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Antecedentes

Denominamos Nova República ao período da história brasileira que se seguiu ao fim da ditadura militar, em 1985. Ficou caracterizado pela ampla democratização e estabilização econômica no país. Depois de vinte e um anos de governos militares, podemos dizer que a nação estava esgotada. Praticamente o mesmo grupo de pessoas participava há anos do governo.

Apesar de terem grandes poderes para agir, estes grupos não tomavam nenhuma nova medida para resolver os graves problemas da economia brasileira. Por sua vez, isolado no poder e mostrando-se sem vontade de governar, o general João Figueiredo não teve condições de impor à nação seu sucessor.

Assim, no final de 1983 e início de 1984, intensificou-se a campanha pelas eleições diretas para presidente da República e milhões de pessoas foram às ruas pedir o fim da Ditadura Militar.

Diretas Já

O movimento que exigia o fim da Ditadura Militar e eleições diretas para a escolha do sucessor do general Figueiredo ficou conhecido como Diretas Já. As manifestações envolviam “panelaços” e “buzinaços”. Nos comícios, a população se dava as mãos e cantava o hino nacional. O amarelo, a cor das diretas, tomou conta do país.

A votação ocorreu no Congresso Nacional em 25 de abril de 1984. Embora com grande maioria de votos, as eleições diretas para presidente da República não foram aprovadas. Assim, a eleição indireta do sucessor do general Figueiredo foi a 15 de janeiro de 1985. Votaram apenas senadores e deputados federais, sendo que os militares ficaram de fora.

O PMDB lançou como candidato Tancredo Neves, que venceu as eleições. Porém, Tancredo veio a falecer antes de tomar posse como o primeiro presidente civil depois de 21 anos de Ditadura Militar.

Governo José Sarney

Com a morte de Tancredo Neves, assumiu o seu vice, José Sarney, que governou de 1985 a 1989. Durante seu mandato, ocorreram importantes fatos no campo político e econômico. No campo político, foram restabelecidas as eleições diretas em todos os níveis. Além disso, adotou-se o voto do analfabeto, elaborou-se uma nova Constituição democrática.

No campo econômico, o novo governo adotou uma medida de impacto. Isto se deu no dia 28 de fevereiro de 1986, quando implantou o chamado Plano Cruzado, que substituiu a moeda cruzeiro pelo cruzado. Inicialmente bem recebido pela população, o plano acabou se mostrando um fracasso, com mercadorias faltando, empresários mudando preços, além de aumento do valor dos aluguéis.

A inflação voltou a subir, trazendo crise econômica. Em 1989, foi decretado o Plano Verão, que congelou preços e salários e substituiu o cruzado pelo cruzado novo. Ao fim do governo Sarney, a inflação era de 70% ao mês.

Constituição de 1988

Eleita em 15 de novembro de 1986, a Assembleia Nacional Constituinte – grupo responsável por elaborar uma nova Constituição – iniciou seus trabalhos em 1º de fevereiro de 1987. Assim, a Constituição de 1988 foi promulgada em 5 de outubro de 1988. Aos trabalhadores, o documento garantia direito à greve, jornada semanal de 44 horas semanais e mantinha alguns direitos já conquistados.

Outras mudanças foram o estabelecimento de dois turnos nas eleições para presidente, governadores e prefeitos de cidades com mais de 200 mil eleitores e voto opcional entre 16 e 18 anos. A Constituição previa a redistribuição dos impostos em favor de estados e municípios, benefícios e proteção às empresas brasileiras de capital nacional e limite de 12% ao ano para taxas de juros.

Importante lembrar que o documento também garantia o fim da censura a rádio, televisão, cinema, a proteção ao meio ambiente e mandato de cinco anos para presidente da República.

Governo Fernando Collor

Fernando Collor de Mello derrotou Luís Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989 e assumiu a presidência no dia 15 de março de 1990. Governou até 1992. Havia grande expectativa em relação à sua posse, pois era o primeiro presidente eleito diretamente pelo voto popular em quase 30 anos. As atenções se concentraram principalmente no campo econômico.

Em seu governo, a moeda voltou a ser o cruzeiro. Chefiado pela ministra Zélia Cardoso, o Ministério da Economia se concentrou no combate à inflação. Apesar de todas as iniciativas, no entanto, a situação do país continuou difícil. A principal consequência da política econômica de Collor foi a recessão, com a queda dos salários e aumento do desemprego e da miséria do povo. Diante da crise, Zélia Cardoso abandonou o governo em maio de 1991.

No final daquele ano, além da grave recessão, com diminuição da atividade econômica e desemprego generalizado, a inflação voltou a crescer a níveis de 20% ao mês.

O impeachment

Durante o seu governo, Fernando Collor bloqueou a poupança, contas correntes e aplicações. Além disso, deu o menor salário mínimo e a maior taxa de desemprego da história nacional. Collor prometeu acabar com os marajás, mas instalou-os no Palácio do Planalto. Afirmou que colocaria os corruptos na cadeia, mas participou de uma grande rede de corrupção.

Para esconder o seu fracasso e fazer frente ao descontentamento popular crescente, o governo montou uma bem acabada campanha publicitária mostrando o presidente como jovem e esportista. Mas não adiantou. Diante da crise política e econômica, o Congresso Nacional formou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar as denúncias em torno do presidente.

O processo – combinado à ação dos jovens caras-pintadas que exigiam a saída do presidente – acabou levando ao impeachment de Collor, ou seja, a cassação de seus direitos políticos, seguido de sua renúncia, em 1992.

Governo Itamar Franco

Afastado Collor, o seu vice Itamar Franco exerceu a presidência da República durante os anos de 1993 e 1994. Sua principal tarefa era baixar a inflação e criar uma moeda estável. Depois de algumas tentativas que não deram certo, Itamar Franco convidou o sociólogo Fernando Henrique Cardoso para ocupar o Ministério da Fazenda.

Com apoio do presidente, Fernando Henrique formou uma equipe com economistas que já haviam trabalhado em planos anteriores e elaborou o Plano Real, que passou a vigorar em 1º de julho de 1994. O Plano Real consistiu na adoção de uma nova moeda, o real, que substituiu o cruzeiro real, e na tentativa de manter a estabilidade dessa moeda, ou seja, fazer com que seu valor permanecesse o mesmo.

A adoção da nova moeda não trouxe só benefícios ao país. A diminuição do consumo, somada ao controle dos salários, aumentou o desemprego e a concentração de riquezas.

Governo Fernando Henrique

Em abril de 1994, com o Plano Real já encaminhado, Fernando Henrique Cardoso se tornou presidente da República em 1º de janeiro de 1995, vencendo Lula ainda no primeiro turno. Fernando Henrique governou o Brasil durante oito anos, de 1995 a 2002. Foi o primeiro presidente da República a governar por dois mandatos consecutivos, devido a uma mudança constitucional que permitia a reeleição.

Com o sucesso da nova moeda, a principal preocupação do presidente era controlar a inflação. Para isto, o governo elevou as taxas de juros da economia. Outra iniciativa de destaque em seu governo foi privatizar empresas estatais, como a Vale do Rio Doce e Sistema Telebrás. Por este motivo, Fernando Henrique foi duramente criticado pela oposição ao seu governo.

Seu segundo mandato, a partir de 1999, começou em meio a crises, como recessão econômica, fuga de investidores do país e a crise energética, que levou o país a um “apagão” em 2001.

Governo Luís Inácio

Os problemas econômicos e sociais desgastaram a popularidade de Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, Luís Inácio Lula da Silva venceu as eleições no segundo turno contra José Serra. Lula também governou durante dois mandatos, de 2003 a 2010. Seu governo, ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT), ficou marcado por melhorias sociais e escândalos políticos.

Na economia, o maior mérito do governo petista foi a manutenção da política dos governos anteriores. Crítico do Plano Real, Lula, deu continuidade ao programa que controlou a inflação e possibilitou estabilidade econômica. Seu governo também ficou marcado pela redistribuição de renda, programas sociais como o Bolsa Família, a expansão do crédito e o aumento de empregos formais e do salário mínimo.

Por outro lado, o governo ficou marcado por sucessivos escândalos políticos, como o mensalão, em 2005, que manchou a credibilidade do PT e dos parlamentares brasileiros.