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Resumo: Pré-História do Brasil

novembro 30th, 2011|Resumos|19 Comments


No Resumo: Pré-História do Brasil, você vai aprender sobre a chegada dos primeiros seres humanos em território brasileiro, as descobertas da Arqueologia, a classificação dos grupos de acordo com seu modo de vida. Ao terminar de ler o conteúdo, faça o quiz e teste seus conhecimentos.

Resumo: Pré-História do Brasil

Aspectos gerais

De acordo com os pesquisadores, foi no continente africano que surgiram os primeiros seres humanos. Da África, nossos ancestrais deslocaram-se para outras regiões do planeta, ocupando os mais variados ambientes no decorrer de milhares de anos. Uma destas regiões foi a América.

Há várias hipóteses sobre a ocupação humana da América. A mais aceita afirma que os primeiros seres humanos chegaram ao continente pelo norte da Ásia, através do Estreito de Bering. Dentro dos estudos arqueológicos desenvolvidos na América, o Brasil concede uma significativa contribuição proveniente de seus diversos sítios arqueológicos.

Estes vestígios fazem parte da Pré-História Brasileira, sendo que ela possui características e datações que diferem da pré-história em outras regiões do planeta.

Arqueologia brasileira

No Brasil, a presença humana está documentada no período situado entre 11 e 12 mil anos atrás. Porém, novas evidências têm sido encontradas que comprovariam ser ainda mais antiga esta ocupação. No Boqueirão da Pedra Furada, no Piauí, um grupo de arqueólogos notificou a presença de facas, machados e fogueiras com cerca de 48 mil anos de existência.

Na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, é o local onde está registrado uma das mais notórias descobertas da arqueologia nacional. Trata-se do crânio feminino, apelidado de Luzia, que existiu há cerca de 11.500 anos. Os arqueólogos dividem os antigos habitantes de nosso país em três grupos, de acordo com a sua forma de viver e ferramentas. Assim, temos os povos caçadores-coletores, os povos do litoral e os povos agricultores.

Estes grupos seriam, posteriormente, denominados pelos conquistadores europeus de índios.

Povos caçadores-coletores

Os povos caçadores-coletores ocuparam boa parte do território nacional, do Sul ao Nordeste, entre 50 mil e 2500 anos atrás, aproximadamente. No geral, viviam em cavernas, em espaços abertos ou florestas. Usavam, para caçar, arcos e flechas, boleadeiras e instrumentos de pedra em forma de bumerangue.

Estes povos se alimentavam da carne da caça de pequenos animais, peixes, moluscos e frutos silvestres. No Nordeste, eles habitaram cavernas e deixaram grande quantidade de arte rupestre. Estas pinturas representavam figuras humanas, cenas de caça, danças e guerras.

No Sudeste, os povos caçadores-coletores são denominados de tradição Humaitá. No Sul, são chamados de tradição Umbu.

Povos do litoral

Os povos do litoral habitaram a costa do Brasil, desde o Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, há cerca de 6 mil anos atrás. Eram povos coletores, mas sua dieta se baseava, principalmente, na abundância de alimentos que coletavam na orla marítima, como peixes, moluscos e crustáceos.

Eles usavam o fogo e, devido à grande oferta de comida, fixavam-se em muitos lugares sem a necessidade de constante deslocamento. Fabricavam arpões e anzóis de ossos e poliam seus instrumentos. Alguns arqueólogos acreditam que as conchas dos moluscos que comiam e os instrumentos que utilizavam iam se amontoando, criando enormes dunas de conchas chamadas de sambaquis, ou concheiros.

Outros arqueólogos afirmam que os sambaquis eram construídos propositalmente. Estes concheiros também eram utilizados como local onde enterravam seus mortos.

Povos agricultores

Os povos agricultores ocupavam várias regiões do país, entre 3500 e 1500 anos atrás, aproximadamente. No geral, habitavam em cabanas ou casas subterrâneas. Estes povos conheciam a cerâmica, os corantes, compostos medicinais naturais, plantavam mandioca e praticavam a coivara, ou seja, queimadas para limpar a terra.

A mais conhecida cultura cerâmica deste grupo é a cerâmica marajoara, da Ilha de Marajó. Esta cerâmica apresenta decoração e tamanho peculiares. No Rio Grande do Sul, os povos agricultores eram chamados de itararés. No litoral Sudeste e Nordeste, eram conhecidos como tupis-guaranis.

Foram estes os povos que entraram em contato com os portugueses, quando estes chegaram ao Brasil. Muitos foram escravizados e uma boa parte morreu decorrente de guerras e doenças trazidas pelos europeus.

19 Comments

  1. klaus do iate 16 de março de 2012 at 9:54 - Reply

    Tenho muitas duvidas…
    O povo de Luzia pode ser enquadrado em algunm destes 3 grupos?
    De onde começa a expansao dos tupi-guaranis?
    O que é a crença tupi da “Terra sem males”?
    Qual a relacao se é que havia alguma entre tapajônicos e marajoaras?

    • Michel Goulart 16 de março de 2012 at 10:26 - Reply

      Eu tenho pesquisado muito e também tenho muitas dúvidas. Aliás, o mal do arqueólogo é a incerteza. Afinal, Guidon datou vestígios de 50 mil anos no Piauí, sem material ósseo e Lund datou material ósseo de 11500 anos em Minas Gerais sem vestígios. Tá de brincadeira…

      Em relação às perguntas, acredito que Luzia, por fazer parte dos primeiros povoadores, não se encaixa em nenhum daqueles grupos. A expansão tupi-guarani parece ter iniciado com a vinda dos primeiros grupos humanos da América Central. A Terra sem Males é um mito de criação guarani, muito semelhante ao mito de criação judaico – há o elemento do dilúvio, da arca e do paraíso celestial. Tapajônicos eu nunca ouvi falar.

  2. klaus do iate 16 de março de 2012 at 13:27 - Reply

    Muito legal, prof Michel.
    Pensava que os tupis tivesem começado sua expansao na bacia do Alto Paraguai. A crença na Terra sem Males os motivaram a migrar até litoral brasileiro? O litoral brasileiro antes da chegada do europeu era uma Terra sem Males comparado com de onde vinham? O canibalismo tupi era só uma questao de crença ou havia alguma carencia de nutriente por aqui. Em Pascoa foi por isto. Entre astecas era algo relacionado a perda de energia do deus criador ter que ser reposta. Em regiao central montanhosa de Papua Nova Guine já se aventou algo assim (pobreza de fontes de proteina animal em regiao de alta densidade demografica nativa

  3. klaus do iate 19 de março de 2012 at 10:40 - Reply

    Michel ha este site aqui, mas ele é um pouco truncado.
    http://www.viafanzine.jor.br/arqueologia4.html

    Nao entendi bem se tapajonico e marajoara sao a mesma cultura com pequenas diferenças devidas a localizacao um na ilha Marajó e a outra na foz do rio Tapajós ou se elas se diferenciavam no tempo sendo os tapajonicos atuantes entre 1500 aC e 1000aC e depois sumindo enquanto os marajoaras pérmaneceram até europeus chegarem.

  4. giulia 3 de julho de 2012 at 15:05 - Reply

    Devia ter mais assuntos pra pesquisarmos nao é?

  5. EnigmA 30 de agosto de 2012 at 22:28 - Reply

    Cadê o podcast??????

    • Michel Goulart 31 de agosto de 2012 at 14:06 - Reply

      Havia uma versão em áudio dos resumos. Mas a qualidade ficou tão ruim que resolvemos tirar. Agora, resta editar resumo por resumo no slideshare para retirar o aviso de podcast (.mp3).

  6. ALMERINDA 10 de fevereiro de 2013 at 1:59 - Reply

    FOI MUITO IMPORTANTE PRA MIM ESTE CONTEÚDO ME AJUDOU BASTANTE NAS MINHAS PESQUISAS.

  7. samara sofia 14 de fevereiro de 2013 at 15:24 - Reply

    eu amo história
    amooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!…

  8. sandra 14 de fevereiro de 2013 at 15:26 - Reply

    é verdade samara
    eu tb amo!!!!!!!!!!!!!!!!!

  9. klaus do Iate 19 de abril de 2013 at 10:29 - Reply

    Isto aqui está bem legal, para quem quiser mais detalhes (wikipedia portugesa)

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_pr%C3%A9-cabralina_do_Brasil

    Michel, vc lembra daquela questão que você postou da semelhança entre Grécia e Xingu, pois bem, as tais cidades do Xingu citadas na questão se referiam aos Kuhikugu, ancestrais dos kuikuros atuais, descobertas por um arqueologo xará teu: M Heckenberger

  10. klaus do Iate 19 de abril de 2013 at 11:02 - Reply

    Na Amazônia entre 1000aC e 1500 desenvolveram-se caciados complexos identificaveis por cêramicas de dois tipos:
    1)A do Horizonte Policrômico: No baixo Amazonas (Marajoaras) medio amazonas (guaritas) e no alto Amazonas fora do Brasil,
    é caracterizada pelas cores vermelha , branca e preta e por incisoes rasas e desenhos geometricos. Antepssado dos povos de fala tupi!
    2) Horizonte Inciso Ponteado. Entre os sítios Santarém (Tapajônicos,Baixo Amazonas) e Itacoatiara (Médio Amazonas), é caracterizado pelas incisões profundas e pela técnica de ponteação, associado aos antepassados dos povos de língua Karib.

  11. klaus do Iate 19 de abril de 2013 at 11:10 - Reply

    Então os tupis que os portugueses encontraram no litoral seriam emigrantes a procura de uma Terra Sem Males (os Males de uma vida urbanoide, uma civilização densamente pvoada faminta, rigidamente estratificada e colapsada por uma enchente amazonica fora do comum?). Uma vez li que as tribos tupis quando tinham uma colheita excepcionalmente alta, ao invés de estocar comida, convidavam tribos vizinhas para uma festa de arromba para gastar tudo, extreamente avessos a estoques. Quando lembro do dialogo de Jean de Lery com um velho tupi, também paparece um asco em pensar no futuro ou estocar coisas, um pulinho para criar Estados. Haveria então uma opção cultural consciente e premeditada em cosntruir uma sociedade estatal? O motivo de disto poderia então ser esquecida com o tempo, só restando tradição da Terra sem males? E mais tarde diante daqueles estranhos brancos barbudos terem retomado o gosto por uma vida mais facil, mesmo com coleira de civilização? lembrar que a civilização europeia não foi imposta por arma ou catequese todo tempo, muitas vezes os nativos resolviem voluntariamente cooperar com os ET´s para partilhar as benécies européias.

  12. gabrielalvesbispo 31 de julho de 2014 at 19:03 - Reply

    isso foi muito bom mas quando os portugueses chegaram no brasil eles feis muitas guerras coitados dos agricultores

  13. gabrielalvesbispo 31 de julho de 2014 at 19:06 - Reply

    e um cranio que ficou enterrado ha cerca de 11500 anos nossa e muito tmpo

  14. Ricardo 25 de maio de 2015 at 21:51 - Reply

    Muito bom o site!!!!!!!

    é possivel ter acesso ao texto como em .doc ou similar?

    abraço

  15. gegliane Silva 25 de setembro de 2015 at 0:26 - Reply

    Aqueles que gostaria de saber mais ou aprofundar uma pesquisa na área da “Arqueologia” temos um grupo no face chamado Acervo Arqueológico, vocês podem baixar os arquivos, conhecer mais, e fazer perguntas, entre os membros temos desde de um graduando de Arqueologia a um Drº Arqueólogo e outras areas interligadas com a Arqueologia.

  16. Camaleão Do Gelo 14 de julho de 2016 at 10:28 - Reply

    Muito bom, comecei a gostar de história faz pouco tempo, mas gosto muito c Deus quiser pretendo me especializar na área, e fazer faculdade de história, muito bom História é uma das melhores disciplinas. Bem eu já ouvi falar nessas evidencias de homens no Piaui, eu achei muito foda.

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