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Resumo: Escravidão Africana

novembro 15th, 2010|Resumos|16 Comments


Neste resumo, você vai conhecer como foi o processo de escravidão africana no Brasil, a viagem, a chegada dos africanos e o trabalho forçado em nosso território. Ao terminar de ler o conteúdo, faça o quiz e teste seus conhecimentos.

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Antecedentes

A escravidão começou no Brasil a partir do século XVI. Colonos portugueses começaram escravizando os índios, porém a oposição da Igreja Católica dificultou esta prática. Assim, os colonizadores portugueses partiram para suas colônias na África e trouxeram os negros para trabalharem, inicialmente, nos engenhos de açúcar da região Nordeste.

Os colonizadores tinham por objetivo obter grandes lucros, sendo que o trabalho escravo era uma alternativa barata em longo prazo. Após a compra, não precisavam pagar salários, ter despesas com alimentação ou vestimentas. No decorrer dos mais de trezentos anos em que houve escravidão no Brasil, os negros foram responsáveis por boa parte da riqueza acumulada – açúcar, ouro, café, entre outras.

Durante este tempo, milhões de africanos foram tirados de suas terras, provocando o despovoamento de regiões inteiras da África.

Comércio triangular

O comércio de escravos, que já era praticado desde o século XV, gerava muitos lucros para os europeus. Em 1441, os portugueses capturaram o primeiro grupo de negros. Para isso, organizavam verdadeiras caçadas: invadiam as aldeias africanas, perseguiam e prendiam seus habitantes. Posteriormente, os traficantes passaram a pagar por eles.

Em alguns casos, os próprios chefes africanos vendiam membros de sua tribo, em troca de tecidos, armas, joias, algodão, aguardente e outros privilégios. O comércio de escravos no Brasil ocorria, geralmente, através do chamado Comércio Triangular, envolvendo Portugal, África e Brasil. Assim, os portugueses chegavam à África e compravam escravos por preços baixos.

Em seguida, vendiam os escravos no Brasil por preços altos, tendo ótimos lucros. No Brasil, compravam açúcar, tabaco e outros produtos que vendiam muito mais caro em Portugal. Com isso, ganhavam ainda mais.

Origem dos escravos

A maioria dos negros trazidos ao Brasil como escravos pertenciam a dois grandes grupos: os bantos, originários de Angola, Moçambique e Congo; e os sudaneses, oriundos da Guiné. Os bantos foram espalhados pelo Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Por isso, tiveram grande influência em nossa cultura.

Sua religião admitia muitos deuses, existiam os espíritos bons e os maus, representados em estatuetas e madeira e marfim. Os sudaneses, que se destacavam pela estatura elevada, possuíam membros maometanos. Destes, sobressaíram os haussás, que se concentravam na Bahia.

Os haussás eram altos e fortes, tinham um acentuado espírito de liberdade e promoveram muitas revoltas contra os senhores de escravos. Por isso, muitos foram massacrados ou expulsos do Brasil.

As condições de viagem

A viagem da África para o Brasil, assim como para outros lugares, era uma verdadeira tragédia para os negros. Aproximadamente a metade dos negros morria durante a viagem. Eles vinham amontoados e acorrentados, durante meses, nos porões dos navios negreiros, onde comiam o pouco que lhes davam e, ali mesmo, faziam as necessidades.

No decorrer da viagem, muitos negros morriam de fome, doenças e maus-tratos. Outros de banzo, uma espécie de tristeza, que vinha da saudade de sua terra e família. Quando chegavam ao Brasil, os escravos eram colocados à venda nos mercados. Ficavam à mostra, em exposição, e eram examinados minuciosamente pelos interessados.

O escravo não era considerado um ser humano. Era tratado como se fosse uma mercadoria, uma coisa, menos ainda que um animal.

As condições de trabalho

A rotina de trabalho dos escravos no Brasil era cansativa. Costumavam iniciar o trabalho ao raiar do dia e só o terminavam ao escurecer. Quase não tinham descanso pois, aos domingos, em muitos engenhos, cultivavam pequenos roçados para o próprio sustento. Seu principal alimento era mandioca.

As condições de trabalho eram duras, tanto nos canaviais quanto em outras funções. Somando-se a isso a má alimentação e os maus tratos, o tempo de trabalho de um escravo dificilmente passasse de dez anos. Depois de dez anos de trabalho pesado, o escravo estava acabado e, na maioria dos casos, morria. Eles viviam e trabalhavam sob constante vigilância dos capatazes e feitores.

Quando tentavam fugir, os escravos eram caçados pelos capitães-do-mato, especialistas em perseguir e capturar escravos. Estes capitães recebiam uma boa quantia por escravo que capturava e devolvia ao senhor.

Os escravos urbanos

Nem todos os escravos trabalhavam na agricultura. Nas residências dos proprietários, haviam escravos que se dedicavam ao trabalho doméstico e gozavam até de alguns privilégios. Nos centros urbanos, a ocorrência de escravos domésticos também era bastante expressiva. As cidades abriam portas para que muitos escravos fossem utilizados em outras atividades econômicas.

Muitas vezes, aproveitando das habilidades de um negro, o proprietário acabava transformando-o em escravos de ganho, que realizavam diversas tarefas e destinavam os lucros ao proprietário. Porém, vale lembrar que alguns escravos podiam ficar com parte dos lucros e, assim, comprar a carta de alforria, documentos que garantia a liberdade.

Haviam também os escravos de aluguel. Quando um senhor passava por dificuldades financeiras, acabava cedendo parte de seus escravos para um terceiro, que, em troca, lhe recompensava com uma quantidade de dinheiro.

Influência na cultura brasileira

De maneira geral, os negros trazidos para o Brasil como escravos foram obrigados a abandonar seus costumes africanos e viver de acordo com os costumes europeus. Apesar disso, exerceram influência sobre a cultura popular no Brasil. Dentre pratos típicos, podemos destacar o vatapá, acarajé, doces como a cocada, quindim, entre outros.

Muitas palavras de nosso vocabulário têm origem africana, como batuque, cachaça, caçula, cachimbo, moleque, quitute, quitanda, entre outras. Dentre os instrumentos musicais, podemos citar o atabaque, berimbau, tamborim, reco-reco, entre outros. Além disso, podemos citar ritmos e danças, como o maracatu, o samba, o frevo e a capoeira.

Embora fossem obrigados a seguir a religião católica, os negros não deixavam de lado seus rituais. As crenças religiosas africanas misturaram-se com o catolicismo, gerando o chamado sincretismo religioso.

Resistência negra

Os escravos, como vimos, conviviam com uma dura rotina de trabalho, má alimentação e tinham que, praticamente, abandonar as suas crenças e costumes. Além disso, sofriam constantes maus-tratos, como chicotadas presos ao pelourinho, prisão, tortura e todo o tipo de humilhações.

Por este motivo, muitos africanos tentaram resistir à dominação de muitas maneiras. Haviam rebeliões, tentativas de fuga dos engenhos e até a morte era uma alternativa ao cativeiro. Muitos morriam simplesmente de saudades da terra natal, misturada à recusa desesperada em aceitar a condição de escravo. Alguns caíam em depressão, outros praticavam suicídio, o que se tornou muito comum no Brasil.

Quando conseguiam fugir, muitos negros se reuniam em comunidades conhecidas como quilombos.

Os quilombos

Os quilombos eram comunidades independentes que reuniam escravos fugitivos, mas que agregava também outros grupos sociais, como índios. Existiam mais de cem espalhados por todo o Brasil. A maior parte localizados no nordeste, especialmente no Sergipe, Alagoas e Bahia, que eram locais com muitos escravos.

Os habitantes dos quilombos cultivavam os alimentos de que precisavam. Tinham também pequenas oficinas onde faziam roupas, móveis e instrumentos de trabalho. As comunidades quilombolas sofriam constantes ataques de expedições enviadas pelos senhores e pelo governo. Quando eram destruídos, os negros que não morriam voltavam aos seus donos e eram punidos severamente.

Os quilombos mais conhecidos foram os localizados na serra da Barriga, entre Alagoas e Pernambuco. Eram cerca de dez, unidos sob o nome de Palmares. Chegou a ter entre 20 mil habitantes e teve Zumbi como principal comandante.

Guerra dos Palmares

A Guerra dos Palmares foi uma das mais importantes do Brasil colonial. Ocorreu entre 1644, quando aconteceu o primeiro ataque, e 1695, quando Zumbi foi assassinado. Neste período, Palmares foi atacado em torno de trinta vezes. Os primeiros ataques foram feitos ainda durante a invasão holandesa no nordeste (1630 e 1654).

A fase mais importante da guerra teve início em 1668, quando o governador de Pernambuco e os senhores de engenho fizeram uma aliança contra Palmares. Porém, diante das constantes derrotas de suas tropas, o governador de Pernambuco resolveu contratar o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho para destruir Palmares.

Apesar da resistência inicial, Palmares acabou tombando perante os constantes ataques dos bandeirantes. Em 1695, Zumbi foi atacado de surpresa e acabou morto. Era dia 20 de novembro, hoje Dia Nacional da Consciência Negra.

16 Comments

  1. É MUITO BOM SABER SOBRE A ESCRAVIDÃO NO BRASIL. 19 de janeiro de 2014 at 23:54 - Reply

    GOSTO MUITO DE SABER SOBRE A ESCRAVIDÃO NO BRASIL

  2. É MUITO BOM SABER SOBRE A ESCRAVIDÃO NO BRASIL. 19 de janeiro de 2014 at 23:55 - Reply

    O SABER NUNCA É DE MAIS.

  3. JOSÉ EDNO DE MELO MELO 8 de maio de 2014 at 16:46 - Reply

    IMPORTANTE PARA TODOS, DOCENTE E DISCENTE E O PÚBLICO EM GERAL.

  4. Celene Carvalho 8 de maio de 2014 at 21:24 - Reply

    Não evoluimos muito, pois agora o pt trás os escravos cubanos e trata os negros haitianos e senegaleses como lixo. O preconceito em nossa hereditária capitania cabralesca ainda é grande demais.

  5. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 5:38 - Reply

    Houve regiões africanas inteiramente despovoadas, mas houve também reinos africanos que brilharam como nunca exatamente por causa de venda de gente para America

  6. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 5:46 - Reply

    As caçadas de gente não eram exatamente organizadas pelos comerciantes europeus, mas por reis africanos, que participavam não em alguns casos, mas em 99% das vezes. As guerras entre reinos africanos rivais sempre existiu e os prisioneiros de guerra sempre eram escravizados pelo vitorioso. O que mudou é que o europeu vendia armas de fogo que facilitavam a vitória, o que produzia mais prisioneiros e aumentava a capacidade do rei africano conseguir mais amas de fogo europeias… num ciclo vicioso dificil de romper porque se um rei se recusasse, ele mesmo poderia ser passageiro no proximo tumbeiro.

  7. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 5:48 - Reply

    A nação iorubá=nagô (do sul da atual Nigéria) se situava no centro original dos bantus. Ela teve muita influencia na formação do candomblé, a principal religião afro-brasileira.

  8. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 5:53 - Reply

    Para manter a rentabilidade do trafico, e prevendo a mortalidade cada espaço do navio tumbeiro era praticamente destinado aos cativos e à água doce. A mortalidade na travessia era alta, não só por doenças contagiosas, mas por disturbios hidrossalinos (dieta sem sal). Isto acabou selecionando os escravos que conseguiam chegar a América (todos com rins ávidos por sódio). E originando a uma hipertensão mais maligna em descendentes de escravos até hoje.

  9. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 6:01 - Reply

    O escravo era considerado menos que um animal, mas era um bem valioso e gerador de status como hoje um carro.Assim quem era homem livre, mas pobre não tinha escravos. Quem tinha mais posses, tinha apenas um escravo, trabalhava lado a lado com ele, e quando o escravo adoecia, era tratado com crendices e curandeiras como o proprio amo. Quem tinha ainda mais posses, contratava mais escravos e os alimentava melhor e contratava médicos quando adoeciam. Quem tinha realmente poder econômico é que tendia a dar o pior tratamento, pois tendia a não se importar com manutenção , já que podia facilmente comprar um zero km.

  10. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 6:05 - Reply

    Nem todo trabalho escravo era igualmente desgastante. Além do trabalho doméstico-urbano (“mole”) e na lavoura (“pauleira”) e ainda havia o escravo minerador (que vivia em piores condições que agricultor) e o escravo vaqueiro. Este último era o “sonho de consumo” entre os cativos, pois vivia montado e armado. Trabalhava menos duro e era mais respeitado.

  11. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 6:07 - Reply

    Palmares tinha uma relação ambigua, de amor e ódio com os invasores holandeses. Mas antes de abandonar o Brasil, os holandeses deixaram propositalmente muitos suprimentos militares com os palmarinos, como fizeram em Angola.

  12. Klaus do Iate 14 de maio de 2014 at 6:09 - Reply

    Tudo para atrapalhar a reafirmação dos governos da União Ibérica.

  13. Daniele Pimentel 19 de agosto de 2014 at 10:43 - Reply

    Klaus do Iate eu adoraria ver um site de História feito por você. Cara, você tem bastante conhecimento a compartilhar. Já pensou nisso?

    Abraços.

  14. Francisca Regina 17 de outubro de 2014 at 22:09 - Reply

    Resumo bem elaborado,bom ponto de partida para os alunos se aprofundarem posteriormente no conteúdo em questão.

  15. Rafael de Freitas 31 de maio de 2015 at 20:29 - Reply

    Olá, sou escritor e dedico a maior parte de minhas linhas aos fatos da história de nosso país.
    São crônicas , contos e poesias que tratam de situações parelalas aos grandes acontecimentos do Brasil Colônia e do Brasil Império.

  16. Rafael de Freitas 31 de maio de 2015 at 20:30 - Reply

    TREZE DE MAIO

    Que agora contem outra história a teu respeito

    Que mesmo na glória não escondas tuas marcas

    Pois és feito do barro do fundo do navio

    Da lavoura pesada, banzo, pelourinho

    Não és menor

    És senhor do teu destino

    Fruto da maldição e da ousadia

    Que não mais te olhem de banda

    Mas que te escutem, que te queiram bem

    Que teu brilho, filho meu,

    Invada não só ruas, becos e buracos

    Mas também a corte, os salões e palácios

    Que tua música, teu balanço não se curvem

    Diante das cordas, concertos e trompetes

    Vás filho meu, vás à luta

    Pois dela conheces bem

    Nela fizestes tua morada

    Vás, filho meu, e vive o que meus olhos já não podem

    Confio a ti as desilusões de minha mocidade

    Confio a ti o bom papel, a boa conduta

    Vás, filho meu, vás à luta

    Vás à luta porque eles já não te agüentam

    Tentarão um novo regime

    Uma nova senzala

    Indagarão teu valor, teu trabalho

    Impedirão teus rituais, teus carnavais

    Confio a ti minhas cantigas, minhas danças

    Serão raízes para tua energia

    Planta teu milho, tua mandioca

    Luta tuas guerras – evita as deles

    Desconfia da boa vontade

    Pois nos atravessou o Atlântico

    Roubou-nos os filhos dos senhores

    Ferindo a alma, o sangue, o pulmão

    Tornando a morte desejosa e querida

    Vás, filho meu, vás a luta

    E mostre que não há diferenças

    Que és brasileiro, que és mineiro

    Que és limpo, tão bom ou ainda melhor

    Prova que podes defender papéis

    Que podes construir vidas

    E que vales mais que alguns contos de réis

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