Neste resumo, você vai conhecer como ocorreu a Guerra Fria entre os Estados Unidos e União Soviética, na segunda metade do século XX e as disputas entre as duas grandes potências da época. Ao terminar de ler, confira outros recursos para você aprender mais, como videoaulas, questões, mapas mentais, dentre outros.

Antecedentes

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa estava praticamente destruída, assim como o orgulho japonês. Os Estados Unidos, por outro lado, saíram vitoriosos e ainda mais ricos. A União Soviética, por sua vez, perdeu muito com a guerra, mas saiu forte do conflito. O imenso território, população incansável e os recursos naturais permitiram-na resistir e derrotar a poderosa máquina de guerra alemã.

Ao fim da guerra em 1945, o mundo acabou dividido entre os dois grandes vencedores: de um lado, os Estados Unidos, representando o sistema capitalista; de outro, a União Soviética, representando o sistema socialista. Deste modo, a Guerra Fria foi a disputa por áreas de influência entre Estados Unidos e União Soviética. Cada um destes países defendia seus interesses seguindo suas próprias ideologias.

A guerra foi “fria” pois não houve conflito militar direto entre as duas potências. Em 1946, Winston Churchill fez um famoso discurso nos Estados Unidos, usando a expressão Cortina de Ferro, para se referir à influência da União Soviética sobre os países socialistas do leste europeu.

As disputas econômicas

Em 1947, os Estados Unidos criaram um vasto programa para ajudar economicamente os países capitalistas europeus devastados pela guerra, denominado Plano Marshall. O plano previa a reconstrução dos países devastados; a reorganização econômica dos países europeus capitalistas; e a contenção do socialismo, oferecendo ajuda econômica para a recuperação da Europa ocidental. O Plano Marshall garantiu o aumento das exportações norte-americanas.

Outra iniciativa dos Estados Unidos foi a criação de uma aliança político-militar chamada Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN. A União Soviética não quis ficar pra trás. No bloco socialista, foi criado o Conselho de Assistência Econômica Mútua (COMECON), em 1949, uma ajuda aos países socialistas devastados pela guerra. Por sua vez, a criação do Pacto de Varsóvia garantia a aliança dos países socialistas.

A espionagem foi muito comum durante a Guerra Fria. Para isso, os Estados Unidos criaram a Agência Central de Inteligência (CIA); e os soviéticos utilizaram a KGB.

A divisão da Alemanha

Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha, derrotada, foi dividida em duas áreas de ocupação entre os países vencedores. A República Democrática da Alemanha, com capital em Berlim, ficou sendo zona de influência da União Soviética e, portanto, socialista.

Por sua vez, a República Federal da Alemanha, com capital em Bonn, ficou sob a influência dos Estados Unidos e, portanto, capitalista. Berlim foi dividida entre as quatro forças que venceram a guerra: União Soviética, Estados Unidos, França e Inglaterra. Havia, por isso, grandes rivalidades naquela cidade.

Por este motivo, em 1961, foi levantado o Muro de Berlim, para dividir a cidade em duas partes: uma capitalista e outra socialista.

O macarthismo

Durante a década de 1950, o senador americano Joseph McCarthy iniciou uma campanha de perseguição a pessoas suspeitas de defender ideias socialistas. Isto ficou conhecido como macarthismo. Funcionários de instituições governamentais foram demitidos, sob pretexto de proteger o país dos comunistas.

O senador McCarthy considerava que os Estados Unidos estavam infestados de espiões soviéticos. Assim, muitos acabaram sendo perseguidos, expulsos do país ou até mesmo condenados à morte. As atividades de espionagem, no período em que durou a Guerra Fria – principalmente nas décadas de 1950 e 1970 –, envolviam milhares de pessoas no mundo inteiro.

Mas a perseguição política não ficou restrita aos Estados Unidos. Na União Soviética também houve forte repressão. Os integrantes do Partido Comunista perseguiam, prendiam e até executavam aqueles que não seguiam as regras estabelecidas pelo governo.

A corrida armamentista

Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética dispunham de uma grande variedade de armas, muitas das quais foram desenvolvidas durante o conflito. Foram desenvolvidas, também, armas não convencionais, caras e muito poderosas, sendo a bomba atômica uma das principais.

Em poucos anos, o programa de pesquisas soviético também conseguiu construir a bomba atômica, o que conseguiu em poucos anos. Anos depois, foi construída a bomba de hidrogênio, muito mais poderosa. Este ritmo de criação de armas gerou uma corrida armamentista, pois cada um dos países temia que o seu inimigo tivesse armas mais poderosas e obtivesse vantagem na disputa.

Na década de 1960, as duas potências – devido ao ritmo frenético de produção bélica – já tinham armas suficientes para vencer qualquer país do mundo.

A corrida espacial

Os Estados Unidos e a União Soviética travaram uma disputa muito grande em relação aos avanços espaciais. Houve, assim, uma corrida espacial para tentar atingir objetivos significativos nesta área. Podemos dizer que esta corrida ocorreu devido à disputa entre as duas potências, uma tentativa de mostrar ao mundo qual era o sistema mais avançado.

No ano de 1957, a União Soviética lançou o Sputnik, o primeiro satélite artificial no espaço. Em 1961, os soviéticos lançaram o primeiro homem ao espaço. Seu nome era Yuri Gagarin. Até este momento, a União Soviética dominava a corrida espacial graças ao grande investimento feito em seu programa espacial. Os soviéticos almejavam chegar à Lua, mas, neste ponto, os Estados Unidos seriam os pioneiros.

Assim, em 1969, a expedição Apollo 11, financiada pelos Estados Unidos, conseguiu levar o homem à lua. Neil Armstrong e Edwin Aldrin foram os primeiros a caminhar sobre o solo lunar.

A Guerra da Coreia

A Guerra da Coreia começou em 1950 e terminou em 1953. O final da Segunda Guerra teve dois desdobramentos na Coreia. Primeiramente, com a derrota do Japão, os coreanos se viram livres do domínio japonês. Em segundo lugar, com a Revolução Chinesa de 1949 – que instituiu o socialismo naquele país –, a Coreia foi pressionada a adotar o regime socialista em todo o seu território.

Assim, a Coreia do Norte tornou-se comunista, com apoio da União Soviética e da China; e, a Coreia do Sul, capitalista, com apoio dos Estados Unidos e outros países ocidentais. Em 1950, os comunistas do Norte invadiram o Sul, tentando unificar o país, tornando-o todo comunista. Os Estados Unidos foram em socorro da Coreia do Sul. A China, por sua vez, entrou na guerra ao lado dos norte-coreanos.

A trégua ocorreu depois de três anos de guerra, sob intervenção da ONU. A Coreia voltou a ficar divida em dois países. Esta situação dura até hoje.

A Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã foi um conflito armado que ocorreu entre 1959 e 1975. O Vietnã, no fim da década de 1950, foi dividido em dois países. O Vietnã do Norte era socialista; e, o Vietnã do Sul, capitalista. A relação entre os dois Vietnãs era tensa. Em 1959, os guerrilheiros comunistas vietcongues, com apoio de Ho Chi Minh – líder do Vietnã do Norte –, e dos soviéticos, atacaram uma base norte-americana no Vietnã do Sul.

Este fato deu início a guerra. Entre 1959 e 1964, o conflito foi apenas interno, e as potências apoiavam indiretamente. Porém, em 1964, os Estados Unidos resolveram entrar diretamente no conflito, enviando soldados e armamentos. A intervenção direta dos Estados Unidos foi um fracasso. Mesmo com tecnologia avançada, não conseguiam vencer a experiência dos vietcongues. Além disso, cresciam, no mundo inteiro, os protestos contra a guerra.

Sem apoio popular e com derrotas seguidas, em 1973, o governo norte-americano aceita o Acordo de Paris, que previa o cessar-fogo. Em 1975, ocorre a retirada total das tropas norte-americanas.

Os movimentos sociais

A partir da década de 1950, a emergente sociedade de consumo ocidental passou a abarcar um novo mercado com o surgimento a cultura jovem. Inicialmente, esta cultura jovem esteve ligada ao fenômeno do Rock’n’roll que, apesar de chocante para os padrões morais da época, não era politicamente engajado.

A partir da década de 1960, a juventude se mostrou mais engajada e politizada. A guerra do Vietnã e os movimentos negros nos Estados Unidos motivaram os jovens a lutar pela transformação da sociedade. A segunda metade daquela década ficou marcada pela contracultura, fenômeno no qual o jovem passava a se conduzir de forma contrária aos valores estabelecidos pela sociedade.

Os movimentos de contracultura, como por exemplo o hippie, nasceram do desejo de uma felicidade individual, simples, distante da sociedade de consumo e do moralismo. Daí veio o culto à paz, harmonia e ao amor livre.

Os movimentos negros

À medida que cresciam os movimentos sociais que defendiam liberdade e igualdade, nos Estados Unidos houve várias manifestações em prol dos direitos civis dos negros. De certa forma, estas manifestações podem ser divididas em três: as radicais, representadas pelo grupo dos Panteras Negras; as pacifistas, lideradas por Martin Luther King; e as brandas, representadas pela Nação do Islã.

Na década de 1960, Martin Luther King liderou várias marchas de protesto e manifestações pacíficas em defesa dos direitos iguais entre brancos e negros e o fim da discriminação racial. Panteras Negras foi um grupo fundado em 1966, tendo como líderes Huey Newton e Bobby Seale. Eles defendiam o fornecimento de armas a todos os negros e a libertação dos negros das penitenciárias.

Enfim, a Nação do Islã, liderada por Malcolm X, foi uma vertente religiosa que praticava a luta política por meios legais, mas aceitava a violência para autoproteção. Além disso, recusava a igualdade racial.

Maio de 68

O Maio de 68 foi uma onda de protestos que teve início com manifestações estudantis para pedir reformas educacionais. O movimento evoluiu para uma greve que ameaçou o governo de Charles De Gaulle, presidente da França. Tudo começou com uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris. No dia 02 de maio de 1968, a administração decidiu fechar a universidade e ameaçou expulsar vários estudantes.

As medidas provocaram a reação imediata dos alunos da Sorbonne, em Paris. Eles se reuniram no dia seguinte para protestar, saindo em passeata sob o comando do líder estudantil Daniel Cohn-Bendit. A polícia reprimiu os estudantes, mas a reação brutal do governo só ampliou a importância das manifestações: o Partido Comunista Francês anunciou seu apoio aos universitários e foi convocada uma greve geral para o dia 13 de maio.

Assim, quase dois terços da força de trabalho do país cruzaram os braços. Através de manobra política, o governo de De Gaulle acabou contornando a crise, mas o movimento francês influenciou vários outros mundo afora.

O fim da Guerra Fria

No decorrer dos anos, o socialismo foi entrando em crise, devido a falta de democracia e atrasos econômicos. Um dos reflexos desta crise foi a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a reunificação das duas Alemanhas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, começou a acelerar o fim do socialismo, através de reformas econômicas, acordos com os Estados Unidos e mudanças políticas.

Em seu governo, Gorbatchev empreendeu duas medidas: a perestroika, que visava modernizar a economia russa; e a glasnost, que tinha como objetivo diminuir a intromissão do governo na sociedade. Estas medidas, de certa forma, representavam a tentativa de dar sobrevida a um sistema em colapso. Porém, não foi possível. Em 1991, o socialismo chegou ao fim na União Soviética.

Com isso, a Guerra Fria chegou ao fim e o capitalismo, vitorioso, foi aos poucos sendo adotado nas antigas repúblicas socialistas do leste europeu.