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10 bebidas alcoól. populares na história

outubro 10th, 2013|Curiosidades|9 Comments


O etanol é um velho parceiro da humanidade. Praticamente cada povo, época e região soube obter etanol das fontes disponíveis de glicose e do manuseio inteligente do fungo saccaromyces cerevisae. O etanol é calmante e desfaz a autocensura. Como diziam os romanos: “no vinho, há verdade”. Portanto pode ser útil em conquista amorosa, em espionagem e na diplomacia.

Há vários fatos históricos e míticos relacionados ao etanol. Apesar de ser uma droga aceita socialmente, é problema de saúde publica, está por trás de muitos acidentes de carro, abusos contra mulheres e crianças e faltas ao trabalho. Além disso, o etanol é um excelente exemplo de que após descriminalizar uma droga, é praticamente impossível recriminalizá-la, vide o gangsterismo nos EUA após Crise de 1929 e Lei Seca.

Esta lista foi enviada pelo grande Klaus Provenzano.

1. Hidromel

Hidromel

A mais antiga bebida alcoólica parece ser o hidromel. Desde Paleolítico, humanos notam que coisas imersas no mel custam a estragar. Isto porque no mel há duas condições que prejudicam a multiplicação de fungos e bactérias: alta osmolaridade e presença de antibóticos naturais. Mas, bastando diluí-lo em água e esperar, obtém-se, da fermentaçao do mel, o etanol. Além de ser consumida em Roma e na Grécia Antiga, outras culturas antigas consumidoras desta bebida foram os celtas, os saxões e os vikings. Também era conhecido o consumo de uma bebida similar pelos maias. Na Mitologia Nórdica, o hidromel aparecia como a bebida favorita dos deuses.

Produto fermentado: mel

2. Cerveja

Cervejaria do século XVI

Cervejaria do século XVI

Da fermentaçao da cevada, os antigo egípcios produziram várias cervejas que apreciavam ao ponto de chamá-las de pão líquido e considerarem artigo de cesta básica. Egípcios já conheciam  a cerveja loira, a morena e a ruiva. Uma das cervejas vermelhas egípcias era chamada de “aquela-que-parou-Sekmet”, uma menção ao mito que a deusa-leoa, viciada em sangue, só interrompeu sua missão de extinguir a humanidade quando foi embriagada por seu irmão, o deus Thot. A cerveja do mundo mediterrâneo alcançou o mundo celto-germano, onde disputou como hidromel a preferência. Uma cervejaria em Munique foi palco da primeira tentativa de Hitler tomar o poder. E também foi em uma cervejaria na mesma cidade a tentativa frustrada de matar o ditador alemão.

Produto fermentado: cevada

3. Vinho

Grego antigo recolhendo vinho

Grego antigo recolhendo vinho – fragmento de cerâmica

Da fermentação da uva, típica trepadeira do clima mediterrâneo, surge o emblemático vinho que marcou diversos eventos históricos. O verão seco do clima desidrata a uva e a torna mais doce. Provavelmente criado pelos sumérios, ele aparece em mitos do dilúvio, paralelos a Torá. O consumo de vinho entre greco-romanos no dia-a-dia envolvia colocar água para manter a lucidez da conversa. A proporção era ditada pelo anfitrião e o vinho era diluído em uma cratera (buraco no centro da sala ou grande recipiente, do qual todos se serviam). Quando o vinho alcançou o mundo celto-germano regado a hidromel e cerveja, o vinho fez grande sucesso sem a diluição. Por isso, os greco-romanos diziam que tomar vinho não-diluido fora das festas religiosas era costume bárbaro.

Produto fermentado: uva

4. Saquê

Saquê

Obtido da fermentação do arroz, o saquê começa sua conquista do Japão junto com o próprio arroz ainda no Período Yamato. O arroz já havia conquistado as lavouras da China do sul onde substituiu o painço e o trigo. O arroz é uma erva do pântano e exige um clima muito mais úmido, ele é nativo do Sudeste Asiático e de lá foi transplantado para o Sul da China e para a bacia do Ganges por humanos. A Índia védica e a China han deveriam ter suas próprias versões de saquê. Os povos do Extremo Oriente tem genes que determinam a acetilação (destruição do etanol pelo corpo do usuário) mais lenta, o que explica sua forte reação corando suas faces e a embriaguez mais intensa e prolongada com menores doses.

Produto fermentado: arroz

5. Arake

Garrafa de arake palestino

Garrafa de arake palestino

O arake é obtido da fermentação da cana-de-açúcar, seguida de sua destilação e tempero de baunilha. A cana também é nativa dos pântanos do sudeste asiático. Foi levada para o pantanoso Baixo Egito por Alexandre Magno, onde era conhecida como mel vegetal. Os islâmicos conquistaram o Egito no século VII e desenvolveram a alquimia. A alquimia é a precursora da ciência química. O destilador ou alambique já era conhecido dos gregos de Alexandria. Com vidraria especial, aquece-se a mistura de fluidos, cujos componentes tem diferentes pontos de ebulição. Captura-se rápido os vapores (espíritos) desprendidos sequencialmente e resfria-se cada um deles rapidamente pela contra-passagem de água fria. Mas foram os árabes que usaram o alambique (palavra árabe) para obter álcool (outra palavra árabe).

Produto fermentado: cana-de-açúcar

6. Whisky

Pobre homem bebendo whisky

Pobre homem bebendo whisky – Erskine Nicol, 1869

Etanol destilado, pode ser obtido de trigo e outros grãos, tipicamente plantados na Europa Ocidental e depois envelhecido em barris de carvalho. Técnica árabe, foi adotada por monges italianos e é descrita por Ramon Lull, pensador cristão das Baleares. A bebida era conhecida como “água da vida”, com fins medicinais (permitia a adoção de procedimentos dolorosos). A bebida logo passou a uso dos cirurgiões barbeiros e, na Escócia do século XV, passou a ser usada mais indiscriminadamente. A celtização da “água vital” originou a palavra whisky. Entre os whiskys , o mais famoso é o escocês (daí o nome Scotsh) e, como admite mistura de plantas para fazer o malte (o amido pré-digerido antes de fermentar), também é conhecido como blended. O whisky é muito usado para combater a sensação de frio, mas, na verdade, induz a uma perigosa hipotermia. Assim, mantenha-se agasalhado se for beber whisky no frio.

Produto fermentado: trigo e outros grãos

7. Airag

Tigela de airag mongol

Tigela de airag mongol – bebida de leite fermentado

Os mongóis tinham uma vida quase totalmente dependente de seus rebanhos, com pouquíssima agricultura. Portanto, sua fonte de etanol foi o leite de égua fermentado. Acetiladores lentos, algumas decisões políticas errôneas dentro da família imperial foram tomadas sob “espírito do etanol”. Após conquistarem a Pérsia e a China, rapidamente trocaram o airag por vinhos, arakes, saquês e cervejas. Antes deles, os hunos também deviam fazer uso pesado do airag, mas foi o vinho romano que matou o grande Átila aos pouquinhos. O alcoolismo crônico pode destruir o fígado e outros órgãos. A destruição do fígado leva a formação de grossas varizes no esôfago. Átila, durante a lua-de-mel, vomitou sangue e se afogou nele. Uma consequência do alcoolismo agudo (vômito com engasgo) com a do crônico (rotura das varizes). Uma morte nada glamorosa, segundo autores de hoje. Uma morte justa, segundo autores cristãos da época.

Produto fermentado: leite

8. Vodka

Antiga destilaria ucraniana de vodka

Antiga destilaria ucraniana de vodka

É outro destilado. Aqui o etanol é obtido da batata.  A batata é um tubérculo nativo das regiões frias dos Andes. Ela pode estocar muita água para aguentar períodos de seca, mas germina fácil, com a mais leve umidade. Era o alimento dos povos andinos. Os espanhóis levaram a batata para a Europa, onde prosperou em diversas montanhas, como os Apeninos, Alpes, Pirineus, Montanhas Irlandesas e Urais e causou um grande boom populacional, com consequência importante para história europeia a partir de Napoleão. Um fungo acabou sendo transplantado dos Andes para a Irlanda, provocando grande fome e emigração para os EUA. A batata somente fermentada não produzia etanol de qualidade porque tinha alto teor de água e estragava fácil, com bactérias competidoras do fungo saccaromyces. Nos Urais, os russos resolveram destilar a batata fermentada, produzindo a bebida com maior teor de etanol de todas.

Produto fermentado: batata

9. Tequila

Antiga destilaria de tequila em Jalisco, México

Na Mesoamérica dos maias e astecas, prosperava um parente da batata, o tomate, que não se prestou à base de nenhuma bebida alcoólica, apenas como algo para dar sabor (o famoso Bloody Mary, referência à vida e à morte da rainha anglo-escocesa Maria). Mas aqueles povos fermentavam o cacto agave-azul, obtendo a famosa tequila, que também foi turbinada pela destilaçao vinda da Eurásia. A tequila é um problema de saúde coletiva antigo no México. Pelas leis mexicanas, a tequila pode ser produzida apenas no estado de Jalisco e em regiões limitadas de Guanajuato, Michoacán, Nayarit, e Tamaulipas. O México clama o direito internacional exclusivo da palavra “tequila”, ameaçando ações legais contra produtores de destilados de agave-azul em outros países.

Produto fermentado: cacto agave-azul

10. Cachaça

Escravos produzindo cachaça

Escravos produzindo cachaça – pintura de Debret, séc. XIX

A cachaça é uma bebida de grande importância cultural, social e econômica para o Brasil, e está relacionada diretamente ao início da colonização do País e à atividade açucareira. A geração inicial de colonizadores apreciava a bagaceira portuguesa e o vinho do porto. Assim como a alimentação, toda bebida era importada da metrópole. Em algum engenho é descoberto o vinho de cana-de-açúcar, que é o resultado do caldo de cana fermentado, como também dos subprodutos da produção do açúcar, como as espumas e o melaço misturados à água. É uma bebida limpa, em comparação com o cauim – vinho produzido pelos índios, no qual todos cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar na fermentação do milho. Os senhores de engenho passam a servir o tal caldo, denominado cagaça, para os escravos.

Produto fermentado: cana-de-açúcar

9 Comments

  1. Klaus do Iate 10 de outubro de 2013 at 14:27 - Reply

    Faltou botar o cauim obtido da fermantaçao da mandioca, bebida tipica dos tupis e sempre presente nos banquetes antropofagicos, onde carrasco, vitima e comensais enchiam a cara de cauim ( para tolerar melhor a situaçao??). A fonte do microbio fermantador era a saliva das mulheres. Segundo a crença tupi, caium feito de cuspe de homem nao prestava. As mulheres já eram as principais responsaveis pela agricultura da mandioca, entao era natural que a produçao do cauim ficasse por conta delas. A acetilaçao (destuiçao do etanol pelo corpo) é 4 vezes mais lenta entre mulheres. Entao meninas, para um casal com mesmo grau de “halterocopismo”, haverá uma hora que a garota está torta e o rapaz estará no controle, lembra disto antes de sair para night.

  2. Eduardo 10 de outubro de 2013 at 23:36 - Reply

    Olá a todos.

    Excelente matéria, sou produtor artesanal de Hidromel e é realmente uma bebida fantástica, exporto para todo o Brasil e fora também, quem se interessar pode entrar em contato, faço levas especiais para festas e comemorações:

    Edubianchy@yahoo.com.br

  3. José Fernández 10 de outubro de 2013 at 23:52 - Reply

    Falto el Pisco.

  4. Ricardo 11 de outubro de 2013 at 17:29 - Reply

    faltou o Mezcal

  5. klaus do Iate 7 de novembro de 2013 at 22:02 - Reply

    O mezcal, que é fonte de mescalina? Mas aí entra outra droga além do etanol. Prof Michel tem um artigo para isto também, eu acho.

  6. Selma Dunlap 20 de novembro de 2013 at 21:45 - Reply

    Porém, um estudo sobre vinhos publicado na American Journal of Clinical Nutrition descobriu que vinhos sem álcool possuem os mesmos benefícios do vinho comum, e que o álcool pode reduzir os benefícios. Acredita-se que sejam os flavonóides presentes no vinho da uva que protegem contra doenças do coração e alguns tipos de câncer. Eles aceleram o sangue durante o consumo de bebida.

    • Klaus do iate 19 de dezembro de 2013 at 20:48 - Reply

      Que interessante. Ou seja não é preciso tomar vinho tinto para se obter os benefícios dos flavonóides. Mas quem dispensaria o efeito benéfico (ansiolítico) das baixas doses do etanol do vinho?

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