Neste resumo, você vai aprender sobre a vida dos antigos árabes, o surgimento do islamismo com Maomé, a expansão pelo mundo, aspectos políticos, sociais, culturais. Ao terminar de ler, confira outros recursos para você aprender mais, como videoaulas, questões, mapas mentais, dentre outros

Antecedentes

Até o século VI, a península arábica, entre a Ásia e a África, era habitada por algumas tribos árabes que sobreviviam basicamente do pastoreio. Estas tribos possuíam diferentes estilos de vida e crenças. Os beduínos eram nômades e viviam no deserto, utilizando como meio de sobrevivência o camelo e praticando o comércio de caravanas. As tribos dos coraixitas, por sua vez, habitavam a região litorânea e viviam do comércio fixo.

Nos fins do século VI, o mundo árabe sofreu importantes transformações com o aparecimento de Maomé, um jovem e habilidoso caravaneiro que circulou várias regiões do Oriente durante suas atividades comerciais. Em suas andanças, Maomé entrou em contato com diferentes povos e, supostamente, conheceu as singularidades da crença monoteísta. Em 610, teve uma visão que o fez fundar uma nova religião: o islamismo.

Para defender sua religião, Maomé pregava em Meca, criticando o politeísmo. Acabou perseguido por suas crenças e, em 622, teve que fugir para Medina. Esta fuga é conhecida como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.

Islamismo

O islamismo, que significa “submissão a Deus”, ensina que todos os homens são iguais perante Alá (Deus, em árabe). Os ensinamentos de Maomé foram reunidos no Alcorão, livro sagrado dos islâmicos. A religião islâmica, ou muçulmana, é monoteísta e prega a imortalidade da alma. O templo dos muçulmanos é chamado de Mesquita. A religião estabelece alguns preceitos morais que o adepto deve seguir durante sua vida.

Dentre estes preceitos, estão orar cinco vezes ao dia, jejuar periodicamente, descansar nas sextas-feiras, fazer caridade, ir ao menos uma vez na vida aos lugares sagrados de Meca, cidade santa dos muçulmanos. Algumas interpretações do Corão falam da Jihad, ou guerra santa, para espalhar, por meio de conquistas, a religião islâmica e converter os infieis ao culto de um só Deus.

Os muçulmanos creem que os que morrem combatendo pela fé islâmica têm assegurado o paraíso. Isso explica o empenho mostrado pelos árabes em todas as suas conquistas.

A expansão

Antes de Maomé, os árabes eram politeístas. Cada tribo tinha as suas próprias divindades. Depois de Maomé, as tribos árabes foram unificadas sob os princípios da nova religião. Após a morte de Maomé, em 632, iniciou-se a guerra santa contra infieis do mundo inteiro. Em menos de um século, os árabes conquistaram a Síria, a Pérsia, o Egito, o norte da África e a Espanha.

Os ataques eram geralmente coordenados por um califa, chefe político e religioso, considerado sucessor do profeta Maomé. Em 711, atravessaram o estreito de Gibraltar e conquistaram quase toda a península ibérica. A seguir, atravessaram os Pireneus e entraram na Gália, mas foram derrotados pelos francos em 732.

Os árabes geralmente tratavam com moderação os povos conquistados, procurando respeitar os seus costumes. Essa era uma forma de manter sob controle estas populações.

Sunitas e Xiitas

No decorrer da expansão do império islâmico, surgiram fortes discussões para saber quem deveria controlar os ricos territórios conquistados. O crescimento da comunidade islâmica contribuiu para o surgimento de vários grupos político-religiosos. Dentre estes, destacaram-se os sunitas e os xiitas.

Os sunitas adotaram a suna – livro que conta a trajetória se Maomé – para resolver questões não esclarecidas pelo Alcorão. Eles só reconhecem líderes religiosos escolhidos diretamente pelos muçulmanos. Os xiitas, por sua vez, preferem uma interpretação mais rígida do Alcorão e não costumam admitir conhecimento de outros livros. Eles só reconhecem líderes religiosos que sejam descendentes diretos de Maomé.

Atualmente, o grupo xiita é normalmente associado aos pequenos grupos terroristas que mancham a reputação do mundo árabe. Os sunitas representam cerca de 80% da comunidade islâmica espalhada pelo mundo.

O declínio

O império islâmico se manteve unido durante quase duzentos anos após a morte de Maomé. Essa união só foi possível graças a religião e à língua árabe, presente no Corão. O declínio do império, no entanto, começou a partir do século VIII quando, um após outro, os governadores de diversas províncias passaram a negar ajuda ao governo central.

As rivalidades, o fanatismo e as ambições pessoais dos diversos califas, que se diziam herdeiros de Maomé, levaram à guerras civis, a desagração e à derrota. As pressões externas também contribuíram para esse declínio. Na península ibérica, no século XI, começou o movimento de reconquista dos cristãos com o objetivo de retomar os territórios em poder dos árabes.

No Oriente, no século XVI, os turcos otomanos conquistaram o que restava do outrora vasto império islâmico. Durante a primeira metade daquele século, os otomanos se tornaram senhores do Oriente Médio.

Legado cultural

Os árabes deixaram grandes contribuições culturais, assimilando o conhecimento das civilizações com as quais entravam em contato. Estas contribuições foram difundidas aos europeus durante a Idade Média. Nas artes, os árabes destacaram-se na arquitetura. Construíram grandes palácios e mesquitas. Desenhavam arabescos, ornamentos geométricos com caracteres em árabe, pois a reprodução de figuras humanas era proibida.

Na literatura, criaram obras até hoje conhecidas no Ocidente, tais como: “As mil e uma noites”, “As minas do rei Salomão” e “Ali Babá e os quarenta ladrões”. Na matemática, desenvolveram a álgebra e a trigonometria. Na química, dedicaram-se principalmente à alquimia. Na medicina, Avicena descreveu a natureza de várias doenças e a forma de curá-las.

Na agricultura, difundiram novos produtos e novas técnicas, como irrigação. No comércio, aperfeiçoaram o uso de recibos, cheques e cartas de crédito. Os árabes também trouxeram da China o conhecimento da bússola e da pólvora.