Neste resumo, você vai conhecer os motivos que levaram à vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808. Você vai aprender sobre as mudanças que ocorreram no Brasil, pelas mãos de D. João VI. Ao terminar de ler o conteúdo, faça o quiz e teste seus conhecimentos.

Antecedentes

O processo de independência do Brasil começou em 1808, quando a família real portuguesa veio para o Brasil. O motivo desta vinda está ligado aos interesses de Napoleão Bonaparte, que desejava dominar a Europa.

Então imperador da França, Bonaparte derrotou exércitos de vários países. No entanto, a Inglaterra, por ser uma ilha, oferecia grande resistência.Isto porque a marinha inglesa era mais poderosa do que a marinha francesa, fazendo com que Napoleão sofresse uma grande derrota naval, na Batalha de Trafalgar.

Não conseguindo vitória militar contra a Inglaterra, Napoleão criou uma forma de enfraquecê-la economicamente, através do Bloqueio Continental.

Bloqueio Continental

O Bloqueio Continental foi um decreto napoleônico de 1807, que proibia todos os países europeus de comercializarem com a Inglaterra. Napoleão achava que, enfraquecendo os ingleses economicamente, poderia facilmente dominá-los.

Portugal, por ser um antigo aliado da Inglaterra, desobedeceu ao bloqueio. Napoleão logo acionou suas tropas para invadir o reino português. Temendo a perda de seu poder – e sob a proteção da Inglaterra – o príncipe regente D. João fugiu com a família real portuguesa, vindo para o Brasil.

D. João

No período napoleônico, D. João era príncipe regente de Portugal pois, sua mãe, D. Maria I, não podia governar devido a problemas mentais. Em 1818, com a morte de sua mãe, D. João foi coroado rei, com o título de D. João VI.

Foi casado com a princesa espanhola Carlota Joaquina, com quem teve três filhos e seis filhas.

A viagem

D. João fugiu com, aproximadamente, 15 mil nobres portugueses, em 14 embarcações. Como não sabiam ao certo quanto tempo iam ficar no Brasil, os nobres trouxeram riquezas, documentos, bibliotecas, coleções de arte e tudo o que podiam transportar.

Depois de algumas semanas de viagem, uma forte tempestade separou as embarcações. Algumas, como a de D. João, foram para Salvador. As restantes, para o Rio de Janeiro. De Salvador, D. João transferiu-se para o Rio de Janeiro, em março de 1808. E foi nesta cidade que ocorreram as maiores mudanças efetuadas em seu governo.

A chegada

Ao chegar no Rio de Janeiro, D. João foi recebido com grandes festas, preparadas por seus amigos e funcionários. Mas a população do Rio de Janeiro não apreciou muito a vinda da família real. Em 1808, o Rio de Janeiro tinha em torno de 60 mil habitantes, sendo que 40 mil eram escravos.

Os 15 mil membros da família real causaram uma verdadeira “avalanche humana” na cidade, obrigando D. João a tomar uma medida impopular. Para abrigar tantos nobres, D. João mandou despejar os moradores das melhores residências da cidade, mandando afixar, nas portas, as letras P.R. Esta sigla significava “Príncipe Regente”, ou “Propriedade do Rei”.

Acomodado no Rio de Janeiro, D. João começou a efetuar uma série de mudanças econômicas e culturais que iriam mudar não só a cara da cidade, como também futuro do país.

Abertura dos Portos

A primeira coisa que D. João fez, ao chegar ao Brasil, foi abrir os portos brasileiros a todas as nações amigas. Como o império português tinha agora sua sede no Brasil, Portugal só poderia comercializar com outros países a partir dos portos brasileiros.

Quem saiu ganhando foram os ingleses que, naquela época, dominavam o comércio mundial. Prejudicada pelo Bloqueio Continental, a Inglaterra viu abrir um amplo mercado no Brasil. Os principais portos brasileiros foram tomados por mercadorias inglesas. Havia, inclusive, produtos de inverno que, no calor tropical do Rio de Janeiro, não tinham muita utilidade.

A Abertura dos Portos também rompeu com o pacto colonial entre Brasil e Portugal, enfraquecendo a influência da metrópole sobre a colônia, e criando as condições para a proclamação da independência, em 1822.

Mudanças econômicas

Outras medidas tomadas por D. João serviram de estímulo para as atividades econômicas do Brasil. Entre elas, podemos destacar a anulação da lei que proibia a instalação de indústrias no país.

Isto permitiu a abertura de fábricas e usinas, sendo que a produção de ferro obteve bastante progresso. A produção agrícola também cresceu, surgindo o café, ao lado do açúcar e do algodão. O café, pouco tempo depois, passaria a ocupar o primeiro lugar nas exportações brasileiras.

Não podemos deixar de destacar a fundação do Banco do Brasil, que se tornou símbolo da economia liberal no país.

Mudanças culturais

A cultura do país passou por grandes transformações, a partir da vinda de D. João VI. Vários cursos foram criados no Rio de Janeiro e Bahia, como cirurgia, química, agricultura, desenho técnico, entre outros.

Foi fundado o Museu Nacional, o Observatório Astronômico, a Biblioteca Real e a Imprensa Régia. Além disso, a arte se destacou com a vinda da Missão Francesa ao Brasil, em 1816. Debret foi um dos grandes pintores da missão, e retratou cenas do cotidiano brasileiro, na época.

Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal Brasil e Algarves. Em 1821, as capitanias passaram a se chamar províncias.