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5 grandes filósofos do iluminismo europeu

abril 7th, 2014|Curiosidades|17 Comments


Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu na Europa, a partir do século XVII, e defendia o uso da razão para promover mudanças na sociedade. O pensamento iluminista contestava o modelo de sociedade que surgiu a partir do século XV, caracterizada pelo chamado Antigo Regime.

Este movimento acabou promovendo mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, conhecido como o Século das Luzes. As ideias iluministas foram difundidas através das obras dos chamados filósofos ou pensadores iluministas.

Se você quer saber mais sobre o Iluminismo e as transformações políticas, sociais e econômicas a partir do século XVIII, leia o nosso resumo sobre o Iluminismo.

1. Locke

Iluminismo-Pensador-John-Locke

John Locke (1632-1704) foi um pensador inglês. Criou a obra “Dois Tratados sobre o Governo”, na qual defendia que o homem teria alguns direitos naturais como a vida, a liberdade e a propriedade. É considerado o pai do liberalismo, filosofia que defende a propriedade privada, a igualdade de todos perante a lei, a limitação do poder do governante e o livre mercado. O liberalismo político atacava diretamente o princípios do absolutismo, sendo que as ideias republicanas, constitucionais e o direito ao voto surgiram a partir do liberalismo.

2. Montesquieu

Iluminismo-Pensador-Montesquieu

Charles Secondat, ou Barão de Montesquieu (1689-1755) foi um pensador francês. Criou a obra “Do Espírito das Leis”, na qual defendeu a separação dos três poderes do estado, ou seja, o Executivo, Legislativo e Judiciário. A separação dos três poderes tinha como objetivo limitar o poder do governante, para evitar abusos de autoridade, comum nos governos absolutistas.

3. Voltaire

Iluminismo-Pensador-Voltaire

François-Marie Arouet, ou Voltaire (1694-1778) também foi um pensador francês. Criou a obra “Dicionário Filosófico”, na qual defendia que a mistura de religião e política criava governos injustos, que defendiam os interesses de apenas uma parcela da população. Apesar das críticas, Voltaire não desejava o fim da monarquia. Para ele, o governo ideal era a monarquia esclarecida, ou seja, o poder do rei mediado pela ideias iluministas. Voltaire também defendia a liberdade de expressão. Foi autor da frase: “Posso não concordar com uma palavra que dizes, mas defendo até a morte o teu direito de dizê-las”.

4. Rousseau

Iluminismo-Pensador-Jacques-Rousseau

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) foi um pensador suíço. Criou a obra “Do Contrato Social”, na qual defendia que a sociedade era capaz de corromper o ser humano, eliminando a sua bondade natural. Para ele, a simplicidade e a comunhão entre os homens deveriam ser valorizadas como fatores essenciais na construção de uma sociedade mais justa e democrática. Entretanto, esse modelo só poderia ser alcançado quando a propriedade privada fosse sistematicamente combatida. Foi autor da frase: “O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe”.

5. Diderot

Iluminismo-Pensador-Denis-Diderot

Denis Diderot (1713-1784) foi um pensador francês. Junto com D’Alembert, criou a obra “Enciclopédia”. Seu objetivo era reunir todo o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. A criação desta obra foi um fator determinante para que as ideias iluministas se espalhassem pela população, adquirindo grande visibilidade. Diderot foi autor da frase: “O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre”.

17 Comments

  1. Klalus do iate 8 de abril de 2014 at 8:36 - Reply

    Prof Michel, de quem é a frase : “Todo poder emana do povo, pelo povo e para o povo”? Nao é pergunta retórica, ignoro mesmo. Porem queria saber quem é autor, porque depois pesquisando mais sobre biografia dele poderia ter um sinal de sua intenção ao dizer isto, pois considero a frase equivocada ou pelo menos irrealista.

    • Michel Goulart 8 de abril de 2014 at 8:49 - Reply

      Não sei o autor, sei que a frase foi inserida nas constituições estadunidense (1787) e brasileira (1988). Acredito que seja uma inspiração das ideias de Locke, Montesquieu e Rousseau.

  2. Klaus do Iate 9 de abril de 2014 at 0:00 - Reply

    Obrigadão, mestre Michel. Agora, comentando a frase: Todo poder emana do povo (SEMPRE), pelo povo (AS VEZES) para o povo (QUASE NUNCA e quando beneficiou o povo, beneficiou mais ou antes a elite).

  3. Marcos 10 de abril de 2014 at 13:41 - Reply

    Peço licença para observar que, na verdade, há duas frases misturadas:
    “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”, é a assertiva, consagrada por Rousseau, que define a SOBERANIA POPULAR e está inscrita nas diversas constituições democráticas, como no parágrafo único ao artigo 1º da nossa CF/88.
    Já “A DEMOCRACIA é o governo do povo, pelo povo e para o povo” configura a conceituação e defesa regime expresso por Lincoln, diante da Guerra Civil Americana.

  4. Klaus do Iate 11 de abril de 2014 at 5:04 - Reply

    Puxa, muito obrigado Marcus. São duas frases fundidas. E deve ter sido fácil fundi-las porque DEMOCRACIA (demo=povo, cracia=governo) e SOBERANIA POPULAR são quase idênticos. Mas então devo fuçar mais o espírito dos homens (Rousseau e Lincoln) e de suas épocas.

  5. Klaus do Iate 11 de abril de 2014 at 6:14 - Reply

    Fuçando mais graças ao Marcus: Lincoln proferiu um discurso impactante após batalha de Gettysburg onde usou a frase: “É preferencialmente para nós sermos dedicados a tarefa remanescente…decidirmos que estes mortos não morreram em vão…e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não perecerá da face da Terra.” A frase é indubitavelmente de Lincoln.
    Na forma como foi citada parece que o “governo do povo…” já era algo conhecido. Lincoln era um advogado estudioso e, como presidente, foi defensor de um forte poder federal sobre os Estados. Em 1819 , um certo juiz Joseph Marshall resolvendo um litigio entre poder federal e estadual disse algo muito semelhante:
    “The government of the Union, then (whatever may be the influence of this fact on the case), is, emphatically and truly, a government of the people. In form, and in substance, it emanates from them. Its powers are granted by them, and are to be exercised directly on them, and for their benefit.” Lincoln então teria lindamente resumido a fala deste juiz. Outros, situados no tempo entre este juiz e Lincoln, também teriam dito frases semelhantes. Os próprios líderes da Independência dos EUA foram movidos por ideais iluministas.Mas resta fazer a conexão mais clara entre o juiz Marshall e Rousseau.

  6. Klaus do Iate 11 de abril de 2014 at 6:36 - Reply

    Embora Rousseau declare que a soberania (que ele tb chama de o poder de produzir LEIS) deva estar nas mãos do povo, ele tb faz uma distinção nítida entre governo e soberania. O governo seria composto de magistrados encarregados de implementar a “vontade geral” e reforça-la. A soberania é o domínio da LEI, que é idealmente decidida diretamente pela assembleia (reunião) do povo, nas democracias. Em outras palavras, ele distingue executivo de legislativo e destaca a superioridade do legislativo sobre o executivo.

  7. Klaus do Iate 11 de abril de 2014 at 6:54 - Reply

    Como a soberania, segundo Rousseau é a produção de leis, Rousseau é contra a existência de representantes do povo, como legisladores. As leis deveriam ser produzidas pela reunião da totalidade dos cidadãos.Daí ele dizer que todo poder emana do povo. Isto é praticável em uma cidade-estado,como Genebra ou antiga Atenas, onde nem todos habitantes eram cidadãos. Não em países com mais de 100 milhões de cidadãos. Na minha opinião, ainda assim, todo poder emana do povo. Tropas são recrutadas do povo. E são equipadas com os recursos tributados do povo. Ainda que o povo se assemelhe a um boi que desconhece a própria força, mas segue manso a ser conduzido por outros.

  8. Klaus do Iate 11 de abril de 2014 at 7:24 - Reply

    Cicerus senador romano e aristocrata teria dito que: A Republica (coisa do povo em latim) era para o povo? Estranho um aristocrata falar assim, estava sendo demagogo? Os proprios romanos citavam o Estado como SPQR (Senado e Povo de Roma) como se as duas coisas reconhecidamente diferissem em interesses e talvez em tudo.

  9. Klaus do Iate 17 de maio de 2014 at 11:17 - Reply

    O inglês Locke é praticamente o pai do fundamento teórico da Independência dos EUA, que, por sua vez, foi o exemplo para a Rev Francesa. Benjamin Franklin era fã dele. Locke disse “derrubar um governo tirânico não é um direito do povo, é um dever”.

  10. Klaus do Iate 17 de maio de 2014 at 11:18 - Reply

    “O mundo será feliz no dia em que o último rei for enforcado com as tripas do último padre.” Montesquieu

  11. Klaus do Iate 17 de maio de 2014 at 11:19 - Reply

    Ou a frase seria do Diderot?

  12. Klaus do Iate 17 de maio de 2014 at 19:20 - Reply

    Mas estas são do Montesquieu mesmo:
    1) Falsa felicidade torna uma pessoa séria e orgulhosa. Ela nunca partilha sua felicidade. Verdadeira felicidade torna a pessoa gentil e sensível e desejosa de partilhá-la com o mundo
    2) Uma nação pode perder a liberdade em um dia e NÃO sentir falta dela por um século (isto é especial para nós pós-ditadura)
    3) Frequentemente vence no mundo, o sábio que se faz de tolo.

  13. Cleison Daniel Costa 27 de maio de 2014 at 20:51 - Reply

    Só uma pequena observação sobre esse trecho do texto referente ao pensamento de Locke: “as ideias republicanas, constitucionais e o direito ao voto surgiram a partir do liberalismo.” O republicanismo é uma tradição de pensamento político mais antiga do que o liberalismo e remete à obra de Cícero ou até mesmo Aristóteles. Não podemos nos esquecer inclusive do pensamento republicano no renascimento italiano, hoje largamente estudado. O pesquisador Maurizio Viroli em seu livro Republicanism (tradução americana) chega a sugerir inclusive que o liberalismo é uma forma degradada do republicanismo. Estou conhecendo o Blog agora e estou achando muito interessante.

  14. Jaciara 16 de agosto de 2014 at 16:03 - Reply

    Geente, Falem mais desse voltaire?

  15. Klaus do Iate 3 de junho de 2015 at 10:59 - Reply

    Voltaire, como todo iluminista, era anticlerical e condenava a Idade Medieval. De medievo=intervalo, como se nada existisse entre o mundo antigo e o mundo em que vivia Voltaire, um grande hiato, ou lacuna, dominado pela Igreja Catolica romana. Esta noção é falsa , pois o papa só deu efetivamente as cartas exercendo um poder acima dos reis entre 1050 e 1300).

    Voltaire foi perseguido no seu país e exilou-se na Inglaterra,uma sociedade aristocrática , mas que tinha vencido o absolutismo. Lá teve contato com textos de Locke. Voltaire criticava o atraso de sua França e ironizava, sobretudo o Sacro Império Romano: “Não é nem sacro, nem romano e nem império”.

    Voltaire, porem ainda acreditava que a monarquia era um governo viável, desde que o rei fosse alguém secular, acima de todas as religiões e culto (uma esperança antiga que já existia entre Platão e Marcus Aurelius: os déspotas esclarecidos).

    Voltaire foi convidado do Frederico II, o grande genio militar rei da Prússia ( estado semimembro do Sacro Império Romano) para construirem juntos o despota esclarecido ideal, mas rapidinho (8 anos) se desentendeu com o rei.

    Voltaire não gostava de Rousseau.
    Voltaire aos 69 anos, era respeitado em seu país de origem, embora criticasse católicos e huguenotes.Em Toulouse, o pai de um jovem suicida foi acusado de indiretamente ter sido a causa da morte do filho católico, porque ele, um protestante, forçava sua conversão. O pai foi julgado sumariamente, e executado de modo torturante. Voltaire, após expor mais de 100 argumentos a favor do pai, conseguiu que o governo inocentasse o pai, infelizmente, postumamente. Mas a defesa de Voltaire resultou no Tratado Sobre a Tolerância que deveria ser lido por todos nós atualmente.

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