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3 legados do imperador Justiniano

Abril 13th, 2016|Curiosidades|23 Comments


Conheça 3 legados do imperador Justiniano, um dos maiores imperadores do Império Bizantino. Justiniano governou entre 527 e 565 e, seu reinado foi marcado por conquistas e desafios e boa parte do seu legado perdura até hoje.

Estas informações foram extraídas de nossa Apostila Completa de História Geral.

1. Manteve vivo o Império Romano

3 legados do imperador bizantino Justiniano

Mapa das conquistas de Justiniano

Você já deve ter ouvido falar que uma das medidas para conter a crise do Império Romano foi dividir o império em dois: o Império Romano Ocidental, com sede em Roma; e o Império Romano Oriental, com sede em Constantinopla. Após a Queda do Império Romano Ocidental devido as invasões bárbaras, restou o Império Romano Oriental – Império Bizantino -, que resistiu a estas invasões. Desde o início de seu reinado, Justiniano tinha o desejo de restaurar a unidade do Império Romano. E quase conseguiu. O imperador conseguiu vencer diversos povos bárbaros, reconquistando a África do Norte dos Vândalos; a Itália dos Ostrogodos; e o sul da Espanha dos Visigodos.

2. Preservou o Direito Romano

3 legados do imperador bizantino Justiniano

Há quem considere o direito romano um dos pilares da civilização ocidental, juntamente com a moral judaico-cristã e a filosofia grega. Após a Queda do Império Romano Ocidental, boa parte do direito romano desapareceu, mas não totalmente, graças a intervenção do imperador Justiniano. Ele fez uma atualização do direito romano, mandando reunir e coordenar leis e decretos de Roma numa obra, que ficou conhecida como Código de Justiniano, ou Corpus Juris Civilis. Boa parte do que se conhece em termos de direito e legislação, foi retirado do Código de Justiniano.

3. Enfrentou a Revolta de Nika

3 legados do imperador bizantino Justiniano

Hipódromo onde iniciou a Revolta de Nika

Este não é bem um legado, mas a Revolta de Nika foi um acontecimento marcante no reinado de Justiniano. Uma das grandes revoltas populares na História ocorreu devido ao descontentamento motivado pelos crescentes gastos militares, entre outras medidas políticas impopulares tomadas pelo imperador. O pretexto para a revolta ocorreu no Hipódromo de Constantinopla, onde os bizantinos acompanhavam as disputas a cavalo. A suspeita de fraude na vitória de uma das corridas gerou tumulto que logo se transformou em revolta. O povo marchou contra a morada do imperador aos gritos de “Nike” que, em grego, significa “Vitória”. Daí provém o nome da revolta. Ao fim, o movimento foi esmagado com violência.

23 Comments

  1. Leandro 23 de Abril de 2016 at 3:33 - Reply

    Muito interessante, gostei de aprender um pouco mais sobre um imperador bizantino.

  2. Klaus do Iate 29 de Abril de 2016 at 19:14 - Reply

    Quem é estudioso desta época costuma aumentar importância da revolta Nika, dizendo que se ela fosse bem sucedida, Justiniano teria sido derrubado impedindo suas maiores realizações a codificação das leis romanas.
    Há muita dúvida, quanto a isto.
    O fato da revolta ter acontecido e ter sido esmagada deu ao Mundo a magnifica obra de engenharia e arquitetura que é a mesquita/basílica da Santa Sabedoria que existe até hoje.

  3. Klaus do Iate 29 de Abril de 2016 at 19:18 - Reply

    Na verdade:
    1) Nada diz que a revolta sendo bem sucedida na capital. Justiniano, dono do exercito, da marinha e do resto do império não seria capaz de retomar a cidade após fugir. Sairia com reputação arranhada. Só.
    2) Supondo que os revoltosos esmagassem definitivamente Justiniano. Antes de Justiniano já existiam resumos jurídicos tentando botar ordem na bagunça da coleção de leis romanas. E novamente nada impediria que um sucessor de Justiniano ou dos revoltosos resolvesse organizar a bagunça. De todas as formas, a lei roman continaria a influenciar as leis no Ocidente

  4. Klaus do Iate 29 de Abril de 2016 at 19:23 - Reply

    Concordo, que esmagar os rebeldes foi um episodio cheio de heroísmo da parte do Justiniano e dos revoltosos. Mas não foi tão vital na historia do mundo. O papel vital da Teodora ,esposa de Justiniano e dos dois braços direitos (2, isto mesmo): Narses e Belisarius não pode ser diminuído em TODAS as realizações de Justiniano. 1) Resistir aos persas, 2)aos rebeldes da Nika,3) a peste 4)Reconstruir império no oeste 5) Reconstruir Santa Sabedoria. Justiniano foi um gênio que tinha o superpoder de achar gênios leais a ele.

  5. Klaus do Iate 29 de Abril de 2016 at 19:32 - Reply

    Há um papel nebuloso de Justinianus na formação do Islam. O poder manifestado pelo império oriental especialmente no governo de Justiniano deixava os povos vizinhos com inveja: francos, persas e árabes pré-islâmicos. Justiniano certamente não criou a ideologia do EStado constantinino, solidamente baseado no exercito e na influencia da igreja sobre o povo e do imperador sobre a igreja. Maome, comerciava, quando jovem na rota Siria romana/Bizantina com Meca. Muita coisa no império influenciou. Mais tarde, o Califado abássida ficou ainda mais parecido com o Estado de Justiniano. Califa inicalmente era termo Omiada era “substituto” (do Profeta), mas neste período ousaram imprimir moedas com figuras e o termo substituto de Deus , paralelo exato de um dos títulos do imperador Justiniano Vigario de Deus (na Terra)

  6. ozorio da silva 2 de junho de 2016 at 12:42 - Reply

    MUITO LEGA GOSTEI

  7. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 7:36 - Reply

    Estive lendo sobre mais outra influência de Justinianus no sucesso do Califado. O concilio de Calcedónia condenou o monofisitismo como heresia. O monofisitismo carrega pesado na natureza divina de Jesus, logo Maria seria mãe de um deus é a Trindade na prática um Quarteto. O porque disto : o berço do monofisitismo era o Egito, a província mais importante do imperio.

  8. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 7:39 - Reply

    O concilio porém não conseguiu extinguir o monofisitismo, mais de metade da população do império era monofisita! E sua sede era a capital da província mais importante. Para complicar na longa linha entre o concilio de Calcedónia e a conquista islâmica do Egito, houve imperadores calcedonianos e monofisita, o que gerou várias guerras civis dentro do império no período supracitado.

  9. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 7:44 - Reply

    O governo de Justinianus representa tanto uma reação Calcedónia ( Justiniano era calvedoniano) quanto um período de fim de guerra civil ( a incrível Teodora, sua esposa era monofisita!). Quanto disto foi cálculo político? Provavelmente pouco. O fato é que o casal imperial se entendia sexualmente. O império vislumbrou finalmente uma paz religiosa. E o conflito se tornou uma espécie de saudável competição por adeptos no exterior

  10. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 7:49 - Reply

    Justinianus enviava missionários calcedonianos e Theodora, enviava missionários monofisitas, para Núbia , Georgia e Arabia.O casal demorou a chegar a este compromisso. Mas as perspectivas eram boas. Até que Theodora morre. Justinianus se torna monofisita e depois ultramonofisita, com idéias que foram consideradas heréticas até pelos monofisitas tradicionais! A guerra civil religiosa entre monofisitas e calcedonianos reinicia no Egito.

  11. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 7:54 - Reply

    Os últimos imperadores até conquista isamlica do Egito , tentam acabar com a guerra impondo o monotelitismo. Não importa se Jesus tinha uma natureza divina ou se tinha duas naturezas ( humana e divina), mas que ele tivesse uma vontade inabalável, igual a de Deus Pai. A solução de compromisso não agradou a ninguém e as tropaS imperiais tiveram que lutar contra os dois grupos. Os imperadores fecharam com o calvedoniano , mas tinham problema outros além dos monofisitas: pestes, usurpadores, separatistas e o império persa.

  12. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 7:57 - Reply

    Persas e bizantinos se envolvem no round mais sangrento e inconsequente. A guerra ganga colorido de Cruzada porque os perdas se julgam exército de Aura Mazda e os romanos seriam exército do diabo. Já os romanos(bizantinos) lutam divididos. Os monofisitas lutam de má vontade.

  13. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:03 - Reply

    O round acaba com os dois impérios arrasados e nenhum deles conseguindo uma milha de terra além da fronteira pre-guerra. Então surgem do deserto árabe, os islâmicos. Eles conquistam todo imperio persa. O império romano sobrevive, maS perde suas melhores províncias definitivamente porque os monofisitas os saudam como Libertadores. Os islâmicos dão motivo. Os conquistadores reduzem os impostos e permitem o monofisitismo especialmente no precioso Egito.

  14. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:07 - Reply

    Assim ato de Justinianus a favor de monofisitismo após morte de sua esposa contribui significativamente para que quase todo Oriente Médio hoje seja islâmico. Se o império romano se tornasse calcedoniano-monofisita, lutaria coeso contra persas e principalmente contra islâmicos.

  15. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:10 - Reply

    Ao longo da história do cristianismo desde Constantinus a tendência era realmente todos se tornarem monofisitas. A elite reinante necessitava que a figura do imperador fosse o Substituto na Terra de alguém que fosse nada menos do que Deus. E o culto à Maria era muito popular . Além disso o monofisitismo era mais aceito na província mais preciosa.

  16. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:15 - Reply

    Por outro lado a crença firme de certos setores do clero que somente um Cristão que chorasse, sentisse dor e morresse seria capaz de nos dar exemplo ético e o perdão do deus Pai, acabou resultando no principal atrativo da religião para muitos é principalmente a sobrevivência tímida que sseja, do antropocentrismo clássico que nos levaria a Renascença, as Navegações e a Revolução Científica do séc XVII.

  17. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:15 - Reply

    Onde le-se Cristão é Cristo.

  18. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:29 - Reply

    Mas o Egito hoje tem maioria islâmica e minoria cristã monofisita (Copta). Como acaba a lua-de mel entre islâmicos e monofisitas? Isto já outra historia onde o imperador Justinianus participa muito pouco, na verdade, deve ser até inocentado.

  19. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:36 - Reply

    Os pontos de contato ideológicos de monofisitas e islâmicos eram poucos. O verde, cor da torcida organizada na corrida de bigas na capital romana que era monofisita, foi adotada como cor do Islam. Os símbolo do Crescente e da Estrela (que é o Planeta Vênus) foi adotado pelo Islam tardiamente, era simbolo dos deuses tutelares (Artemis e Afrodite) de Bizantium antes mesmo de ser tornar a Nova Roma crista. A visão monofisita da Trindade Cristã realmente é mais próxima do monoteísmo radical do Islam. Issa (Jesus) é um importante profeta de Alah que não morreu, foi arrebatado com corpo e tudo para o Ceu como Elias, no Koran. Mas nada há parecido com o Culto a Maria dentro do machista Islam. O principal motivação era que os dois lados queriam livrar o Egito do governo romano legitimo na época, mas calcedoniano.

  20. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:38 - Reply

    O Egito era rico demais para permanecer sob baixos impostos no Califado. Mas a mais importante mudança dentro do Islam que afetou a relação dos conquistadores com os conquistados do Egito aconteceu na Persia conquistada.

  21. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:42 - Reply

    Até o Califado Abássida, o Islam ainda era etnocêntrico. Os governantes de alguma forma deveriam estar ligados a família de Mohamed. Exigia-se a conversão basicamente de quem tinha etnia árabe. Os conquistados sírios, egípcios, persas poderiam manter suas religiões desde que pagassem impostos extras por serem não-convertidos. Somente não-islâmicos poderiam ser escravizados. Na verdade, por isto, a conversão era até dificultada. Como acontecia com judeus por motivos diferentes.

  22. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:47 - Reply

    Mohamed tendia a fazer exceções aos povos do Livro , antecedentes da sua própria religião. Os profetas hebreus e Jesus são respeitosamente citados no Koran. Eles pagavam menos imposto. Então vem a reação dos conquistados persas, especialmente das mulheres da ex-elite imperial persa. Com milênios de requinte civilizatório, elas eram sedutoras, elas tinham um nome que ajudava a manter o povo persa na linha, não podiam ser tratadas como meras escravas. Com jeitinho, elas demonstraram a seus maridos árabes como seus filhos com elas seriam tratados como bastardos adoradores do fogo, se não lhes fosse permitida a conversão, pois os Povos do Livro ainda mereciam alguma consideração dentro do Califado. Eles não vinham dos Povos do Livro.

  23. Klaus do Iate 20 de Fevereiro de 2017 at 8:57 - Reply

    A conversão foi ficando mais fácil para persas. E mesmo para Povos do Livro, todos querendo escapar dos impostos e da possibilidade de se tornarem escravos. Na Persia , surgem os primeiros doutores islâmica da Lei não-arabes. Eles querem justificar um dai a Deus o que é de Cesar, assim a etnia não seria mais impeditivo para nada desde que alguem fosse um bom maometano. Mas estes doutores ainda eram persas e a ideia da batalha do fim do mundo entre as forças de Aura Mazda (agora chamado Alah) contra Ariman (agora chamado Diabo)permeou de alguma forma seus pensamentos. A conversão de OUTROS passou a ser uma das obrigações do bom maometano, para que se alcançasse o Islam (a Obediencia a Alah) Alah triunfasse no dia do Juizo. os monofisitas do Egito tinham lutado mais de 300 anos contra os imperadores calcedonianos. E os venceram com ajudinha externa. Prefeririam lutar mais 300 contra califas conversores que não respeitavam Maria. Tinham uma quedinha pelo martírio. Não viam muita diferença entre “dar a Cesar o que é de Deus” e “dar a deus o que é de Cesar”, pois não era esta a receita do Cristo. A luta no Egito foi tão sangrenta como no passado romano. Obviamente os monofisitas não tiveram ajuda , nem dos Cruzados (herdeiros do concilio da Calcedonia). Porem, ainda hoje existe a Igreja Copta dentro do Egito Islamico.

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