Neste resumo, você vai conhecer os motivos que levaram ao início da Revolução Inglesa, o protesto contra o absolutismo, a instalação de um novo governo e o início da monarquia parlamentarista. Ao terminar de ler, confira outros recursos para você aprender mais, como videoaulas, questões, mapas mentais, dentre outros

Antecedentes

A Revolução Inglesa, do século XVII, representou a primeira manifestação de crise do Antigo Regime, representado principalmente pelo absolutismo do rei. O poder monárquico, severamente limitado, cedeu à maior parte das exigências do Parlamento e instaurou-se o sistema parlamentarista, que permanece até hoje. Na Inglaterra existe a monarquia, mas quem manda é o primeiro-ministro.

O processo começou com a Revolução Puritana, de 1640, e terminou com a Revolução Gloriosa, de 1688. As duas fazem parte de um mesmo processo revolucionário. A Revolução Inglesa criou as condições indispensáveis para a Revolução Industrial do século XVIII, que iniciou na Inglaterra, abrindo espaço para o avanço do capitalismo na Europa e no mundo.

É considerada a primeira grande revolução burguesa da história da Europa, ocorrendo muito antes da chamada Revolução Americana (1776) e da Revolução Francesa (1789).

A Dinastia Tudor

O absolutismo da Inglaterra teve início após a guerra das Duas Rosas (1455-1485). Essa guerra foi uma luta entre duas famílias nobres – os Lancaster e os York – apoiadas por grupos rivais da nobreza. A guerra terminou com a ascensão de Henrique Tudor, apoiado pela burguesia. O novo monarca subiu ao trono com o nome de Henrique VII e fundou a dinastia Tudor, governando de 1485 a 1509.

Henrique VIII, segundo rei da dinastia, governou até 1547, e conseguiu impor sua autoridade aos nobres. Fundou o anglicanismo e rompeu com a Igreja Católica, apropriando-se de suas terras. A rainha Elizabeth I, que reinou de 1558 a 1603, conseguiu aumentar ainda mais o poder real. Completou a obra de seu pai, Henrique VIII, perseguindo católicos e protestantes puritanos.

Elizabeth I morreu sem deixar herdeiros e foi a última monarca da dinastia Tudor.

A vida social inglesa

Na dinastia Tudor, a Inglaterra passou por um grande desenvolvimento econômico. Seus reis unificaram o país, afastaram a Igreja Católica e criaram colônias na América. Por outro lado, ocorreu à formação de monopólios comerciais, que serviram para impedir a livre concorrência, gerando divisão da burguesia inglesa.

Problemas ocorriam também nas zonas rurais. Com a alta de produtos agrícolas, as terras foram valorizadas, o que estimulou a política dos cercamentos. Terras coletivas foram transformadas em particulares. O resultado foi a expulsão de camponeses das zonas rurais e a criação de grandes propriedades para a criação de ovelhas e produção de lã, condições necessárias para ocorre a Revolução Industrial no século XVIII.

Para não deixar o conflito entre camponeses e grandes proprietários aumentar, o governo tentou impedir os cercamentos. Porém, a gentry – nobreza rural – e a burguesia mercantil foram fortes oponentes.

A Dinastia Stuart

Elizabeth I morreu sem deixar herdeiros e, por isso, subiu ao trono seu primo Jaime I, que deu início à dinastia Stuart. Seu reinado, que ocorreu entre 1603 a 1625, foi marcado por fortes conflitos. Durante o seu governo, dissolveu o parlamento várias vezes e perseguiu católicos com pretexto de que estavam envolvidos na Conspiração da Pólvora, em 1605, uma tentativa de matar Jaime I.

Os atritos entre o rei e o parlamento ficaram fortes e intensos, principalmente depois de 1610. Em 1625, Jaime I veio a falecer e seu filho, Carlos I, assumiu o poder. Carlos I continuou a política absolutista, dissolvendo o parlamento, e tentou impor a religião anglicana aos protestantes escoceses. Isso gerou rebeliões por parte dos escoceses, que invadiram o norte da Inglaterra.

Com isso o rei viu-se obrigado a reabrir o parlamento para obter ajuda da burguesia e da gentry. Mas o parlamento tinha mais interesse no combate ao absolutismo. Por isso foi fechado novamente, iniciando uma guerra civil.

A Guerra Civil

A guerra civil estendeu-se de 1641 a 1649, dividiu o país e foi um marco importante na Revolução Inglesa. De um lado estavam os cavaleiros, exército fiel ao rei e apoiado pelos senhores feudais. De outro, os cabeças-redondas, que apoiavam o parlamento e estavam ligados a gentry.

No início da guerra civil, o rei teve o apoio dos aristocratas do oeste e do norte, juntamente com uma parte dos ricos burgueses, que estavam preocupados com as agitações sociais. Em contrapartida, o exército do parlamento foi comandado por Oliver Cromwell, formado por camponeses, burgueses de Londres e a gentry.

Os cabeças-redondas derrotaram os cavaleiros na Batalha de Naseby, em 1645. Carlos I fugiu para a Escócia, mas foi capturado e executado a mando do parlamento. Foi um dos primeiros golpes contra o absolutismo na Europa.

A Revolução Puritana

O Oliver Cromwell, após a queda do rei, tornou-se governante, iniciando um período denominado Revolução Puritana, por ser ele um puritano. Este período durou de 1649 a 1658. A medidas de Cromwell atendiam aos interesses burgueses. Quando começou a haver rebeliões na Escócia e na Irlanda, ele as reprimiu com brutalidade.

Cromwell também procurou eliminar a reação monarquista. Fez uma “limpeza” no exército. Executou os líderes dos chamados diggers, trabalhadores rurais que queriam tomar terras do estado, nobreza e clero. Para combater os holandeses e fortalecer o comércio, criou os Atos de Navegação. Estes atos determinavam que o comércio com a Inglaterra só poderia ser feito por navios ingleses ou de países que faziam negócios com a Inglaterra.

Em 1653, Cromwell autonomeou-se Lorde Protetor da República, seus poderes eram tão absolutos quanto de um rei. Com apoio dos militares e burgueses, governou com rigidez e intolerância. Morreu em 1658.

A Revolução Gloriosa

A Revolução Gloriosa, que durou de 1660 a 1688, ficou marcada pelo retorno da monarquia dos Stuart ao poder na Inglaterra, ainda que subordinada aos interesses do parlamento. Com a morte de Oliver Cromwell, seu filho, Richard, assumiu o poder. Porém, foi deposto um ano depois, em 1659. Carlos II, então, foi proclamado rei da Inglaterra, mas com poderes limitados.

Com a morte de Carlos II, em 1685, seu irmão, Jaime II, assumiu o governo. Da mesma forma que o irmão Carlos, Jaime não aceitava muito bem a influência do parlamento sobre a monarquia. Além disso, era católico. O parlamento, temendo um retorno do absolutismo e do catolicismo, convocou o príncipe holandês Guilherme de Orange, casado com Maria Stuart – filha de Jaime II – para ser o novo rei da Inglaterra, com o título de Guilherme III.

Jaime II fugiu para a França. Para se manter no poder, Guilherme III teve que assinar a Declaração de Direitos. A declaração concedia amplos poderes ao parlamento, mantendo a monarquia subordinada a ele.