Neste resumo, você vai conhecer como foi o processo de escravidão africana no Brasil, a viagem, a chegada dos africanos e o trabalho forçado em nosso território. Ao terminar de ler, confira outros recursos para você aprender mais, como videoaulas, questões, mapas mentais, dentre outros

Antecedentes

A escravidão começou no Brasil a partir do século XVI. Colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição da Igreja Católica dificultou esta prática. Assim, os colonizadores portugueses partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem, inicialmente, nos engenhos de açúcar da região Nordeste.

Os colonizadores tinham por objetivo obter grandes lucros, sendo que o trabalho escravo era uma alternativa barata em longo prazo. Após a compra, não precisavam pagar salários, ter despesas com alimentação ou vestimentas. No decorrer dos mais de trezentos anos em que houve escravidão no Brasil, os negros foram responsáveis por boa parte da riqueza acumulada – açúcar, ouro, café, entre outras.

Durante este tempo, milhões de africanos foram tirados de suas terras, provocando o despovoamento de regiões inteiras da África.

Comércio triangular

O comércio de escravos, que já era praticado desde o século XV, gerava muitos lucros para os europeus. Em 1441, os portugueses capturaram o primeiro grupo de negros. Para isso, organizavam verdadeiras caçadas: invadiam as aldeias africanas, perseguiam e prendiam seus habitantes. Posteriormente, os traficantes passaram a pagar por eles.

Em alguns casos, os próprios chefes africanos vendiam membros de sua tribo, em troca de tecidos, armas, joias, algodão, aguardente e outros privilégios. O comércio de escravos no Brasil ocorria, geralmente, através do chamado Comércio Triangular, envolvendo Portugal, África e Brasil. Assim, os portugueses chegavam à África e compravam escravos por preços baixos.

Em seguida, vendiam os escravos no Brasil por preços altos, tendo ótimos lucros. No Brasil, compravam açúcar, tabaco e outros produtos que vendiam muito mais caro em Portugal. Com isso, ganhavam ainda mais.

Origem dos escravos

A maioria dos negros trazidos ao Brasil como escravos pertenciam a dois grandes grupos: os bantos, originários de Angola, Moçambique e Congo; e os sudaneses, oriundos da Guiné. Os bantos foram espalhados pelo Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Por isso, tiveram grande influência em nossa cultura.

Sua religião admitia muitos deuses, existiam os espíritos bons e os maus, representados em estatuetas e madeira e marfim. Os sudaneses, que se destacavam pela estatura elevada, possuíam membros maometanos. Destes, sobressaíram os haussás, que se concentravam na Bahia.

Os haussás eram altos e fortes, tinham um acentuado espírito de liberdade e promoveram muitas revoltas contra os senhores de escravos. Por isso, muitos foram massacrados ou expulsos do Brasil.

As condições de viagem

A viagem da África para o Brasil, assim como para outros lugares, era uma verdadeira tragédia para os negros. Aproximadamente a metade dos negros morria durante a viagem. Eles vinham amontoados e acorrentados, durante meses, nos porões dos navios negreiros, onde comiam o pouco que lhes davam e, ali mesmo, faziam as necessidades.

No decorrer da viagem, muitos negros morriam de fome, doenças e maus-tratos. Outros de banzo, uma espécie de tristeza, que vinha da saudade de sua terra e família. Quando chegavam ao Brasil, os escravos eram colocados à venda nos mercados. Ficavam à mostra, em exposição, e eram examinados minuciosamente pelos interessados.

O escravo não era considerado um ser humano. Era tratado como se fosse uma mercadoria, uma coisa, menos ainda que um animal.

As condições de trabalho

A rotina de trabalho dos escravos no Brasil era cansativa. Costumavam iniciar o trabalho ao raiar do dia e só o terminavam ao escurecer. Quase não tinham descanso pois, aos domingos, em muitos engenhos, cultivavam pequenos roçados para o próprio sustento. Seu principal alimento era mandioca.

As condições de trabalho eram duras, tanto nos canaviais quanto em outras funções. Somando-se a isso a má alimentação e os maus tratos, o tempo de trabalho de um escravo dificilmente passasse de dez anos. Depois de dez anos de trabalho pesado, o escravo estava acabado e, na maioria dos casos, morria. Eles viviam e trabalhavam sob constante vigilância dos capatazes e feitores.

Quando tentavam fugir, os escravos eram caçados pelos capitães-do-mato, especialistas em perseguir e capturar escravos. Estes capitães recebiam uma boa quantia por escravo que capturava e devolvia ao senhor.

Os escravos urbanos

Nem todos os escravos trabalhavam na agricultura. Nas residências dos proprietários, haviam escravos que se dedicavam ao trabalho doméstico e gozavam até de alguns privilégios. Nos centros urbanos, a ocorrência de escravos domésticos também era bastante expressiva. As cidades abriam portas para que muitos escravos fossem utilizados em outras atividades econômicas.

Muitas vezes, aproveitando das habilidades de um negro, o proprietário acabava transformando-o em escravos de ganho, que realizavam diversas tarefas e destinavam os lucros ao proprietário. Porém, vale lembrar que alguns escravos podiam ficar com parte dos lucros e, assim, comprar a carta de alforria, documentos que garantia a liberdade.

Haviam também os escravos de aluguel. Quando um senhor passava por dificuldades financeiras, acabava cedendo parte de seus escravos para um terceiro, que, em troca, lhe recompensava com uma quantidade de dinheiro.

Influência na cultura brasileira

De maneira geral, os negros trazidos para o Brasil como escravos foram obrigados a abandonar seus costumes africanos e viver de acordo com os costumes europeus. Apesar disso, exerceram influência sobre a cultura popular no Brasil. Dentre pratos típicos, podemos destacar o vatapá, acarajé, doces como a cocada, quindim, entre outros.

Muitas palavras de nosso vocabulário têm origem africana, como batuque, cachaça, caçula, cachimbo, moleque, quitute, quitanda, entre outras. Dentre os instrumentos musicais, podemos citar o atabaque, berimbau, tamborim, reco-reco, entre outros. Além disso, podemos citar ritmos e danças, como o maracatu, o samba, o frevo e a capoeira.

Embora fossem obrigados a seguir a religião católica, os negros não deixavam de lado seus rituais. As crenças religiosas africanas misturaram-se com o catolicismo, gerando o chamado sincretismo religioso.

Resistência negra

Os escravos, como vimos, conviviam com uma dura rotina de trabalho, má alimentação e tinham que, praticamente, abandonar as suas crenças e costumes. Além disso, sofriam constantes maus-tratos, como chicotadas presos ao pelourinho, prisão, tortura e todo o tipo de humilhações.

Por este motivo, muitos africanos tentaram resistir à dominação de muitas maneiras. Haviam rebeliões, tentativas de fuga dos engenhos e até a morte era uma alternativa ao cativeiro. Muitos morriam simplesmente de saudades da terra natal, misturada à recusa desesperada em aceitar a condição de escravo. Alguns caíam em depressão, outros praticavam suicídio, o que se tornou muito comum no Brasil.

Quando conseguiam fugir, muitos negros se reuniam em comunidades conhecidas como quilombos.

Os quilombos

Os quilombos eram comunidades independentes que reuniam escravos fugitivos, mas que agregava também outros grupos sociais, como índios. Existiam mais de cem espalhados por todo o Brasil. A maior parte localizados no nordeste, especialmente no Sergipe, Alagoas e Bahia, que eram locais com muitos escravos.

Os habitantes dos quilombos cultivavam os alimentos de que precisavam. Tinham também pequenas oficinas onde faziam roupas, móveis e instrumentos de trabalho. As comunidades quilombolas sofriam constantes ataques de expedições enviadas pelos senhores e pelo governo. Quando eram destruídos, os negros que não morriam voltavam aos seus donos e eram punidos severamente.

Os quilombos mais conhecidos foram os localizados na serra da Barriga, entre Alagoas e Pernambuco. Eram cerca de dez, unidos sob o nome de Palmares. Chegou a ter entre 20 mil habitantes e teve Zumbi como principal comandante.

Guerra dos Palmares

A Guerra dos Palmares foi uma das mais importantes do Brasil colonial. Ocorreu entre 1644, quando aconteceu o primeiro ataque, e 1695, quando Zumbi foi assassinado. Neste período, Palmares foi atacado em torno de trinta vezes. Os primeiros ataques foram feitos ainda durante a invasão holandesa no nordeste (1630 e 1654).

A fase mais importante da guerra teve início em 1668, quando o governador de Pernambuco e os senhores de engenho fizeram uma aliança contra Palmares. Porém, diante das constantes derrotas de suas tropas, o governador de Pernambuco resolveu contratar o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho para destruir Palmares.

Apesar da resistência inicial, Palmares acabou tombando perante os constantes ataques dos bandeirantes. Em 1695, Zumbi foi atacado de surpresa e acabou morto. Era dia 20 de novembro, hoje Dia Nacional da Consciência Negra.