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Antecedentes

Feudalismo foi um tipo de organização política, social e econômica que caracterizou a Europa em boa parte da Idade Média. O feudo era a unidade de produção do feudalismo e estava sob o domínio de um senhor feudal.

Os camponeses, chamados de servos, estavam ligados à terra. Para viver no feudo, ofereciam sua força de trabalho aos senhores. Entre os séculos X e XV, ocorreram uma série de transformações na Europa que contribuíram para a crise do feudalismo. Este período também é chamado de Baixa Idade Média.

Dentre estas transformações, podemos destacar o renascimento comercial e urbano, a formação das monarquias nacionais, a guerra dos cem anos, a peste negra e as revoltas camponesas.

Renascimento comercial

Na Idade Média, a partir do século IV, mais de 90% da população da Europa passou a viver no campo. As cidades esvaziaram e a produção agrícola predominava nos feudos. O comércio era quase inexistente. A partir do século X, esta situação começou a mudar. O comércio passou a se intensificar, motivado, especialmente, pelas Cruzadas.

As Cruzadas contribuíram para o restabelecimento das relações entre o Oriente e o Ocidente e para a abertura do Mar Mediterrâneo aos mercadores. Além disso, com as Cruzadas, a Europa passou a conhecer uma grande quantidade de produtos trazidos do Oriente, como especiarias, sedas e tapetes.

O modo de vida dos mercadores, responsáveis pelo renascimento do comércio, não se baseava na agricultura e na terra, mas no comércio e no dinheiro. Viajavam por rotas comerciais e vendiam produtos em grandes feiras.

Renascimento urbano

À medida que o comércio se expandia, iam surgindo cidades exatamente nos locais onde as feiras eram realizadas. Isto ficou conhecido como Renascimento Urbano. Por razões de segurança, os mercadores procuravam realizar as feiras em lugares fortificados ou cercados de muralhas.

Estes locais, chamados de burgos, pertenciam à Igreja ou senhores feudais e garantiam a defesa das feiras. Com o tempo, os mercadores passaram a se estabelecer ali. Nos burgos, se instalaram oficinas de artesãos: sapateiros, ferreiros, carpinteiros, entre outros. Assim, em volta da primeira fortificação surgia um novo núcleo, também cercado de muralhas.

Os moradores desta segunda zona fortificada chamavam-se burgueses e, posteriormente, passaram a constituir a burguesia. Os burgueses eram homens livres, desvinculados do sistema feudal.

As corporações de ofício

A expansão do comércio e o crescimento das cidades trouxeram conflitos. As terras da cidade pertenciam a senhores feudais ou bispos que desejavam cobrar altos impostos. Para se proteger destas exigências, os burgueses se uniam em ligas ou corporações, a fim de conquistar para as suas cidades a liberdade necessária.

As corporações passaram a ser as principais organizações das cidades medievais. Inicialmente, havia apenas uma associação que reunia todos os mercadores da cidade. Mais tarde, porém, foram criadas corporações de ofício, ou guildas, formadas pelos mestres de cada ofício da mesma cidade. Assim, havia corporações de ourives, de peixeiros, carpinteiros, entre outros.

As corporações estabeleciam regras sobre o modo e a duração do trabalho, fixavam os preços dos produtos e os salários. Em muitas cidades, eram tão poderosas que chegaram a construir edifícios para se reunirem.

A vida nas cidades

Se por um lado as cidades ofereciam uma alternativa à vida dura e fechada nos feudos, por outro havia uma série de problemas de infraestrutura e planejamento urbano. As cidades medievais não ofereciam condições de conforto e higiene, em virtude de seu crescimento desordenado. Este crescimento era limitado somente pelas muralhas.

Como não era possível destruir os muros, e a população aumentava, as casas cresciam para cima, chegando a ter até três andares. A maior parte era de madeira, o que favorecia os incêndios. Nas cidades não existia calçadas ou sistemas de esgoto. À noite, quase não havia iluminação. As pessoas circulavam pela cidade no meio de animais.

As monarquias nacionais

Durante quase toda a Idade Média não existiam países, como conhecemos hoje. O processo de formação das nações começou no final do século XII e se consolidou entre os séculos XIV e XV. Só então foram criadas línguas e leis nacionais. A formação das nações ocorreu porque os burgueses, que constituíam a nova classe social da época, sentiam-se prejudicados com o sistema feudal.

O senhor feudal cobrava impostos e taxas por qualquer atividade comercial. A variedade de leis, línguas e moedas atrapalhava o comércio. Além disso, os exércitos feudais saqueavam cidades, pilhavam, destruíam e roubavam. Para resolver estes problemas, fazia-se necessário um poder centralizado, capaz de pôr fim à desordem, padronizar os impostos, pesos, medidas e moedas. Foi então que os burgueses resolveram se aliar aos reis.

Os burgueses entraram com dinheiro, utilizado pelos reis para organizar exércitos profissionais capazes de impor sua autoridade. Esta aliança deu origem às primeiras nações, chamadas de monarquias nacionais.

Guerra dos Cem Anos

Tanto na França, quanto na Inglaterra, formaram-se monarquias nacionais que passaram a governar estes países. No início do século XIV, o rei Eduardo III, da Inglaterra, manifestou a intenção de ocupar o trono francês, pois julgava que era herdeiro deste trono.

Esta ambição acabou levando a um conflito entre os dois países, chamado Guerra dos Cem Anos. Tem esse nome porque, com pequenas interrupções, prolongou-se entre 1337 e 1453, ou seja, mais de um século. No início, os ingleses conseguiram uma série de vitórias, conquistando a maior parte do território francês. Em 1420, os franceses foram obrigados a assinar o Tratado de Troyes, pelo qual o rei Henrique V passava a ser herdeiro do trono francês.

O rumo da guerra só passou a mudar com o aparecimento da jovem camponesa Joana d’Arc, cuja coragem reanimou o exército francês. Assim, os franceses conquistaram muitas vitórias e, em 1453, expulsaram os ingleses.

A peste negra

O sistema agrícola feudal era incapaz de fornecer alimento para toda a população europeia. Além disso, fatores climáticos, queimadas e guerras provocaram uma grande crise no campo. O rápido crescimento das cidades medievais, como vimos, trouxe uma série de problemas sociais e urbanos, devido à falta de higiene e ausência de sistema de esgoto.

Entre 1340 e 1350, estes problemas se agravaram no momento em que a Peste Negra se tornou uma das mais graves epidemias a atingir a população da Europa. Transmitida por ratos, a Peste Negra – ou Peste Bubônica – foi trazida por um navio italiano de Veneza que vinha do Oriente. Mais de um terço da população europeia foi contaminada e morreu.

As revoltas camponesas

As guerras, fome, doenças e epidemias fez com que houvesse uma diminuição da população europeia. Consequente, diminuiu o número de servos trabalhando nos feudos. A falta de mão-de-obra reforçou a rigidez nas relações entre senhores e servos. Os senhores feudais criavam novas obrigações que reforçassem o vínculo dos camponeses com a terra.

Os camponeses responderam ao aumento de suas obrigações de várias maneiras. Uns simplesmente fugiram dos feudos. Outros, fizeram uma onda de violentos protestos acontecidos ao longo do século XIV. Na França, estes protestos geraram revoltas conhecidas como jacqueries. O nome vem do fato que os nobre chamavam os camponeses de Jacques Bonhomme, algo como “Zé Ninguém”, em português.

As revoltas se espalharam pela Europa. Entre 1323 e 1328, os camponeses da região de Flandres organizaram uma grande revolta; no ano de 1358 uma nova revolta explodiu na França; e, em 1381, na Inglaterra.