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15 curiosidades do povo Guarani-Kaiowá

outubro 25th, 2012|Curiosidades|28 Comments


A atual situação territorial da tribo dos Guarani-Kaiowá está causando comoção em diversos setores da sociedade brasileira e chamando atenção da comunidade internacional. Isto porque, em recente carta escrita por indígenas da tribo, o termo “morte coletiva” tem sido interpretada como “suicídio coletivo”.

O temor tem razão de ser, afinal, os Guarani-Kaiowá lideram ranking internacionais de suicídio de jovens. No entanto, é verdade também que muito do estardalhaço recente é fruto de um “ativismo de classe média” que, sem checar o contexto das informações, mais atrapalha do que ajuda.

Para conhecer um pouco do contexto histórico da perda de território e de identidade de grupos indígenas, esta lista trata de 15 curiosidades sobre o povo Guarani-Kaiowá. Para esta postagem, extraímos e adaptamos informações dos sites Trilhas de Conhecimentos e BBC Brasil.

Carta escrita pelos guarani-kaiowá

– Os guarani estão divididos em três grupos que vivem no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e no Brasil: os Mbyá, com uma população estimada em 10 a 11 mil; os Avá-Chiripá, com cerca de 9 mil; e os Pài/Kaiowá, com 35 a 40 mil pessoas.

– A população guarani que habita a região sul do estado de Mato Grosso do Sul é de cerca de 25 mil e, na sua grande maioria, corresponde ao grupo Kaiowá e, em menor número, aos Ñandeva. Como os Ñandeva se autodenominam Guarani, sua presença nas aldeia Kaiowá gerou o termo Guarani-Kaiowá.

– Os Kaiowá habitavam uma região de difícil acesso na serra de Amabai, atual fronteira entre Mato Grosso do Sul e Paraguai e, por isso, permaneceram praticamente isolados até meados do séc. XIX. Isto mudou após a Guerra do Paraguai, que teve como parte do cenário de batalha o território indígena.

– A partir de então, o cultivo e extração da erva-mate, explorada em grande intensidade na região, em especial a partir da década de 1880, passou a incorporar significativo número de Guarani-Kaiowá como mão-de-obra.

– Em 1882, o governo imperial arrendou a região para a Cia. Matte Larangeiras, que iniciou a exploração da erva-mate em todo o território Guarani-Kaiowá. A exploração da erva foi responsável pelo deslocamento de inúmeras famílias indígenas.

Manifesto contra o despejo dos Guarani-Kaiowá

– De 1915 a 1928, o governo federal demarcou para uso dos índios Guarani-Kaiowá um total de oito reservas, perfazendo uma média de 18.200 hectares. Iniciou-se, então, um processo de confinamento dentro das reservas demarcadas, das diversas aldeias, localizadas em todo este imenso território .

– Com o desmatamento da região e a implantação das fazendas de gado e colônias agrícolas, em especial a CAND – Colônia Agrícola Nacional de Dourados, a partir da década de 1940, dezenas de aldeias guarani-kaiowá tiveram que ser abandonadas pelos índios, sendo suas terras incorporadas pela colonização.

– Até o final da década de 1970, o processo de redução e confinamento forçado dos indígenas nas oito reservas foi constante, independente da legislação já existente e a favor da proteção dos direitos indígenas à terra.

– A vida dentro das reservas impunha aos Guarani-Kaiowá profundas transformações na relação com o território tradicional, pois, ao perder a sua aldeia, eles eram obrigados a disputar um lote cada vez mais reduzido dentro das mesmas.

– A partir de 1978, algumas comunidades, com o apoio de setores da sociedade civil e dispostas a não aceitarem perder suas terras tradicionais, iniciaram, com êxito, a luta para interromper essa prática histórica, comum em toda a região.

Cruzes fincadas em Brasília

– A crescente imposição do trabalho assalariado surge como alternativa de subsistência, mas atinge as bases tradicionais de sua economia, reforça a exploração como mão-de-obra barata e desqualificada, obrigando os índios a passarem meses distantes de suas famílias.

– A família extensa é a unidade social básica da sociedade guarani-kaiowá, sobre a qual se apoiam seus líderes político-religiosos. Com a dispersão, seus integrantes não encontravam mais as condições necessárias para manterem inúmeras práticas religiosas coletivas.

– Segundo classificação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a situação das terras indígenas em Mato Grosso do Sul, atualmente, é a seguinte: 17 registradas, 5 homologadas, 3 declaradas, 3 identificadas, 10 a identificar, 8 reservadas e 74 sem providências.

– Os Guarani-Kaiowá detém um dos mais altos índices de suicídio no país e no mundo, de acordo com o CIMI. A cada seis dias, um jovem guarani-kaiowá tira a própria vida. Dentre os motivos estão a falta de perspectiva de ter territórios demarcados e confinamento em reservas.

– Além do número de suicídios, os índices de homicídio também são alarmantes. Relatórios de violência do CIMI mostram que, nos últimos anos, o Mato Grosso do Sul vem liderando o ranking de “estado com mais indígenas assassinados”.

28 Comments

  1. claudia 31 de outubro de 2012 at 23:22 - Reply

    AMAMBAI*****

  2. Roberto Copeti 1 de novembro de 2012 at 8:51 - Reply

    Segundo a imprensa, são 170 famílias disputando uma fazenda com uma área de 762 hectares, o que dá 44.800 m2 por índio – seja adulto ou criança -.
    Como brasileiro, quero igualdade. Como somos 4 pessoas aqui em casa – eu, minha mulher e nossos dois filhos – e portanto temos direito a 179.200 m2 !!!
    Como faço para assumir a posse?

    • Michel Goulart 1 de novembro de 2012 at 11:23 - Reply

      Não deixa de ser uma boa análise.

    • Américo 1 de novembro de 2012 at 13:29 - Reply

      Justo.

      Porém, a renda per capita de um Guarani Kaiwoá é R$ 0,00; você como bom brasileiro que é vai dividir a sua renda (e de sua esposa) com a tribo?

      Vai saber usar as terras e preservá-las ou vai loteá-las pra ganhar dinheiro.

      ….

      É, meu caro… no fundo você só é mais um babaca egoista, dos tantos que fazem o Brasil o país do Gerson.

      “Nós sempre gostamos de levar vantagem em tudo, certo?”

  3. william haddad 1 de novembro de 2012 at 16:18 - Reply

    ” O homem branco prometeram aos índios muitas coisas….de todas as coisas que nos prometeram, só cumpriram uma….a de tomarem as nossas terras”

    compilado do livro…”enterem meucoraçãona curva do rio”

    DEE BROWN

  4. Déborah 1 de novembro de 2012 at 19:28 - Reply

    Apoio o Américo!! Temos que aceitar que somos um país de miscigenações e temos que respeitar as diferenças culturais!!

    Esse povo estava lá há décadas e não incomodava ninguém. Será justo causar tanto sofrimento a eles e à natureza (desmatamento) só por dinheiro? Se é questão de dinheiro o Estado que indenize esses agricultores, pois é dever do Estado também garantir condições de vida e saúde digna a TODOS os cidadãos.

  5. Américo 2 de novembro de 2012 at 9:57 - Reply

    Quando a última árvore tiver sido derrubada
    Quando o último rio tiver sido envenenado
    Quando o último peixe tiver sido pescado

    Compreenderás que o dinheiro não se pode comer

    Profecia indígena

  6. Klaus do Iate 8 de novembro de 2012 at 12:12 - Reply

    Quando a última árvore tiver sido derrubada
    Quando o último rio tiver sido envenenado
    Quando o último peixe tiver sido pescado

    Compreenderás que o dinheiro não se pode comer

    Profecia indígena

    Certamente… porque os maias não eram ecocidas, nem os tupis queimavam mata atlantica pra suas aldeias e lavouras ou para vender pau-brasil ao branco. Os indios só nao faziam mais impacto ambiental porque sempre foram muito menos numerosos que a população descendente de europeus apos seculo XVII.
    A unica opção para o civilizado ser menos ecodia é reduzir drasticamente nossos numeros. Note que o padrao consumista americano já está sendo adotado pelos chineses, mas a maioria do mundo ainda nao goza de tanto conforto. mas eles nao mereceriam? E quando obitiverem, o que será dos ecossitemas? Nao vai ser adotando os “padroes guaranis” que reolveremos o impasse.

  7. Klaus do Iate 8 de novembro de 2012 at 12:15 - Reply

    No fim da ditadura, alguns indigenas de areas demarcada estavam sendo tentado por estrangeiros a neogicar ouro e uranio de suas terras. Porem a lei é clara, eles são donos do solo e nao do subsolo e como os deficientes mentais e os menores de idade são considerados inimputaveis legalmente. Bolas ,mas eles querem e tem o direito de ter acesso a internet, vacinas, computadores e roupas, a cultura deles não vai ficar impermeavel a cultura do ocidente e nem eles querem isto.

  8. Klaus do Iate 8 de novembro de 2012 at 12:18 - Reply

    Havia em 1985, se nao me engano um programa na TVE de debates moderados por Leda Nagle. O entao presidente da FUNAI disse tudo isto claramente: as culturas indigenas como modo de viver estão com os dias contados, dando terras e alguma ajuda a seu isolamento estamos apenas fazendo com que cada indio ESCOLHA QUANDO farão parte da civilzação ocidental. Esta opção nao existia antes da FUNAI. Nao preciso dizer que o cara perdeu o cargo pouco tempo depois disto. É. O “Politicamente correto” é mais antigo que eu pensava.

  9. Klaus do Iate 8 de novembro de 2012 at 12:21 - Reply

    É um drama realmente grande, os suicidios coletivos, nasce da percepção da falta de futuro melhor que o presente e de uma boa ajudinha do etanol que consegue encontrar seu caminho até o indio. Nada que nao ocorra entre os outras populações excluidas da sociedade, a diferença é que estes são todos parentes.

  10. Klaus do Iate 8 de novembro de 2012 at 12:24 - Reply

    Claro que a extinção de uma especie, de um idoma ou de uma forma de pensar é triste. è um empobrecimento da humanidade como um todo. Quem nao vai garantir que certa forma de pensamento não seria a solução pra algum mal que toda a humanidade padecerá? Mas extinções estão na ordem do dia em todo o Universo, se algo é extinto é porque mau ou bem nao se adequou as regras do jogo de certo tempo e lugar. As pessoas morrem mesmo com Medicina avançada, guerras iniciam e até estrelas morrem também.

  11. Klaus do Iate 8 de novembro de 2012 at 12:27 - Reply

    ERRATA: A unica opção para o civilizado ser menos ECOCIDA é reduzir drasticamente nossos numeros.

    • Michel Goulart 8 de novembro de 2012 at 12:37 - Reply

      Deu pra entender que você estava se referindo a Ecocida 🙂

  12. Vackra Brudskor som kompletterar Formella brudklänningar 14 de novembro de 2012 at 17:35 - Reply

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  16. pedro 13 de abril de 2013 at 23:03 - Reply

    gostei muito da historia dos indiginas e muito inportante para nos porque foram os primeiros abitante do pais e do mundo o indio da tribo tupi guarani.

  17. THAUANY. 21 de maio de 2013 at 13:12 - Reply

    TEVE ALGUMAS PESQUISAS SOBRE,AS CURIOSIDADES DOS INDIOS GUARANIS,NA MINHA ESCOLA,QUEM PODE ME DIZER ALGUMAS CURIOSIDADES QUE CONHESSA???

  18. joao vinicius 22 de junho de 2013 at 17:54 - Reply

    interessante

  19. sarah 26 de junho de 2013 at 13:08 - Reply

    legal

  20. Cristiano 19 de novembro de 2014 at 14:35 - Reply

    Triste ler os comentários aqui… Em sua maioria, mesquinhos, desinformados e sem saber a realidade das populações indígenas no Brasil, que foram roubadas, assassinadas, violentadas e expulsas de suas terras pelo branco colonizador. Não tenho mais nem o que comentar… Muito triste ver que ainda em pleno século 21 o preconceito, a desinformação e a maneira “Globo” de pensar ainda permeiam a mente das pessoas. Como profissional atuante em Antropologia, sinto ainda mais o profundo estigma da ignorância que algumas pessoas tem e propagam.

  21. Esther Silva 5 de agosto de 2015 at 19:57 - Reply

    Muito bom o site! Me ajudou muito com a minha pesquisa.

  22. JARBAS BONIFÁCIO II 1 de abril de 2017 at 10:09 - Reply

    Dai a Caesar o que é de Caesar…ao indio o que é do indio,tudo.Sou torturador,explorador e matador de índio,carrego isso em meu cromossomo,triste sina minha saber que posso ter transmitido tal carga genética a meu herdeiro,perdão povos nativos.Perdão vida.

  23. PINTO 26 de abril de 2017 at 0:10 - Reply

    legal bem loco empolgante

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