Neste resumo, você vai conhecer os povos indígenas do Brasil, sua origem, a questão do termo, os troncos linguísticos, organização social e política, a diminuição de sua população no decorrer dos séculos. Ao terminar de ler o conteúdo, faça o quiz e teste seus conhecimentos.

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Antecedentes

A presença dos índios no território brasileiro é muito anterior à chegada dos primeiros europeus, por volta de 1500. Neste período, a população indígena variava entre três e cinco milhões de habitantes, divididos em vários grupos, como os xavantes, caraíbas, tupis, jês e guaranis.

Geralmente, o acesso às informações sobre essas populações são bastante restritas. A falta de fontes escritas e a morte de muitos indígenas acabaram limitando as possibilidades de estudo destas culturas. O maior contato desenvolvido entre índios e europeus aconteceu nas faixas litorâneas do nosso território, onde predominam os povos pertencentes ao grupo tupi-guarani.

Assim, sobre estes indígenas existem muitas informações provenientes de relatos e documentos, o que ajuda a compreender aspectos de sua organização social, política e costumes.

A invenção do índio

Os povos que habitavam as Américas foram chamados pelos europeus de índios. O termo é uma invenção europeia e provém de um “erro histórico”. Ao chegar às Américas, durante a expansão marítima, os europeus achavam que tinham chegado às Índias. Assim, os povos que habitavam o continente americano foram chamados de índios.

Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando propositalmente as suas diferenças linguísticas e culturais. Afinal, era mais fácil tornar os nativos todos iguais, pois o objetivo dos europeus era o domínio político, econômico e religioso nas terras conquistadas.

Línguas indígenas

Até a chegada dos primeiros colonizadores portugueses, eram faladas no Brasil aproximadamente 1.300 línguas indígenas. Atualmente, cerca de 180 línguas são encontradas pelo território brasileiro. As línguas faladas pelos povos indígenas são agrupadas em famílias linguísticas. Por sua vez, estas famílias são reunidas em troncos linguísticos. Os dois principais troncos linguísticos são o Tupi e o Macro-Jê.

O tronco Tupi, que reúne cerca de 10 famílias linguísticas, é o maior e o mais conhecido. Os povos indígenas pertencentes a ele se encontram espalhados pelo território brasileiro, geralmente em regiões de floresta ou no litoral. Os povos indígenas do tronco Macro-Jê, que reúne aproximadamente 12 famílias linguísticas, situam-se em regiões de cerrado e caatinga, do Pará ao sul do país.

Algumas línguas não puderam ser classificadas dentro de nenhuma família ou tronco, permanecendo na categoria de não classificadas ou línguas isoladas.

Política

Os povos tupi-guarani não contavam com nenhum tipo de organização estatal ou hierarquia política que pudesse distinguir os integrantes da tribo. Apesar disso, alguns guerreiros e chefes espirituais eram valorizados pelas habilidades que detinham. Em algumas aldeias, nomeava-se um cacique e um pajé.

O pajé era o sacerdote e fazia rituais, como a pajelança. O cacique, por sua vez, fazia o papel de chefe, na função de organizar e orientar os índios. Muitas vezes, diferentes tribos mantinham contato entre si em busca da manutenção de alguns laços culturais ou em razão da proximidade da língua falada.

Sociedade

Entre os povos tupi-guarani, a aldeia podia abrigar 700 habitantes, divididos entre seis a dez casas, conhecidas como ocas. O tamanho e o comprimento das ocas mudavam de acordo com as necessidades da aldeia. Para buscarem sustento, estes povos praticavam a caça, a coleta, a pesca e, em alguns casos, atividades agrícolas. A realização das tarefas poderia variar segundo o gênero e a idade de cada um dos integrantes da aldeia.

Assim, as mulheres desenvolviam atividades agrícolas, o artesanato, preparavam os alimentos e cuidavam dos menores. Por sua vez, os homens deveriam realizar o preparo das terras e as atividades de caça e pesca. Os animais domesticados eram, geralmente, de pequeno porte. Os mais comuns eram o porco do mato e a capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha.

Os casamentos serviam para estabelecer alianças entre aldeias e reforçar os laços de parentesco. Em algumas situações, a poligamia era aceita.

Religião

No campo religioso, o tupi-guarani acreditava na existência dos espíritos e na reencarnação dos seus antepassados. Em diversas situações, estas crenças eram fonte de explicação para a origem do mundo ou a ocorrência de eventos importantes.

Algumas tribos, como os Tupinambá, costumavam praticar a antropofagia, ou seja, o consumo de carne humana de forma ritual ou simbólica. Assim, estes indígenas acreditavam que, ao comerem a carne do inimigo, estariam incorporando a sua sabedoria, valentia e conhecimento.

Contato com o europeu

De acordo com relatos e documentos oficiais, o primeiro contato dos indígenas brasileiros com os europeus se deu em 1500.No geral, a visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. A cultura indígena costumava ser vista como inferior à cultura europeia. Em alguns casos, era vista como exótica.

Este fato justificou a dominação do europeu sobre o indígena, cuja população diminuiu consideravelmente em decorrência de guerras, escravidão e doenças que dizimavam populações inteiras. Muitas tribos sofreram processo de aculturação. Proibidas de seguir os seus costumes, foram obrigadas a falar o português e adotar as vestimentas do chamado homem branco.

Parte deste processo aconteceu por meio da conversão dos povos indígenas ao cristianismo, iniciado pelos jesuítas através da catequese.

Os índios hoje

Atualmente, calcula-se que 400 mil índios ocupam o território brasileiro, divididos em 200 etnias e 170 línguas. Isto significa 0,25% da população brasileira. Vale ressaltar que este cálculo considera apenas os indígenas que vivem em aldeias. Há estimativas de que, além destes, há entre 100 e 190 mil vivendo fora das terras indígenas.

Existem ainda tribos que permanecem isoladas, evitando o contato com o chamado “homem branco”. Porém, são minoria se comparados aos outros indígenas. Os indígenas hoje buscam o reconhecimento de seus diretos pelo Estado e muitos ainda sofrem grandes obstáculos no exercício de sua autonomia.