, o comércio entre o Norte e o Sul continuou. Mercadores enfrentavam o deserto utilizando caravanas comerciais.

Nestas caravanas, panos e objetos de luxo eram levados para o Sul. Para o Norte, os mercadores transportavam ouro e os mais variados objetos de ouro. Dentre estes mercadores, destacaram-se o povo bérbere. Para atravessar grandes distâncias de até 40 quilômetros por dia, os bérberes utilizavam camelos domesticados, que aguentavam ficar dias sem água ou comida. O uso de camelos revolucionou a economia africana.

As cidades começaram a surgir. As casas eram edificadas com barro endurecido ao sol, pois a pedra era coisa rara naqueles locais. Essas cidades serviram de base para o comércio no Saara.

Os bérberes

Proveniente da antiga Pérsia, o povo bérbere ocupa hoje as regiões do Saara e do Sahel, no Norte de África. A maior parte deles passou a pertencer à religião islâmica a partir do século VII. Os povos bérberes são provavelmente os habitantes mais antigos do Norte de África, tendo sido mencionados em documentos egípcios do quarto milênio antes de Cristo.

Os bérberes estão socialmente organizados em comunidades do tipo patriarcal, as ikhs. Estas comunidades formam tribos organizadas por conselhos liderados pelos chefes das famílias mais importantes. Inicialmente sedentários e dedicados à agricultura, muitos bérberes tornaram-se nômades com o tempo, havendo atualmente tribos com ambas as características.

Dentre as principais tribos bérberes existentes, estão os tuaregues, guanches, rifenhos, cabilas e outros povos do Saara.

One Comment

  1. Klaus do iate 4 de março de 2015 at 1:53 - Reply

    Apesar de ser exigido atualmente por lei o estudo da africa subsaariana, o mercado de livros dedicados ao assunto que sejam didáticos, imparciais e completos ainda está engatinhando. Diria que emergencialmente das diversas Áfricas as que mais interessam ao Brasileiro sejam as nações do litoral ocidental úmido doCaboverde até Nigéria, os povos do Moçambique e principalmente o complexo congo- angola.

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